“Bebés gastam oito quilos de fraldas por semana”

Um bebé que use fraldas reutilizáveis em vez de descartáveis produz menos oito quilos de lixo por semana, revela a Quercus.

Ao fim de dois anos e meio, tempo médio de utilização de fraldas, cada bebé terá produzido uma média de uma tonelada de resíduos. Em Portugal, nascem cerca de cem mil bebés por ano, serão 40 mil toneladas por ano.

Actualmente, adianta a associação, as fraldas descartáveis correspondem a cerca de cinco por cento dos Resíduos Sólidos Urbanos, que são encaminhados para aterro ou incineração, uma vez que não existe reciclagem em Portugal para este tipo de material.

A Quercus iniciou, em 2009, uma Campanha de Promoção para a utilização de Fraldas Reutilizáveis, medida prevista pelo Programa de Prevenção de Resíduos Urbanos (PPRU) do Ministério do Ambiente.”

Revista PAIS & Filhos
02 Junho 2010

Testemunho de Parto da Denise – Brasil

ENTRANDO EM TRABALHO DE PARTO

As contrações vinham aumentando a cada dia, já estava com mais de 39 semanas e conversava com a minha bebê que ela já podia nascer, pois estava chegando o carnaval, a data prevista e a pressão dos familiares e médico também crescia.

Na segunda feira fui à consulta com o ginecologista do meu convênio, Dr. Marcelo, que acompanhou todo o meu pré-natal, e ele quis fazer um exame de toque, para saber “se ia demorar ou não”. Logo de início resisti argumentando que como ainda não estava em trabalho de parto o exame era desnecessário, mas depois cedi pra não criar confusão. Resultado: colo do útero fechado, sem dilatação. Então, “não dá pra saber, né? Volta no dia 15″. Saí correndo para uma consulta em uma pediatra que possivelmente faria a recepção do parto, caso eu fosse para a maternidade. Uma demooora pra ser atendida, foi ali que entrei em trabalho de parto, agora sei, no dia pensei só que fosse cansaço, preocupação e o exame incômodo.

Mas a bebê estava muito agitada e as contrações, já constantes, estavam um pouco doloridas… mas muito leves… A pediatra não me esperou nem dar boa tarde, já passou uma lista de remédios caso isso, como aquilo, até complementação de leite ela passou! (fiquei pasma!)

Depois de uns 10 minutos falando sem parar ela soltou “Ah, nem perguntei se era seu primeiro filho, né? Você tem alguma dúvida?” E eu bem tonta, que na verdade estava ali era procurando uma indicação de um pediatra que pudesse acompanhar o parto na minha casa, perguntei: “como é a recepção?”

Besteira minha perguntar, depois de ouvir que “felizmente hoje a recepção é feita longe da mãe, e o pai também não acompanha porque tem uma hora, que se faz uma aspiração profunda,  que normalmente é a hora que as pessoas passam mal”, eu é que saí de lá passando mal!

Quem assiste passa mal, e a criança??? Chorava pra minha mãe, “não quero ir pro hospitaaaal”…

Até dezembro a gente ainda achava que ia conseguir se mudar para Bahia, o Cauê falava que  o bebê ia nascer no rio lá no meio da Chapada Diamantina e eu, “por favor, água quentinha”… Fazia apenas 20 dias que nós havíamos alugado uma casa, uma correria só… então, poucos dias antes tinha ido me encontrar com a Dra. Mariele pra conversar sobre a possibilidade dela atender ao parto na minha casa, particular… Depois de tentar me convencer a ir para o hospital que ela atende, concordou desde que eu arrumasse um pediatra para fazer a recepção. E eu entrei em trabalho de parto procurando o tal pediatra…

Cheguei em casa, muito cansada… nem quis ler um trecho de um livro que o Cauê pediu… dormi…

ENTRANDO MEEEESMO EM TRABALHO DE PARTO

Acordei pra fazer xixi, a barriga duura…voltei a dormir, acordei de novo, a barriga duuuura, xixi, tornei deitar… na sequência, pô, de novo? xixi, a barriga duuuuuuuura e um pouco dolorida e um sinal rosinha de sangue no papel higiênico… pensei: “dia 09/02 aniversário do tio Junior, é hoje!”, eram 4 e 36 da madrugada, não podia mais dormir! meu intestino começou a funcionar e fui cronometrar as contrações, intervalos de 3 ou quase 3 minutos, duração de 40 a 50 segundos… e já comecei a reclamar… o Cauê acordou: “o que é que você tá gemendo aí?” e veio a resposta: “vai nascer!”

