“A obesidade cresce do pré-escolar para o 1º ciclo”
“Os rapazes portugueses entre os seis e os 10 anos têm maior prevalência de excesso de peso (32,9 por cento) do que as raparigas (31,0 por cento). Esta preponderância é ainda mais acentuada nos Açores, zona do país que regista níveis mais elevados de pré-obesidade.
Estes são resultados nacionais do estudo COSI (Childhood Obesity Surveillance Initiative), da Organização Mundial da Saúde, realizado pelos nutricionistas João Breda e Ana Rito, apresentado ontem*, Dia Mundial da Alimentação. A coordenação do «Childhood Obesity Surveillance Initiative», o primeiro sistema europeu de vigilância nutricional infantil, está a ser feita por Portugal. Foram avaliadas 3847 crianças do 1º Ciclo do ensino básico de 185 escolas.
O sistema de vigilância tem como principal objectivo criar uma rede de informação sistemática a cada dois anos, comparável entre os países da Europa, sobre as características do estado nutricional infantil de crianças dos 6 aos 10 anos.
Elas são mais afectadas no pré-escolar
Também foi hoje* apresentado o «Estudo de Prevalência da Obesidade Infantil e dos Adolescentes em Portugal Continental» realizado pela Plataforma contra a Obesidade, da Direcção-Geral da Saúde. Este estudo compara a prevalência de excesso de peso não só entre rapazes e raparigas, mas também entre crianças de idade pré-escolar e adolescentes. E revela que, entre os dois e os cinco anos, em Portugal continental, a prevalência de excesso de peso é maior entre as raparigas: 30,5 por cento para elas, 26,4 por cento para os rapazes.
Já na faixa etária entre os 11 e 15 anos de idade, os valores são similares: os rapazes têm uma prevalência de excesso de peso de 27,6 por cento e as raparigas 27,5 por cento.
O estudo foi realizado com base numa amostra de 4772 participantes – 2551 crianças entre os dois e os cinco anos e 2521 adolescentes entre os 11 e os 15 anos – e pretende avaliar as condições de peso da população infantil e adolescente em Portugal continental.
No 1º Ciclo, 32 por cento das crianças tem peso excessivo
Ao comparar estes resultados com aqueles que foram obtidos no COSI, dirigido às crianças entre os seis e os dez anos, pode falar-se numa tendência crescente de excesso de peso.
Em declarações à Lusa, Ana Rito, declarou: «Podemos concluir que a obesidade é crescente do pré-escolar para o primeiro ciclo, ou seja, temos crianças no pré-escolar com uma prevalência de excesso de peso na ordem dos 29 por cento. No primeiro ciclo as crianças apresentam uma prevalência de excesso de peso na ordem dos 30 por cento».
Para a investigadora, a falta de acompanhamento da família é uma das principais justificações para este estado de coisas. «Durante o primeiro ano de idade, a família é bastante atenta às questões da alimentação. Depois, aos três anos, de alguma forma esquece o cuidado que teve no primeiro ano, a sopa de legumes, a papa de frutas, e integra a criança numa alimentação às vezes bastante energética para as suas necessidades», acrescentou.
Crianças pequenas são mais gordas no Norte do país
O estudo revela ainda que, por regiões, no Continente é o Norte que regista valores mais elevados de prevalência de excesso de peso, com os rapazes entre os dois e os cinco anos a apresentarem valores de 32,2 por cento e as raparigas de 34,1 por cento.
Quanto aos adolescentes, os rapazes do Algarve são os que apresentam uma maior prevalência, com um resultado de 33 por cento. Quanto às raparigas desta faixa etária, as do Algarve e do Centro apresentam valores muito similares, com registos de 30,1 por cento e 30,3 por cento, respectivamente.
João Breda, apontou a inactividade física e a perda de hábitos alimentares tradicionais – assentes na sopa, nos alimentos hortofrutícolas, no peixe e nos cereais completos – como os principais responsáveis pela tendência que se regista entre os mais novos para a obesidade.
No entanto, e tendo em conta que as crianças visadas se encontram em idade escolar, João Breda sublinhou que «a educação alimentar é cada vez melhor nas escolas portuguesas», destacando iniciativas como a distribuição gratuita de frutas, ao abrigo do programa «Fruta Escolar».“
Revista IOL Mãe
*2009/10/17
Filed under: Saúde on Janeiro 8th, 2010





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