“A Importância da Placenta”

(…) A placenta é um órgão transitório que se forma com o embrião e cuja localização correcta e normal funcionamento são essenciais para um bom desenvolvimento da gravidez, do parto e do pós-parto imediato.

(…) A placenta funciona como um filtro entre o sangue materno e o sangue fetal, possuindo circulação materna de um dos lados e circulação fetal do outro, separadas por uma barreira membranosa. Quando o sangue fetal atravessa o cordão umbilical e percorre a placenta, recebe nutrientes e oxigénio do sangue materno e liberta dióxido de carbono e produtos de degradação fetal (ureia, creatinina, ácido úrico) para a circulação materna, regressando ao feto para novamente o alimentar, oxigenar e purificar.

Algumas substâncias, como os lípidos, não chegam sequer ao feto, uma vez que o fígado deste não tem capacidade metabólica durante a maior parte da gravidez. Os lípidos são, então, armazenados na placenta até às últimas 10 semanas da gestação, altura em que o fígado fetal começa a funcionar, sendo, a partir daí, lentamente libertados para a circulação fetal.

Três em um
É por estas e por outras razões que se considera a placenta um órgão extremamente complexo, pois desempenha para o feto múltiplas funções, que no adulto implicam a existência de pulmões, rins e fígado (e é a isto que se pode chamar 3 em 1!).

Este filtro, apesar de permeável à maioria das substâncias, tem alguma capacidade selectiva, não permitindo a passagem de insulina, heparina e dióxido de carbono, substâncias nocivas para o feto.

Também para algumas infecções como a toxoplasmose, a infecção a citomegalovírus e mesmo a provocada pelo HIV, a placenta exibe notáveis funções protectoras, reduzindo, de forma significativa a transmissão vertical (a que acontece entre mãe e filho). Infelizmente, o álcool e as drogas passam da circulação materna para a fetal. O tabaco também afecta o desenvolvimento fetal, não só por comprometer a normal oxigenação fetal, como por aumentar a incidência de abortos do segundo trimestre e de descolamento prematuro da placenta (ver à frente), entre outras complicações graves da gravidez. Os medicamentos também atravessam a barreira placentar, daí a razão pela qual muitos estão contra-indicados. (…)

Placenta prévia
Quando a placenta se insere na porção inferior do útero, cobrindo parcial ou completamente o orifício interno do colo uterino (porta de saída da cavidade uterina), diz-se estar na presença de placenta prévia. No entanto, se lhe disserem que a sua placenta é prévia na ecografia do 2º trimestre (entre as 20 e as 22 semanas de gravidez), isso não significa que tal se verifique no final da gravidez. Com efeito, das cerca de 40% das placentas consideradas prévias nessa idade gestacional, apenas 1 a 4% serão prévias no termo da gravidez. O diagnóstico de placenta prévia é feito através de ecografia com sonda endovaginal (colocada na vagina, permitindo observar o orifício interno do colo uterino). Esta situação acontece uma vez em cada 200 gravidezes. Pode manifestar-se clinicamente por hemorragia vaginal, estando associada a parto pré-termo e implica intervenção obstétrica, com recurso a cesariana.

Placenta acreta
Se a placenta se insere na cavidade uterina, mas se desenvolve em profundidade, atingindo as camadas musculares da parede uterina, adquire a designação de acreta. Se a penetração do tecido placentar na parede uterina for profunda, pode impossibilitar a dequitadura (saída da placenta) após o parto, provocando hemorragia incontrolável da mãe.

Nestas circunstâncias, é muitas vezes necessário proceder a uma histerectomia (remoção cirúrgica do útero) para controlo hemorrágico materno. No entanto, existem alternativas terapêuticas que podem ser usadas nalguns casos seleccionados.

Descolamento de placenta ou abruptio placenta
É uma situação grave que ocorre quando a placenta se separa da parede uterina, antes ou durante o trabalho de parto. Esta situação ocorre apenas em 1% das gravidezes e é mais frequente nas últimas 12 semanas da gestação. Está associada a consumo de cocaína, tabagismo, pré-eclâmpsia (subida da tensão arterial acompanhada de inchaço por retenção de fluidos e mau funcionamento renal), traumatismos significativos e também placenta prévia. No entanto, na maioria das vezes, surge em grávidas sem factores de risco aparentes. Clinicamente, pode manifestar-se por hemorragia vaginal e/ou dor abdominal, não necessariamente relacionada com as contracções uterinas. (…)

Texto: Patrícia Serafim
Revista PAIS & Filhos
14 Março 2007

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