Convite La Leche League

Convite
Para um encontro da La Leche League, moderado pela Cristina Pincho.

A quem se destina este convite?
Destina-se a todas as mulheres que estejam interessadas na amamentação, quer estejam grávidas, a amamentar ou simplesmente tenham o desejo de aprender mais.

Quando?
Quinta-feira, dia 11 de Fevereiro, pelas 11 horas.

Onde?
Rua António Feijó 4A, Alto dos Moinhos (Lisboa).

Apareça e se possível confirme a sua presença através dos seguintes contactos:
acpincho@gmail.com
966293836
934234664

“Mulheres devem poder comer e beber durante o parto”

Comer e beber durante o trabalho de parto deve ser permitido, segundo uma revisão de estudos publicada esta semana* no Cochrane Review.

Os investigadores analisaram cinco estudos, com 3130 mulheres, para concluir que não há qualquer benefício em restringir alimentos e bebidas durante o trabalho de parto nas grávidas de baixo risco.

A proibição de comer e beber tem por base uma investigação de 1940. Nesse trabalho, verificou-se existir um risco acrescido de os conteúdos do estômago entrarem nos pulmões durante uma anestesia geral, o que poderia levar a doença pulmonar grave ou mesmo morte.

Mas, desde 1940, a medicina evoluiu muito. A técnica anestésica foi bastante melhorada e as anestesias gerais em partos são muito raras. O risco de ter comida no estômago não se verifica na anestesia regional, como a epidural.

Os autores da revisão de estudos lembram ainda que a falta de nutrientes pode estar associada a partos mais longos e dolorosos e que o jejum não garante um estômago completamente vazio.

Assim, as recomendações são: «As mulheres devem poder comer e beber durante o parto, ou não, como elas quiserem».

Revista PAIS & Filhos
*21 Janeiro 2010

“Parteiras”

Que bom que é, ver crianças a falarem sobre parteiras, parto e amamentação de uma forma tão natural! Acho que vão gostar.  ;)

“A Magia dos Partos na Água”

Informação retirada do site GimnoGrávida:

(…) Já há uma história de mais de 30 anos de experiência em nascimentos dentro de água um pouco por todo o Mundo, com resultados bastante satisfatórios e que vêm deitar por terra algumas críticas de alguns profissionais de saúde sobre o nascimento dentro de água.

“A grande diferença entre o parto natural humanizado em terra e um parto natural humanizado dentro de água é mesmo apenas a inclusão do elemento água, como um recurso natural, não invasivo e seguro de relaxamento e de controlo da dor durante o trabalho de parto, assim como um meio suave e delicado para receber o bebé no momento do seu nascimento”, explica Isabel Ferreira, Enfermeira Especialista em Saúde Materna e Obstétrica da Gimnográvida.

Todas as mulheres com gravidez de termo (com mais de 37 semanas de gravidez), de baixo risco, ou seja, sem contra-indicações absolutas para um parto por via vaginal, que pretendem ter um parto natural sem recurso a medicamentos para redução da dor, têm os requisitos mínimos para se candidatarem a um parto dentro de água.

“O parto na água destina-se a todas as mulheres que reconhecem em si o poder relaxante da água e que pretendem ter um parto natural com total liberdade de movimentos“, explica Isabel Ferreira. (…)

Acabar com os mitos

Existem actualmente estudos científicos que confirmam a segurança e a eficácia do nascimento dentro de água“. Isabel Ferreira refere que uma das perguntas mais frequentes é se há algum perigo de afogamento para o bebé. A resposta tranquiliza as leitoras mais ansiosas: “O bebé tem o reflexo de mergulho, ou seja, enquanto a sua face não entra em contacto com o ar, ele não inicia a respiração e a sua laringe encontra-se fechada, impedindo a entrada de água nos seus pulmões. O oxigénio, enquanto o bebé está debaixo de água, é fornecido pelo sangue materno, através do cordão umbilical“. Se acontecerem situações emergentes dentro de água, pode ser necessário que a mulher saia para fora, embora não seja muito frequente.