Então pegamos as coisas e fomos pra edícula que tem no fundo de casa, coloquei o colchão no chão da sala que fica vazia para práticas de yoga.

Vimos o sol daquele dia nascer… Enquanto o Cauê arrumava o rodinho, limpava tudo, inflava a banheira eu revezava entre o colchão e o chuveiro.

A água quentinha batendo na lombar era um alívio para as contrações!

Quando eu achava que ia acabar com toda a água do mundo, ia um pouco pro colchão e deitava de lado, tentando descansar ou ficava de cócoras com os joelhos apoiados.

Eu achava que o parto seria uma festa, né? Queria alguém pra tirar fotos, minhas amigas, mãe… mas que nada, na hora não queria ninguém… me interiorizava mais e mais… E gritava também! Não fiquei inibida pra gritar, mesmo porque iria atrapalhar o processo, mas até a vizinha veio chamar, perguntar se precisava de ajuda…

O Cauê foi tentar encher a banheira com a água quente do chuveiro, mas ia demorar muito, então eu disse pra ele encher com a mangueira e ir fervendo umas panelas de água no fogão… Ele estava perdido, até foi regar as plantas… eu achei engraçado, mas queria mesmo ficar sozinha… então as contrações foram se intensificando (e os berros também)… o Cauê perguntou uma vez: “viu, não tá na hora de chamar a médica?”, e eu, “já já eu ligo, no próximo intervalo” (como se fosse novela, né?), daqui a pouco ele de novo: “não tá na hora de chamar a médica?”.

Quando ele perguntou pela terceira vez eu disse: “liga, liga pra ela”. Não tinha mais intervalo nem cabeça pra ligar… e falar no telefone ainda!

Fiquei pensando o que eu ia responder se ela perguntasse do pediatra!

Então ele ligou, duas vezes sem resposta… Na terceira ela atendeu e ele disse: “você pode vir ? Se não a gente vai pro hospital”… Eu já tinha pedido pra ele colocar o carro na rua, caso a gente tivesse que fazer uma remoção pro hospital, nessa hora ele deve ter pensado “ih, ela vai dar pra trás”! Ela perguntou como estavam as contrações, “uma atrás da outra e tô começando a ficar com vontade de fazer força”… Como é a sincronicidade! Ela tinha acabado de sair da natação com o bebê dela, não ia atender, passou na casa da mãe, deixou o pequeno com ela e emprestou o carro. Passou no hospital, pegou uma caixa de parto e rapidinho chegou em casa. Na hora que ela chegou ela me viu e disse “tá difícil, né”… A fase de transição é dose, viu… pra mim, foram os momentos mais difíceis mesmo… Ouviu o coração da bebê que estava bem e pediu pra eu deitar pra fazer o exame de toque. Deitar de barriga pra cima foi a pior posição! Era muito incômoda e a dor aumentava!

Felizmente estava com 9 de dilatação, quase total! Ufa, imagino que se ela dissesse que tava pouco ainda eu ia ficar muito desanimada… E ainda com a bolsa íntegra, mas logo ela rompeu acelerando o expulsivo. Já tinha mecônio, verde clarinho. A Dra falou que as contrações iam ficar diferentes e realmente, a vontade de fazer força aumentou. A Mariele perguntou do pediatra e eu só abanei a cabeça negativamente e ufa, ela disse “tudo bem”… Então ela perguntou da banheira, ali cheia, liiinda, brilhando na luz do sol… mas calcule, a água estava fria! Imaginei que o Cauê ao invés de colocar todas as bocas do fogão pra funcionar tinha colocado só uma panela e fervia, ia lá na banheira, jogava, enchia a mesma panelinha (hahaha) e agora, escrevendo esse relato eu fui perguntar pra ele e a resposta: “a gente não tinha tantas panelas assim”… ótima resposta, não é?

