“As avós não têm sempre razão!”

O teu leite deve ser fraco, o bebé não pára de chorar
Está provado que leite materno fraco é uma coisa que não existe. O leite da mãe é o mais adequado para o crescimento do bebé e vai-se adaptando às suas necessidades. Até quando o bebé está doente, o leite muda a sua constituição para ajudar na recuperação. Todas as mães podem amamentar, salvo muito raras excepções, e o seu leite é, sem dúvida, o melhor para o seu bebé.

O que acontece é que a geração das avós actuais é a geração das mulheres que não deram de mamar. A sua experiência de amamentação é muito reduzida ou mesmo nula. Elas alimentaram os seus filhos com leite em pó. Assim sendo, têm a ideia de que essa é a melhor maneira de alimentar um bebé.

Está provado cientificamente que o leite materno deve constituir a alimentação exclusiva do bebé até aos seis meses. Esse é o melhor alimento que as mães podem oferecer-lhe. Quanto ao choro, se for provocado por fome ou sede, passará depois de mamar. Também pode ser sinal de cólicas, de tensão, de fralda suja, de necessidade de contacto. Mas nunca de leite fraco.

Há bebés que mamam com muita frequência. Isso não quer dizer que o leite não seja bom. É esse o seu ritmo, simplesmente.

Também o facto de o aumento de peso estar abaixo da média não quer dizer que a culpa seja do leite da mãe. Provavelmente a criança tem estatura pequena e será sempre assim.

O menino comeu pouco, insiste mais um bocadinho
Não é preciso insistir para que as crianças comam. Elas devem usar o seu mecanismo de regulação de apetite para decidir quando é suficiente aquilo que comeram. Se os adultos começam a insistir para que comam mais, o momento das refeições pode tornar-se um momento de tensão. As crianças percebem que essa é uma questão em que podem exercer o seu poder. E fazem-no. Ou seja, a alimentação deixa de ser um prazer e uma descoberta para ser uma oportunidade de medir forças.

Além disso, o facto de a criança acabar por comer mais do que realmente precisava, como acontece tantas vezes, ao conseguir-se que abra a boca mais duas ou três vezes depois de ter mostrado sinais de estar saciada, não prova que realmente ainda tinha fome. Cabe sempre mais um pouco, mas ir distendendo o estômago mais do que o necessário altera o mecanismo de regulação da saciedade e progressivamente vai sendo preciso mais comida para que a criança se sinta satisfeita. O que não quer dizer que o seu organismo precisasse efectivamente desse extra. Esta é uma situação que contribui para o desenvolvimento de excesso de peso e obesidade.

Por isso, não insista e não deixe que a avó o faça. Explique que um bebé sabe muito bem o que precisa e que nenhuma criança com uma casa cheia de comida ficou algum dia subnutrida. (…)

Não faz mal dar um bocadinho de chocolate ao bebé, coitadinho!
Errado! Se é certo que os avós se dão ao luxo de ser mais permissivos do que os pais no que à alimentação dos netos diz respeito, também é verdade que devem respeitar algumas regras básicas. Uma delas é respeitar o plano de introdução dos alimentos sólidos, até porque abrir excepções, nestes casos, não significa mimar. O bebé não sabe o que é chocolate e não tem vantagem nenhuma em ficar a sabê-lo antes de completar um ano de vida. Pelo contrário, pode ter algumas complicações.

Devido ao elevado teor de gordura, o chocolate é de difícil digestão e provoca dores de barriga e distúrbios intestinais. Além disso, pode provocar alergia.

Mesmo depois de completar um ano, os bebés só muito raramente e em quantidades reduzidas devem ter contacto com o doce sabor do chocolate.

Texto: Ana Esteves
Revista IOL Mãe
2009/09/15

Podem ler o artigo completo aqui.

2 Responses to ““As avós não têm sempre razão!””

  1. E mais e mais mitos derrubados…. um a um parece um baralho de cartas.

  2. Olá gatinharabujente! :)

    É verdade, os mitos têm mesmo de ser “derrubados”, para que os nossos bebés não fiquem prejudicados. ;)

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