A água não retira toda a sensação dolorosa do parto, mas apenas a reduz um pouco. “A mulher sente as contracções de forma intensa, mas é incentivada a não lutar contra elas e sim aceitá-las como algo natural e fisiológico, num processo intenso que lhe irá dar a energia para conseguir ter a força necessária para empurrar o seu bebé para o mundo exterior a si”, fundamenta Isabel Ferreira.

Como decorre o parto dentro de água

Para que se garanta a segurança dentro de água, deverão ser garantidas as condições de água a utilizar para encher a piscina, que deverá ser potável e com a temperatura mantida entre os 35ºC e os 37ºC. “A banheira deverá encher-se com água até ao peito da mãe, quando em posição de sentada. Para potenciar os efeitos da água, a mulher deverá ser incentivada a entrar na água assim que estiver com uma dilatação uterina de 4/5 cm. Antes disso, poderá beneficiar dos efeitos da água utilizando chuveiro com água fria ou quente”, explica a Enfermeira da Gimnográvida.

O parto deverá ser acompanhado por enfermeiras ou médicos especialistas em saúde materna e obstétrica, com o mesmo profissionalismo e conhecimento com que acompanham o parto natural humanizado em terra. “Sempre que se verificar a necessidade de intervenção específica que impeça o parto dentro de água (como por exemplo a necessidade emergente de aplicação de uma ventosa ou de uma cesariana), deverá ser solicitado à mulher que saia da água, informando-a dos motivos desta orientação clínica”, diz-nos Isabel Ferreira.

Ao entrar na água, as futuras mães exprimem um enorme sentimento de relaxamento físico e emocional, um maior sentimento de leveza e uma maior facilidade de movimentação, associando-se “uma significativa redução da dor e do desconforto durante todo o processo de nascimento do seu filho. O companheiro também pode entrar e ajudar em todo o processo”, adianta a enfermeira entrevistada pela Mãe Ideal.

O momento em que o bebé vem ao mundo é de uma magia intensa. “A cabeça e o corpo saem de dentro do corpo da mãe de uma forma suave e dentro de água, o recém-nascido flutua e abre e fecha os seus pequeninos olhos, explorando pela primeira vez o novo mundo. Impulsiona-se de seguida para a tona da água, em direcção à mãe, mostrando que nasce já com a capacidade de nadar na direcção de quem reconhece como sua cuidadora e protectora. A mãe acolhe-a suavemente nos seus braços, emocionada”, conclui Isabel Ferreira.

Benefícios dos partos dentro de água

- Aumento do relaxamento e uma significativa diminuição da dor materna. Há uma maior progressão do trabalho de parto;

- Aumento da oxigenação do feto durante o trabalho de parto: como a mãe está mais relaxada, a sua respiração é usualmente mais calma, profunda e eficaz, pelo que os gastos em oxigénio são menores e chegam em maior quantidade ao feto, promovendo o seu bem-estar;

- Aumento da elasticidade materna, o que diminui o risco de lacerações vaginais e perineais durante o parto;

- A liberdade de movimentos e posicionamento da mãe conduz usualmente a uma descida mais rápida e menos traumática do feto pelo canal de parto, pelo que usualmente a imersão em água durante o trabalho de parto está associada a uma menor necessidade de intervenções obstétricas, tais como a utilização de fórceps, ventosas ou o recurso à cesariana.

Fonte: Revista Mãe Ideal, Novembro 2008

Estudos científicos sobre a segurança de um parto dentro de água:

1. Labour and birth in water in England and Wales - ALDERDICE 1995
2. Immersion in water in pregnancy, labour and birth - CLUETT 1997
3. Immersion in water in pregnancy, labour and birth - CLUETT 2002
4. Perinatal mortality and morbidity among babies delivered in water: surveillance study and postal survey - GILBERT 1999
5. Water immersion during labor and/or birth: A review of the literature
6. The Effects of Whirpool Baths in Labour: A randomized, contolled trial - RUSH 1996
7. Does water birth increase the risk of neonatal infection? - THOENI 2005
8. Water contamination and the rate of infections for water births - THOENI 2001
9. Maternal and neonatal infections and obstetrical outcome in water birth. - ZANETTI 2006
10. Water birth: is the water an additional reservoir for group B streptococcus? - ZANETTI 2006
11. Water birth, more than a trendy alternative: a prospective, observational study. - ZANETTI 2006