O NASCIMENTO

Verão, uma semana antes do Carnaval, pleno meio dia e eu ali debaixo de um telhado de fibrocimento! Sim, o calor tava demais! Entrei na banheira e para mim a temperatura da água era incrivelmente maravilhosa. Eu fazia força nas contrações e o Cauê me fazia massagem, essencial contar com o apoio dele em todos os momentos. A Dra perguntou se eu não queria entoar um mantra, e eu pensei um pouco e respondi: “Não!”. Já podia sentir a cabeça da Anahí descendo e tocar seus cabelos! E descendo mais, a Dra Mariele pressionou o períneo para ajudar a não lacerar e a coroar. Eu lembro que a Dra falou alguma coisa, como “uma força de Deus que vai trazer a sua filha”. E eu pude ouvir o mantra “Ma Durga, Ma Durga”, a sincronicidade com arquétipo da força feminina. Então, força e apareceu a cabecinha dela, eu já podia ver, debaixo da água, mas a contração parou e eu parei. E vem de novo… força e nasceu! Como explicar o inexplicável, dizer o indizível? A certeza de que a vida não era mais minha, só existia aquele Ser! A Dra Mariele desfez a circular de cordão frouxa que tinha e a colocou nos meus braços, um momento em que tudo clareou, a luz do dia, da vida brilhava tão forte e eu só conseguia enxergar aquela criatura tão pequena e linda, muito linda, ali em minhas mãos… 12:38 a Dra Mariele marcou, clampeou logo o cordão e o Cauê cortou pois a bebê precisava se aquecer rapidamente. Ele correu buscar um aquecedorzinho pra ela que ficou enrolada nos paninhos enquanto eu tentava sair da banheira (!). No fim, nasceu na água fria, como o pai queria. Consegui sair da banheira e deitar-me com a Anahí ao seio, veio a contração e a placenta saiu. Não foi preciso dar pontos pois tive lacerações mínimas, de 1º grau. Depois o Cauê me ajudou a tomar banho enquanto a Dra Mariele vestia a roupinha de “saída da maternidade” que minha mãe tinha comprado. Quando eu saí da edícula com a Anahí nos braços caminhando para dentro de casa chegavam minha mãe e avó, de braços dados! Emoção, que só pode ser sentida e difícil de caber nas palavras…  Não tem fotos do parto, mas logo foram registrados os primeiros momentos de toda a família conhecer a pequena…  Foram chegando avô, bisavó, tio, amigos, e todos encantaram-se com a nossa bela flor do céu: Anahí.

Precisa escrever que foi o dia mais feliz da minha vida??

Tá na cara!!

Momentos compartilhados com muito amor…

e muita emoção!!

(Fotos de Fernanda Vasconcelos)

“Denunciar o abuso obstétrico”

Mal Me Quer é um novo projecto que pretende denunciar e alertar para as más práticas obstétricas em Portugal.

O que é o abuso obstétrico? Quais as suas causas? Quais as consequências? Como prevenir? Como agir? São estas algumas das questões a que este novo projecto procura responder, colocando informação e testemunhos comentados à disposição de todos os que consultam o site.

Decorreram cinco anos desde que se começou a alertar a opinião pública para as práticas desactualizadas, sem fundamento científico, que vigoram ainda na obstetrícia praticada em Portugal. Na sua apresentação o Mal Me Quer, declara que tem por objectivo, de uma forma construtiva, simples e fundamentada, dar a conhecer esta realidade que tanto afecta, física e emocionalmente, mães, bebés e pais.

A iniciativa é de um grupo de mulheres que se sentiram mal tratadas ao longo do seu trabalho de parto e que vieram a reconhecer ter sido alvo de abuso obstétrico.

Com este site, querem dar a conhecer o abuso obstétrico e promover uma atitude pró-activa por parte das mulheres, no sentido de as ajudar a preveni-lo e de as apoiar no confronto com as situações de abuso.

Outro objectivo é sensibilizar os profissionais de saúde para o fenómeno do abuso obstétrico, na esperança de que possam ver neste projecto não um ataque ao trabalho que desenvolvem – tantas vezes sujeito a constrangimentos propiciadores do abuso involuntário – mas uma luz sobre o tanto que ainda está por fazer.

Revista IOL Mãe
2010/05/28

Workshop Amamentar

Workshop Amamentar com visionamento do filme “Guia Visual de Amamentação”

Com este workshop vai conseguir responder a todas as suas dúvidas e questões relativamente à amamentação do seu bebé. Vai saber o que fazer, como fazer e vai sentir-se muito mais segura, podendo assim dar um começo mais saudável ao seu bebé, evitando os riscos inerentes a uma alimentação artificial.

Muitas vezes as informações que recebemos em relação a este tema são contraditórias e as experiências das nossas familiares e amigas também não nos ajudam muito. A quem seguir? Quem tem razão? Neste workshop, ser-lhe-ão dadas as ferramentas para poder tomar decisões relativamente aos horários e duração das mamadas do seu bebé, como poder desfrutar mais desta relação de proximidade, até que idade amamentar, como fazer quando tiver de regressar ao trabalho e outras questões que tenha.

Este workshop começou a ser ministrado em 2000 no ginásio da Dra. Graça Mexia e aí decorreu até 2007, altura do encerramento do ginásio. Centenas de mães têm participado nesta iniciativa. Venha descobrir porquê.

Novidade
Ao workshop original estamos a acrescentar o visionamento do filme “Guia Visual de Amamentação” do Dr. Jack Newman – pediatra canadiano, especialista no apoio à amamentação
.

Destinatários
Grávidas e mães a amamentar.
Todos os que queiram aprofundar mais sobre o tema.

Quando e Onde
Sábado, 14 de Agosto às 11h.
Rua António Feijó, 4A Lisboa.

Responsável
Projecto Amamentar – a experiência e qualidade no apoio à amamentação – de Cristina Leite Pincho. Pioneira no Apoio à Amamentação em Portugal, Consultora de Lactação certificada internacionalmente pela IBCLCE – autoridade mundial que determina a competência de quem presta cuidados de saúde na área do aleitamento materno.

Investimento
15€ (individual/casal)

SMAM – 2010

Como forma de comemorar a Semana Mundial do Aleitamento Materno, que decorre de 1 a 7 de Agosto, decidi partilhar o meu testemunho com as leitoras/seguidoras do blog RM.
Se mais mamãs também quiserem partilhar as suas histórias e fotos podem enviar para o email do blog.  :)

Amamentar é …


Cansativo? Muito, pois não há horários definidos, não há dia nem noite, não há fins-de-semana, nem feriados ou férias, o bebé mama quando pede, seja por fome ou por conforto.

Exigente? Sem dúvida, pois a entrega e a disponibilidade são a 100%, temos de ter muita força de vontade para continuarmos mais um dia, mesmo quando os nossos mamilos estão gretados e ardem ou quando ouvimos comentários que nos fazem ficar inseguras.

Desesperante? Muitas vezes, porque o bebé chora desalmadamente e perguntamo-nos se o nosso leite será suficiente ou porque o bebé necessita de ir mais vezes à mama quando estamos a cair de exaustão e achamos que não aguentamos mais.

Mas, também é …

Muito GRATIFICANTE, olharmos nos olhos do nosso bebé e vermos como ele mama com tanta vontade, faz-nos sentir um orgulho imenso.

TRANQUILIZADOR, sabermos que estamos a dar o melhor alimento que existe ao nosso filho, proporcionando-lhe uma vida mais saudável.

AMOR, pois criam-se laços, fortalece-se a ligação que sentimos por aquele pequeno ser e que perdurará ao longo de toda a nossa vida, mesmo quando ele já tiver cabelos brancos. ;)

A Amamentação não é fácil, mas nos momentos em que por vezes quase desespero, tento agarrar-me ao que já consegui até aqui:

Amamentar o meu bebé há mais tempo do que eu própria fui amamentada e vê-lo crescer e aumentar de peso “apenas” com o meu leite!  :D

O ideal seria conseguir amamentar em exclusivo até aos 6 meses e depois de iniciar a alimentação complementar continuar a amamentar pelo menos até aos 2 anos, estas são as recomendações da OMS. No entanto tento não fazer planos e ir vivendo o presente, pois cada dia que passa é mais uma meta que consigo alcançar e isso é algo que tenho vindo a descobrir com a Maternidade e a Amamentação.

“Cortar o cordão: as vantagens de esperar”

Mais um estudo que vem confirmar e reunir o que outros já tinham concluído: há vantagens para o bebé em esperar alguns minutos antes de cortar o cordão umbilical.

Cortar o cordão imediatamente após o nascimento pode não ser necessariamente prejudicial, mas rouba ao bebé alguns minutos de fluxo da corrente sanguínea do cordão. Pode parecer pouco, mas este sangue contém células estaminais com propriedade regenerativas e que podem transformar-se em diferentes tipos de células do organismo.

Investigadores da Universidade da Florida afirmam que existem benefícios importantes em deixar que esta última dose de sangue entre na corrente sanguínea do bebé. Basta um minuto ou dois para se conseguir protecção extra para anemias em bebés de termo. Já se conhecia este efeito em bebés prematuros: apenas 30 segundos a mais, antes de cortar o cordão, fazem diminuir a incidência de anemia nestes bebés, mas também de hemorragias cerebrais, infecções generalizadas e a necessidade de transfusões sanguíneas.

Os investigadores chamam a esta dose extra de sangue do cordão o primeiro transplante (natural) de células estaminais e afirmam serem necessários mais estudos para perceber o impacto de cortar o cordão logo após o nascimento. Uma prática que só teve início com o parto hospitalar e a posição deitada a que a mulher passou a estar obrigada. Clampear o cordão de imediato, corta a circulação do sangue, antes mesmo do corte do cordão, que continuaria a ser bombeado para o organismo do bebé durante alguns minutos após o parto.