“A dor boa”

(…) SEM MEDO DA DOR

A dor de parto, como todas as outras, é muito subjectiva, mas tem características que a distinguem de outras dores: não é patológica, ou seja, não significa que algo de errado se está a passar no corpo, tem intervalos que permitem recuperar as forças e esquece-se facilmente. A sua intensidade depende da preparação física e mental que se fez para o parto e das condições que o hospital oferece à mulher.

«A dor de parto tem uma forte componente psicológica. Costumo até dizer que 75 por cento da dor de parto está na cabeça», diz Rosália Marques, enfermeira especialista em enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica na maternidade do Hospital Garcia de Orta, em Almada. «Depende do que nos foi incutido durante a gravidez, da nossa cultura, das nossas vivências», explica, para depois dar um exemplo: «Já assisti a partos de adolescentes sem qualquer analgésico, em que elas pouco se queixaram das dores. Dizem-me, muitas vezes, que são iguais às da menstruação. Não têm ainda a cultura do bíblico “parirás com dor” enraizada».

Para combater a cultura do medo do parto, é preciso perceber qual a função da dor no nascimento. «A dor dá indicações à mulher para mexer-se de forma a encontrar posições menos dolorosas. Assim, a bacia da mãe adapta-se melhor ao bebé, dando-lhe espaço para encaixar, e isso facilita o trabalho de parto», explica a enfermeira. Por isso, é tão importante que a mulher possa mexer-se à vontade, o que nem sempre acontece nos hospitais portugueses. «As instituições têm de se adaptar à procura de cuidados. Mas ainda estamos no início», reconhece.

No Garcia de Orta dão-se agora os primeiros passos na humanização do parto. Nesta maternidade, as mulheres podem fazer um plano de parto, deambular, ouvir música, mas ainda é a epidural que está no topo dos métodos de alívio da dor. «As mulheres ainda têm muito receio da dor e pedem a epidural precocemente. Apesar de ter cada vez menos riscos, não deixa de ser uma intervenção», frisa a enfermeira-obstetra. (…)

ESCOLHA DEVE SER DA MÃE

Recentemente, Denis Walsh, conceituado parteiro britânico, incendiou a discussão sobre a utilização da epidural: «A dor de parto tem um propósito e é útil, tendo variados benefícios, tais como preparar a mãe para a responsabilidade de cuidar de um recém-nascido». Em declarações ao jornal The Observer, o parteiro condenou aquilo a que chama a «Cultura da Epidural» e evidenciou os benefícios da dor de parto, que diz ser parte de «um ritual de passagem» para a maternidade. «No Ocidente, nunca foi tão seguro ter um filho. Apesar disso, as mulheres têm mais medo do parto do que nunca», criticou. (…)

Muitas mães acusaram-no de não saber do que estava a falar, por ser homem e nunca poder sentir a dor de parto. Alguns profissionais de saúde consideraram o discurso um pouco exagerado. A enfermeira Rosália Marques lembra que ter um parto sem epidural pode aumentar a auto-estima da mulher. E sugere que talvez essa possa ser a explicação por detrás das declarações de Denis Walsh. «Depois de um parto natural, sente-se que uma etapa importante foi ultrapassada com sucesso. Essa sensação de “sou capaz” é bastante positiva e ajuda a mulher a superar pequenos problemas que possam surgir no imediato. Uma mãe com uma boa auto-estima poderá ter uma relação melhor com o filho», explica.