O novo estudo alerta ainda para o facto de a criopreservação de células estaminais poder estar na origem de alguma «pressa» na clampagem do cordão, de forma a que possa haver sangue suficiente para a recolha. No entanto, os especialistas aconselham os pais a não ter pressa, pois estão, em nome de uma mera possibilidade, a tirar benefícios importantes ao bebé.

O estudo foi publicado no Journal of Cellular and Molecular Medicine, faz uma revisão de várias investigações anteriores, que apontam todas a mesma conclusão: esperar tem vantagens.

Revista IOL Mãe
2010/05/31

“Pessoal e intransmissível”

No momento em que uma criança recém-nascida é colocada nos braços dos pais, em paralelo com a tremenda evolução física que a espera nos dias, meses e anos seguintes, arranca também um outro processo que, embora não tão visível nos tempos iniciais, é absolutamente determinante: o trilho que a levará a tomar o seu lugar no mundo. É essa procura que leva o bebé de meses a gatinhar, a criança de três anos a querer comer e tomar banho sozinha, o aluno do primeiro ano a soletrar, o pré-adolescente a formar um grupo de amigos e o adolescente a contestar tudo e todos. O desejo de autonomia é uma das grandes características que nos torna humanos, mas é uma via que se faz em dois sentidos: de nós em direcção a quem nos rodeia e destes para o nosso interior. E é também um caminho que se vai tornando cada vez menos linear.

No mesmo momento em que recebe o seu bebé nos braços, pai e mãe começam, por sua vez, a procurar que tomem forma todos os planos, desejos, anseios e expectativas que, durante os últimos nove meses, foram reunindo em favor daquela criança. Mais não seja porque um filho torna perene a nossa passagem pela Terra e corporiza a continuação do nosso próprio percurso.

Mas o que acontece quando a fronteira entre o que somos e desejamos se esbate no que o nosso filho é e deseja? Ou quando essas fronteiras se confrontam? Se a valorização da autonomia é uma atitude que marca os primeiros anos da vida da criança, que direito temos de a enfrentar quando ela não se desenvolve nos moldes que prevíamos ou que achamos mais correctos?

«Não temos», afirma, muito simplesmente, a terapeuta familiar Catarina Rivero. «Educar é, essencialmente, respeitar o indivíduo, promovendo o espírito crítico e a autonomia», adianta, acrescentando que não pode ser exigido a nenhuma criança que siga um percurso que não escolheu e que cumpra sonhos que não são os seus, «por muito que os pais achem que é o melhor que podem fazer por ela».

«Não é a primeira, nem será a última vez, que um pai ou uma mãe entra no meu consultório e diz algo semelhante a ”doutora, veja o que se passa com o meu filho, não quer fazer nada do que é bom para ele”. E depois, bem vistas as coisas, o que aquele pai e mãe estão a fazer é não dar qualquer hipótese à criança ou ao jovem de fazer ouvir a sua voz. E o resultado passa, muito frequentemente, ou pela contestação ou pela aceitação mais ou menos passiva da situação, até ao ponto de ruptura».

(…)

Para a psicóloga Maria João Santos, «dar a conhecer todas as possibilidades de desenvolvimento pessoal é tarefa dos pais», mas esta missão começa a perder sentido a partir do momento em que os sonhos e expectativas parentais se sobrepõem ao que deveria ser um processo de auto-descoberta.

Numa sociedade que valoriza os sinais de sucesso e altamente competitiva, os adultos «procuram facilitar e orientar os filhos na direcção do êxito, sem muitas vezes se aperceberem de que lhes estão a negar a importante ferramenta de saber fazer escolhas e arcar com as consequências, sejam elas boas ou más». Em suma «eles não têm espaço para descobrir, porque os adultos já descobriram tudo por eles».

Quem não sabe optar, porque sempre teve alguém que o fizesse por si «não tem capacidade para lidar com a tristeza e a frustração que, mais tarde ou mais cedo, nos batem à porta» diz, por seu turno, Catarina Rivero, para quem a cultura de tentativa e erro faz igualmente perceber «quais são as nossas fragilidades e potencialidades, quando podemos trabalhar sozinhos e quando devemos pedir ajuda. Em suma, permite que nos exploremos e conheçamos mais solidamente».

(…)

«É saudável e desejável que projectemos nos nossos filhos alguns dos nossos objectivos e desejos, mas já não é bom que cultivemos o nosso próprio status através da parentalidade», adverte Catarina Rivero. «De nada serve insistir para que as crianças se desenvolvam num dado sentido se esse caminho não estiver apoiado em sólidas competências sociais e emocionais. E apenas elas as podem conquistar, embora nos caiba, sempre, orientá-las e fornecer-lhes a matéria-prima afectiva. São esses os limites da autoridade», frisa a terapeuta. Autoridade essa que passa por descobrir onde está a fronteira entre a necessária orientação e a ainda mais necessária liberdade. «Inúmeros pais fazem de tudo para que os filhos não caiam e não se enganem, em suma, não sofram nunca», o que, paradoxalmente os pode levar a «pactuar com situações impostas e pré-formatadas que os angustiam profundamente», refere Maria João Santos. Tal não significa que, em contraponto, se promova uma cultura familiar «em que se desiste dos projectos à primeira dificuldade e sob qualquer pretexto. As vocações muito definidas não acontecem a todas as pessoas e a maior parte de nós tem de persistir até encontrar um patamar que nos satisfaça, seja no campo académico, laboral, desportivo ou outro», adianta. «O lado positivo desta atitude firme é fazer a criança perceber que a auto-disciplina também é necessária e que na vida não vão encontrar muitas situações em que tudo é à vontade do freguês».

Abertura e optimismo
A chave desta complexa equação parece estar, assim, nas características dos laços que unem a família. «A questão básica é a da relação que existe entre pais e filhos. Se ela tem por base modelos anteriores demasiado rígidos, pode acontecer uma de duas coisas: os pais decalcam esses modelos ou rebelam-se contra eles», afirma Maria João Santos.

«Seja o que for que aconteça, o melhor que pode acontecer é que esta ligação tenha por base um profundo conhecimento mútuo, confiança total, uma cultura de diálogo precoce e permanente, autoridade– não autoritarismo – e a capacidade para dar a escolher opções adequadas a cada idade».

«É bom que consigamos partilhar com a criança ou o jovem os nossos valores e decisões, mas também as nossas hesitações e dúvidas», defende, por seu turno, Catarina Rivero, para quem o grande papel da família consiste em procurar o equilíbrio entre «a protecção e a autonomia». Se, entre pais e filhos «existirem hábitos de proximidade afectiva, essa partilha ajuda a pesar todos os prós e contras de qualquer situação, respeitando a individualidade de todos», conclui.

Texto: Elsa Páscoa
Revista PAIS & Filhos
17 Maio 2010

Podem ler o artigo completo aqui.

“Nascer em Portugal – ganhou-se muito. Mas o que se perdeu?”

Reduzimos o nascimento a um acto clínico e isso tem custos. Um nascimento é muito mais do que um parto. O parto faz parte do nascimento, mas não é o seu epicentro. O que está em causa, ou devia estar, é o nascimento. É dele que temos de falar. O nascimento converteu-se em parto na nossa sociedade e às vezes em formas sinistras de parto.

A grande maioria das pessoas que pensa na hipótese de ter um filho não sabe o que é o nascimento. Tal como a maioria dos profissionais que lidam com estas questões.

(…)

Esse momento é de uma transcendência e grandiosidade imensas. Por isso devia ser um momento de intimidade, até de recolhimento. E foi sempre assim ao longo dos tempos, se fizermos uma análise antropológica. Todos os rituais respeitavam a intimidade necessária ao parto. E é necessária porque é a única maneira de haver, logo a seguir, um momento fundamental de contemplação.

Esse momento não existirá se o stress inibir as endorfinas naturais, se a intrusão for mais que muita… Hoje rouba-se, muitas vezes, a intimidade a este momento. E isso é mau. Sou a favor que os partos aconteçam em meio hospitalar, mas o momento é tão solene que se deve respeitar como tal.

Seriam precisos uma série de apoios para se fazer a triagem clara das mulheres que poderiam ter em segurança o bebé em casa. Não há risco zero e não se deve facilitar. Mas também é verdade que nos hospitais se correm os riscos das más práticas, que levam muitas vezes a resultados funestos.

As más práticas têm de acabar!
Não percebo por que razão a Ministra da Saúde, ainda por cima uma pediatra, não deu ainda um murro na mesa para acabar com as práticas que vão contra o que é mais benéfico para a mulher e para o bebé. Os riscos aparecem como justificação para muitas práticas nefastas. Mas são outras, muitas vezes, as verdadeiras razões.

Quando se fala de taxas de mortalidade perinatal para justificar todos as intervenções no momento do parto, deve também mostrar-se o outro lado. Ou seja, todas as outras taxas de riscos acrescidos e de prejuízos reais devido a más práticas. E aqui penso que os académicos têm estado demasiado caladinhos, como se não fosse nada com eles. Parece que nada se passa, ninguém estuda estas questões.