No entanto, a enfermeira defende que cada mulher deve poder escolher o que quer para o seu parto. «Não se pode culpabilizar uma mãe por não querer ter dor. A dor é subjectiva e prende-se com vários aspectos culturais

ALIVIAR A DOR SEM EPIDURAL

Liberdade de movimentos: ter liberdade de movimentos é a melhor forma de lidar com a dor. Andar, rodar as ancas, pôr-se de gatas, dançar suavemente com os braços pendurados ao pescoço de alguém, são alguns dos movimentos recomendados. Mas cada mulher encontrará as melhores posições para lidar com a sua própria dor. Desta forma, seguindo as indicações da dor, permite-se que o bebé tenha o máximo espaço possível para se mexer e sair. Pode também usar uma bola de partos durante a dilatação. Sentar-se direita sobre a bola, com as pernas abertas, estimula a pelve a alargar e a abrir. Quando as mulheres podem escolher a posição em que querem dar à luz, a maior parte fá-lo de cócoras, em pé ou sentada. As posições verticais, por contarem com a ajuda da gravidade, facilitam o trabalho de parto e a expulsão do bebé. Vários estudos têm demonstrado que se a mulher estiver em posição vertical na primeira fase do trabalho de parto tem menos dor, menos necessidade de analgesia epidural e a fase de dilatação será mais curta.

Apoio contínuo: ter ao lado o marido, a mãe ou uma amiga ajuda a lidar com a dor. O acompanhante pode fazer uma massagem nas zonas mais doridas, pode dançar (como é sugerido acima), fazer festas no cabelo ou no rosto, dar a mão, deixar a mulher apoiar-se em si. Ou seja, disponibilizar o seu corpo também. O contacto físico é um poderoso analgésico em qualquer situação, por isso, também no parto. Além disso, ter alguém importante ao lado favorece o estado emocional, dá segurança. Alguém que conheça bem a mulher e perceba as suas necessidades, lhe diga o que precisa ouvir (e saiba estar calado quando for necessário), ajudará, com certeza, ao alívio da dor. Uma revisão de estudos do Cochrane Institute (EUA) concluiu que as mulheres que contaram com apoio contínuo durante os seus partos tiveram menos necessidade de analgésicos e ficaram mais satisfeitas com a experiência.

Água: a utilização de água quente durante a dilatação induz a mulher ao relaxamento, reduz a ansiedade estimulando a produção de endorfinas, encurta o trabalho de parto e aumenta a sensação de controlo da dor e a satisfação. A mulher pode ter à sua disposição uma banheira cheia de água (a temperatura não deve ultrapassar os 37 graus) e ir saíndo e entrando conforme lhe for mais agradável. Esta hipótese é, no entanto, ainda muito rara nos hospitais portugueses. Algumas maternidades permitem um duche de água quente - que também pode ser bastante agradável - mas apenas numa fase muito inicial do trabalho de parto.

Ambiente: diminuir a intensidade das luzes, manter a porta fechada, desligar os telemóveis, ter no quarto o mínimo de pessoas possível, evitar conversas paralelas entre os profissionais de saúde. Quanto menos estímulos existirem no quarto, mais facilmente a mulher consegue relaxar e concentrar-se no trabalho de parto, o que contribui para o alívio da dor. Ouvir uma música suave ou escolhida pela mulher também pode ajudar a criar um ambiente calmo e relaxante.

Fontes: Iniciativa Parto Normal, um documento de consenso, da Associação Portuguesa de Enfermeiros Obstetras; Método para um Parto Suave, de Gowri Motha. (…)

Texto: Patrícia Lamúrias
Revista PAIS & Filhos
15 Janeiro 2010

Podem ler o artigo completo aqui.

“A febre da indução”

(…) Nascer com dia e hora marcada é, cada vez mais, uma prática comum em Portugal. «Banalizou-se muito a ideia do parto induzido», critica Diogo Ayres de Campos, director da Urgência de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital de São João (HSJ), no Porto. Particularmente, «as induções sem motivo clínico», que o responsável acredita serem frequentes a nível nacional.

Quantas partos induzidos ocorrem em Portugal, ninguém sabe. Luis Graça, presidente do Colégio de Ginecologia e Obstetrícia da Ordem dos Médicos (OM), afirma que este é um assunto «que não está minimamente estudado no nosso país» e que não existem estatísticas nacionais sobre indução do parto.