A taxa de cesarianas é obscena
A taxa de cesarianas que temos, muito acima dos 20 por cento, é obscena. No meio privado chega-se a 70 ou 80 por cento de cesarianas. Isto tem riscos. Não é igual nascer de parto normal ou de cesariana. Há diferenças importantes para o bebé e para a mãe. Isto não é dito às mulheres, não se mostra o filme todo, o que considero uma má prática. As mulheres deviam ser informadas dos riscos reais de uma cesariana, de uma epidural, de uma episiotomia.

A taxa de cesarianas nos hospitais privados só tem uma razão e é financeira. O preço de uma cesariana é cinco vezes superior ao de um parto normal. Isto tem de ser assumido!

Devemos tomar decisões informadas e não baseadas em meias-verdades. Uma cesariana é uma intervenção cirúrgica. Ser o utente a pedi-la é inaceitável. Nenhum médico, mesmo no serviço privado, vai tirar o apêndice a alguém que chegue lá e diga que é isso que quer! Tem de haver critérios e têm de ser iguais em todos os hospitais, tal como acontece nas outras áreas da medicina.

(…)

O que nos é roubado: intimidade e o momento de contemplação
É uma decisão pessoal, mas sou completamente intolerante em relação às visitas a seguir ao nascimento de um bebé. É horrível, é preversa a quantidadade de gente que invade a intimidade da família. Toda a gente corre para o hospital, em romaria, pessoas que às vezes estão meses sem ver um amigo doente. É também um fenómeno a estudar. Parece que andamos todos ávidos de bebés. Parasitamos os filhos dos outros e roubamos-lhes momentos cruciais.

É precisamente o que fazem as enfermeiras que pegam no bebé acabado de nascer e o levam sob o pretexto de ter de ser aquecido. Agarram num bebé que os pais não tocaram e dizem «Estão a ver o vosso filho?» É uma coisa sádica. Se tirarmos um gatinho acabado de nascer a uma gata e o colocarmos aninhado junto a uma cadela, é a esta que ele vai apegar-se. E a gata vai rejeitá-lo.

Então porque fazemos isto aos bebés e às mães e pais? Um recém-nascido não corresponde a nenhuma idealização de um bebé. Mas se ele for colocado sobre a mãe assim que nasce, pele com pele, se esse tempo de contacto for respeitado, quando a mãe olhar finalmente para a cara dele, está num estado de êxtase e vai achá-lo o bebé mais lindo do mundo. Se pelo contrário o vê de longe e o levam embora é um choque. «Aquilo era o meu bebé? Credo! Coitadinho!», vai pensar.

Só 15 por cento dos bebés precisam de reanimação após o nascimento. Todos os outros deviam ficar ao pé dos pais naqueles momentos únicos e tão importantes. (…)

Texto: Ana Esteves
Revista IOL Mãe
2010/05/19

Podem ler o artigo completo aqui.

“Não quero mais!”

A auto-regulação que os bebés fazem quando são amamentados pode ser a explicação para o facto de estarem mais protegidos em relação à obesidade e excesso de peso. De facto, estes bebés tendem a consumir menores quantidades de alimento ao longo da infância e isso pode estar ligado ao facto de saberem desde cedo reconhecer e responder aos sinais de saciedade.

Um estudo realizado nos Estados Unidos, e publicado no jornal Pediatrics revelou que o ganho de peso muito rápido nos primeiros meses, típico de bebés alimentados com biberão, está directamente relacionado com o peso excessivo mais tarde na infância.

Os pais que alimentam os seus filhos com biberão, mesmo que estejam a oferecer-lhe leite materno – o que por vezes acontece quando as mães começam a trabalhar – devem ter muita atenção aos sinais do bebé. Quando o bebé é amamentado e está satisfeito larga a mama e a mãe percebe que ele não quer mais. Pode até tentar que ele mame mais um pouco, mas se o bebé recusa, ela desiste e não fica preocupada. A mãe não «mede» a quantidade de leite ingerido e isso joga a favor do bebé.

Pelo contrário quando o bebé está a tomar o leite no biberão, os pais esperam que ele beba tudo até ao fim. E tendem a insistir até o conseguirem, mesmo quando o bebé dá sinais de estar saciado. Esse padrão acaba por comprometer a capacidade de auto-regulação que todos os bebés têm à partida.

A amamentação é um processo em que o bebé tem mais poder, enquanto a alimentação através do biberão é mais dirigida pelo adulto o que pode levar mais facilmente a um consumo excessivo.