Há, no entanto, outros números que podem ajudar a compreender a dimensão do fenómeno. Joaquim Gonçalves, do serviço de Obstetrícia do Hospital Geral de Santo António, no Porto, compilou alguns dados internacionais: actualmente, 20 a 30 por cento dos partos resultam de uma indução, com destaque para os nascimentos ocorridos em unidades de saúde privadas.

A escalada dos valores é a tendência observada ao longo dos últimos anos. Entre 1990 e 2003, o número de partos provocados subiu 25 por cento. A indução por conveniência representa, actualmente, cinco por cento do total de partos. (…)

Como «áreas de controvérsia» elegeu a indução programada e a gravidez tardia, motivo frequente das induções registadas em todo o mundo. Temas polémicos, porque a indução do parto não é uma prática isenta de riscos. «Não podemos ocultar as consequências desta técnica», afirmou Joaquim Gonçalves. «É preciso criar uma consciência do risco

CONVENIÊNCIA E RISCOS
(…) «Uma das principais causas do aumento da taxa de cesarianas é a indução do parto em grávidas que ainda não têm o colo do útero maduro», explica Luis Graça. Uma prática que o médico reconhece ser «comum» em Portugal.

Diogo Ayres de Campos aponta outras consequências dos nascimentos induzidos com fármacos: contracções mais precoces, partos mais dolorosos e incómodos, necessidade de outras intervenções. No HSJ só se fazem induções com motivos clínicos. «Fica tudo registado», esclarece o responsável.

O controlo é feito, inclusive, de forma indirecta: «Verificamos sempre as razões das cesarianas e se houver alguma que tenha origem numa indução sem fundamento, questionamos o médico», explica Diogo Ayres de Campos. Esta postura fez com que, entre 2003 e 2004, o número de cesarianas registadas no serviço baixasse dez por cento.

A mesma filosofia orienta a equipa de Obstetrícia do Hospital Garcia de Orta, em Almada. Induções, só com justificação clínica. O hospital regista uma taxa de 16,7 por cento de partos induzidos.

Manuel Hermida, director de serviço, acrescenta que, para minimizar os riscos de cesariana, é preciso preparar o colo do útero antes da indução. Ou seja, «ir induzindo» com medicação e saber esperar. Uma situação muito diferente de «induzir para parir no mesmo dia», critica o responsável.

«Cinquenta por cento das grávidas a quem preparamos o colo do útero entram em trabalho de parto de forma espontânea nas 24 horas seguintes. Se o feto estiver bem, não forçamos.» (…)

GRAVIDEZ TARDIA
(…) Induzir o parto às 41 semanas é a prática dos hospitais em Portugal. «Nunca esperamos até às 42 semanas», confirma Paulo Moura, director da Maternidade Dr. Daniel de Matos, em Coimbra. «O risco de mortalidade fetal é um pouco maior», esclarece o médico.

Tão maior que justifique induções por rotina em gravidezes saudáveis? Paulo Moura afirma que a generalização da prática tem origem também em questões organizacionais: «Esperar até às 42 semanas implica uma maior vigilância da gravidez nesta fase. Mas nós não temos capacidade para fazer esse acompanhamento. Induzimos por rotina às 41 semanas porque é mais prático em termos de recursos humanos

«Perdeu-se a magia da espera»
A doula Sandra Oliveira não percebe porque é que não se aposta nesse acompanhamento personalizado, em vez de induzir, por rotina, todas as gravidezes que ultrapassam as 41 semanas de gestação.

«A OMS só fala em indução do parto sistemática depois das 42 semanas», recorda a doula. «As mulheres deveriam ter, pelo menos, a hipótese de poder esperar.» Sandra Oliveira critica as «pressões» a que as grávidas estão sujeitas hoje em dia: «Da parte dos médicos, dos familiares, sempre a questionarem se o bebé não deveria já ter nascido. Perdeu-se a magia da espera.»

A doula defende que a ansiedade dos últimos dias pode ser «salutar e divertida». Há pequenas coisas que se podem fazer para evitar uma intervenção desnecessária.