Bebés que foram sempre alimentados com biberão bebem mais leite entre os seis e os 12 meses
O estudo agora publicado envolveu 1250 bebés, nascidos no termo da gestação, e que pesavam mais de 2,300 kg à nascença. As mães responderam a um questionário mensal até os bebés completarem um ano de vida. Com um mês, 52 por cento dos bebés estavam a ser amamentados em regime de exclusividade e 41 por cento eram alimentados com leite de fórmula. Os restantes eram alimentados com leite materno ou outro tipo de leite no biberão.

Aos seis meses de idade, apenas 27 por cento dos bebés eram amamentados em exclusivo, enquanto 66 por cento bebiam leite de fórmula. Os investigadores perguntaram às mães se os bebés bebiam todo o leite do biberão, entre os seis e os 12 meses. As respostas foram conclusivas. Bebiam o biberão até ao fim:
- 27 por cento dos bebés amamentados em exclusivo nos primeiros meses

- 68 por cento dos bebés alimentados só com biberão nos primeiros meses

- 54 por cento dos que foram amamentados, mas também alimentados com biberão

Composição diferente no início e no final pode ajudar na auto-regulação
Para além de os bebés terem mais poder na amamentação, também o facto de a composição do leite materno se alterar ao longo da mamada e de uma refeição para outra pode contribuir para estes resultados. O leite com mais teor de gordura é o do final, o que pode dar um sinal ao bebé que já é suficiente.

Além disso, também pode ser relevante, afirmam os investigadores, o facto de durante a amamentação o bebé precisar de mamar durante algum tempo até o leite começar a fluir. Com o biberão esse tempo de sucção sem leite não existe.

Se der biberão, respeite os sinais do bebé
Este novo estudo é importante não só porque sublinha a importância da amamentação enquanto processo (e não só pela composição única do leite), mas também porque alerta os pais que alimentam os filhos com biberão para terem mais atenção aos sinais de saciedade do bebé. Não insistir quando o bebé revela estar saciado é a chave para preservar a sua capacidade de auto-regulação.

Revista IOL Mãe
2010/05/12

“O recurso à palmada”

Um em cada cinco pais daria uma palmada aos filhos, em determinadas situações. São números de um estudo realizado nos Estados Unidos, na Universidade de Michigan. Um inquérito de nível nacional, que envolveu 1500 pais, revelou quais os métodos que os americanos consideram mais adequados para disciplinar os filhos. A palmada continua a ser escolhida por um quinto dos pais.

Para 88 por cento dos inquiridos, o método de eleição é a explicação das razões de determinada regra. 70 por cento dos pais retiram privilégios aos filhos e 59 recorrem a castigos (não poderem sair do quarto, por exemplo).

Verificou-se que a palmada é mais frequente quando as crianças são mais novas – dos dois aos cinco anos – e também tem índices mais elevados em certas regiões do país (oeste e sul).

Os resultados do estudo foram publicados na edição de Maio do jornal Pediatrics.

Um estudo anterior, também publicado naquele jornal, estabeleceu uma relação entre a palmada e a agressividade nas crianças. As que são frequentemente castigadas dessa forma têm mais 50 por cento de probabilidades de se tornarem agressivas aos cinco anos.

Outro estudo estabeleceu relação entre os castigos físicos e um QI mais baixo do que a média das crianças que não sofrem esse tipo de tratamento.

Nunca bater
O pediatra Mário Cordeiro dá como conselho «nunca bater». Mas afirma que «dar uma palmada numa mão ou numa fralda pode não ser bater, se for a única maneira de estabelecer um limite (…) Nunca se deve magoar uma criança ou bater de modo a fazer doer. A palmada pode ser uma maneira de marcar um momento, mas apenas isso. Bater, seja com o que for, é errado e pode ser considerado um mau-trato».

Revista IOL Mãe
2010/04/28

Definitivamente sou contra a violência, física ou emocional, mais ainda numa criança e principalmente num filho meu! Penso que há outras formas eficazes e suaves de orientarmos as crianças (“educar” por vezes parece-me um termo que ganha uma certa carga pesada, eu diria até negativa!).

Agora, confesso que não vejo uma palmada num “rabiosque” protegido com airbag (diga-se fralda ;) ) como um método propriamente agressivo ou violento. Acho que acima de tudo tem que se perceber o motivo que nos levou a dar essa palmada e se de facto a criança irá entendê-la como uma forma de a avisar que fez algo que à partida não foi correcto.

Mas também aqui já entram outros factores, que têm a ver com os nossos valores enquanto pais e “orientadores”/”mentores”.

Gostava de saber a vossa opinião! ;)