Revista PAIS & Filhos
7 Agosto 2007

Podem ler o artigo completo aqui. Apesar de já ser um artigo com alguns anos, penso que é bastante actual.

“Afinal, o que é isto mesmo?”

Uma gestação não é só feita de termos simples como feto, útero ou óvulo. Durante nove meses, somos bombardeados por termos e expressões que parecem saídos de um livro de ficção científica. Descubra alguns conceitos incomuns ligados à gravidez e respectiva vigilância. (…)

Amniocentese - Exame que tem por objectivo recolher uma amostra de líquido amniótico, a fim de o analisar. Na maioria das vezes, é realizado para estudar os cromossomas (cariótipo) do feto e detectar eventuais anomalias, tais como as trissomias. É efectuado a partir da 14ª semana, sob controlo ecográfico, e consiste numa punção que vai da pele da barriga à cavidade uterina. Aconselha-se a que a mulher repouse bastante nos dois dias seguintes, para prevenir complicações. As mais frequentes são pequenas contracções e, numa esmagadora minoria de casos (0,5 a um por cento) aborto por fissuração das membranas. A amniocentese é aconselhada a grávidas com 35 anos ou mais, bem como se forem detectadas anomalias na ecografia e/ou se os resultados dos exames sanguíneos deixarem antever anomalias. É também proposta no caso de antecedentes de anomalias genéticas ou cromossómicas dos pais ou na existência de um primeiro filho trissómico. (…)

Citomegalovírus (CMV) - É um vírus que pertence à família do herpes e dá origem a uma infecção latente que, na maior parte das vezes não apresenta sintomas, mas que pode ter consequências graves para a saúde do feto. Há que prevenir o risco de transmissão - que acontece por secreções e especialmente através de crianças de tenra idade. Alguns médicos prescrevem uma análise de sangue para conhecer o estatuto imunitário da futura mãe e o controlo baseia-se na despistagem ecográfica. No caso de sinal sugestivo de infecção, é proposta a interrupção da gravidez. As boas notícias é que as anomalias devidas ao CMV são muito raras e mais de 95 por cento dos bebés de mães infectadas nascem perfeitamente saudáveis.

Contracções de Braxton Hicks - Contracções curtas e indolores do útero que ocorrem ao longo da gravidez e não afectam o colo do útero. Aparecem a partir do 7º mês e devem-se à distensão do útero, ou seja da formação, na parte inferior, duma zona mais delgada chamada segmento inferior. Caracterizam-se por um endurecimento breve, indolor e irregular da parede uterina e podem ocorrer mais de dez vezes por dia, quase como se o útero estivesse a «treinar» as contracções do parto - estas mais prolongadas, intensas e dolorosas. Nem todas as mulheres as sentem, mas podem aparecer quando estão a fazer algum tipo de actividade física, mesmo com pouco esforço. Os sinais de alarme aparecem quando as Braxton Hicks são acompanhadas de dor na parte inferior das costas; regularidade e diminuição do intervalo entre contracções; e perda de líquidos.

Descolamento da placenta - Ocorre quando a placenta se separa da parede do útero durante a gravidez ou no parto, numa desunião que pode ir de escassos milímetros até quase à totalidade. Esta situação acontece em pouquíssimas gravidezes (cerca de um por cento) e é mais frequente durante o último trimestre. Embora apenas seja possível determinar uma causa directa do problema em alguns casos, como por exemplo um traumatismo abdominal ou a existência de um cordão umbilical demasiado curto que exerça tracção sobre a placenta, constatou-se que o problema é mais comum nas mulheres com outros filhos, nas com mais de 40 anos, nas fumadoras e nas afectadas por hipertensão, diabetes ou doenças renais crónicas. A principal consequência do descolamento da placenta são as hemorragias - acompanhadas por dores abdominais - que, por vezes não ilustram a gravidade da situação, dado que muito do sangue proveniente da ruptura dos vasos pode ficar retido. Este problema pode ser muito perigoso para a mãe (devido à perda de sangue) e para o feto, já que o descolamento reduz a área de troca sanguínea, através da qual ele recebe oxigénio e nutrientes. É recomendado o repouso absoluto às grávidas com um descolamento pequeno e parcial da placenta, para que a situação não se agrave e a gestação possa prosseguir até quando for possível. (…)

Pré-eclampsia - Esta complicação da gravidez associa a hipertensão arterial, a albuminúria e a retenção de água nos tecidos, provocando um excessivo aumento de peso. De origens ainda não totalmente conhecidas, acontece em cerca de cinco por cento das gestações e afecta mais as mulheres grávidas pela primeira vez, diabéticas, obesas e com menos de 18 anos ou mais de 40. Pode ser responsável pelo atraso no crescimento do feto e morte no útero. Na mãe existe a hipótese de agravamento da tensão arterial susceptível de causar efeitos nos rins, fígado e cérebro. A pré-eclampsia exige vigilância rigorosa e pode ser necessária a hospitalização. O tratamento consiste em fazer baixar a tensão, através de repouso ou terapia medicamentosa. Se não for tratada, a pré-eclampsia pode degenerar na eclampsia: convulsões repetidas associadas a um coma que pode ser fatal para a mãe e para o bebé. Depois do parto, é tempo de respirar fundo: tudo volta ao normal espontaneamente e não existem riscos acrescidos de nova pré-eclampsia numa gestação seguinte.

Rastreio pré-natal - Avalia, em conjunto, os resultados de duas análises bioquímicas ao sangue materno - uma realizada entre as 10 e as 13 semanas e outra entre as 15 e as 16 semanas -, os dados da ecografia das 11 semanas (principalmente a medição da translucência da nuca) e a idade materna. Assim, é possível calcular o risco de ter um bebé afectado por trissomias ou defeitos do tubo neural, tais como a espinha bífida. O risco é revelado por volta das 16 semanas e se for igual ou superior a 1/250 considera-se o resultado positivo. Isto significa que uma em cada 250 grávidas com iguais valores tem um bebé com trissomia 21. Nestes casos, a mulher é aconselhada a fazer uma amniocentese: em cerca de cinco por cento os resultados são negativos, o que significa que o rastreio pré-natal foi um ‘falso positivo’. (…)

Texto: Elsa Páscoa
Revista PAIS & Filhos
29 Dezembro 2009

Podem ler o artigo completo aqui.

“Baby Blues”

Aqui fica uma reportagem da SIC em que é abordado o tema da tristeza materna depois do nascimento. O baby blues é normal, mas é importante a recente mamã ser acompanhada e apoiada durante as primeiras semanas depois do parto, pois a tristeza poderá evoluir para uma depressão pós-parto. A amamentação poderá ajudar a superar melhor esta fase que afecta 80% das mulheres.

Gisele Bundchen fala sobre o Seu Parto

Neste vídeo podemos ver uma entrevista com a modelo brasileira Gisele Bundchen, em que ela fala do seu parto domiciliar na água e faz ainda referência ao facto de estar a amamentar em exclusivo. Que mamã tão serena!

“Número de adopções aumentou para o dobro”

Em 2009, foram adoptadas 718 crianças em Portugal, quase o dobro de 2008, ano em que foram adoptados 408 menores, revela o Diário de Notícias.

Estes números devem-se sobretudo às alterações na lei em vigor desde 2006. Entre elas, a criação de listas nacionais com os candidatos a pais e a filhos, cujo cruzamento de dados facilita a circulação da informação.

«O aumento é consistente de ano para ano. Os processos de adopção têm vindo a melhorar, quer do lado da segurança social, quer do lado dos tribunais e das instituições», explicou Edmundo Martinho, presidente do Instituto de Segurança Social, ao Diário de Notícias.

Os dados da segurança social a que o jornal teve acesso não revelam as idades das crianças adoptadas, mas os técnicos sublinham que são as mais novas. Os mais velhos, com problemas de saúde e não caucasianos dificilmente encontram pais adoptivos e são um quinto das crianças que esperam adopção.

Revista PAIS & Filhos
20 Janeiro 2010