“As vantagens da amamentação”

O leite materno contém todas as proteínas, açúcar, gordura, vitaminas e água que o seu bebé necessita para ser saudável. Contém também determinados elementos que o leite artificial, em pó, não consegue incorporar, como os anticorpos e os glóbulos brancos. É um alimento vivo, irreproduzível. Aí reside a sua principal vantagem: protege o bebé, praticamente como uma vacina, de certas doenças e infecções. Por outro lado, é mais facilmente digerido.

Mas a lista de vantagens não termina aqui: os bebés amamentados sofrem menos cólicas e apresentam menores probabilidades de ter gastroenterites, infecções respiratórias e alergias. O colostro – nome que se dá ao leite nos primeiros dias de vida – é extremamente rico em elementos anti-infecciosos, o que tem particular importância para o bebé que está, sobretudo nos primeiros tempos de vida, imunologicamente «virgem», logo mais vulnerável à acção das bactérias e outros micróbios.

Claro que isto não quer dizer que um bebé alimentado a biberão (sobretudo se a preparação for bem efectuada, com higiene) esteja condenado a infectar-se constantemente. Simplesmente não usufrui dos mesmos benefícios imunológicos.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que os bebés sejam amamentados em exclusivo até aos seis meses e depois, pelo menos até aos 2 anos, como complemento. Se essa é a sua opção, resista às dificuldades e não deixe de cumprir o sonho de amamentar o seu bebé. Informe-se, esclareça dúvidas, e não esqueça: dar de mamar é um projecto a dois.

Dúvidas frequentes
O meu leite é suficiente? Na maior parte dos casos, sim. No entanto, para que a mãe não sinta que está a produzir pouco leite, é fundamental começar a dar de mamar o mais cedo possível, de preferência na sala de partos. Quanto mais der de mamar, mais leite vai ter.

E se o meu leite for fraco? Não existe leite fraco!

Quando dar de mamar? Normalmente, o intervalo entre cada mamada é de 3 ou 4 horas. Contudo, o ideal é o bebé poder mamar quando quiser. Não há dois bebés iguais, por isso não se admire se o seu tiver um padrão alimentar completamente diferente do bebé da sua prima. Certifique-se apenas que lhe deu de mamar pelo menos oito vezes em cada 24 horas.

As mamadas devem durar quanto tempo? Não deve haver tempos definidos. Importante é que, uma vez que a composição do leite se vai alterando ao longo da mamada, o bebé consiga esvaziar pelo menos uma mama em cada refeição. O leite do início da mamada é mais aguado e contém a maior parte das proteínas e dos açúcares. O leite do fim é mais rico em calorias, gorduras e vitaminas lipossolúveis. O bebé é que sabe quando fica satisfeito e para isso é importante que tenha ingerido leite suficiente do final da mamada.

E a mamada seguinte? Deve começar por oferecer ao bebé a mama que ficou mais cheia, ou seja aquela que antes ofereceu em segundo lugar e na qual o bebé mamou menos tempo.

Dar de mamar sem stress
Desligue os telefones e não abra a porta. Pode dar de mamar sentada, numa cadeira de braços confortável, ou então deitada na cama. Se gosta de música, ponha um disco e, a partir daí, pense só em si e no bebé.

Dar de mamar pode deixar de ser um prazer se provocar dores e sofrimento, o que acontece se aparecerem gretas, um encaroçamento ou mesmo uma mastite. Por isso, é necessário conseguir que o peito se mantenha em condições. O mais importante é estar atenta à forma como o bebé «pega» na mama, pois disso depende todo o sucesso da amamentação:
Segure no peito com o polegar por cima e os restantes dedos por baixo. Toque com o mamilo no lábio superior do bebé. Quando a boca do bebé estiver bem aberta, coloque todo o mamilo (incluindo a aréola) dentro da boca (deve ficar a ver-se mais aréola acima do lábio superior do que em baixo). Se o mamilo estiver a doer-lhe, repita todo o processo, para que o bebé pegue bem na mama. Para fazer o bebé largar o peito não puxe bruscamente: coloque um dedo entre a boca do bebé e o mamilo.

Se o peito começar a gretar, faça uma pequena massagem antes da mamada e corrija a posição do bebé ao mamar. Depois, espalhe um pouco do seu leite no mamilo e deixe secar ao ar.

O encaroçamento do peito é outra das situações que podem surgir. Acontece quando o leite produzido não é todo consumido, acabando por ficar retido nos canais e formar pequenos caroços. Por vezes, antes de o bebé mamar, é necessário retirar um pouco de leite para que a mama fique mais macia.

Mais raras são as mastites: a mama inflama em consequência de uma infecção bacteriana de um mamilo gretado, provocando um abcesso que por sua vez dá dores, rigidez do peito, febre alta e arrepios. Vá ao seu médico e não desanime: há antibióticos compatíveis com a amamentação. Excepto se o médico disser o contrário, não deixe de dar de mamar, porque o facto de o leite ser retirado pelo bebé, vai proporcionar-lhe um certo alívio.

Em caso de dúvidas, contacte: www.sosamamentacao.org.pt, www.lalecheleague.org/portugal.html, Espaço Amamentação da Maternidade Alfredo da Costa (213184030) ou www.leitematerno.org.

Revista IOL Mãe
2007/03/14

5 Responses to ““As vantagens da amamentação””

  1. Devia encaminhar este tópico ao meu pediatra..talvez aprendesse alguma coisa…

  2. Olá Bloggermaluka! :)

    Pois, é uma pena que muitos pediatras não entendam o verdadeiro valor da amamentação, independentemente da idade da criança. E é muito triste quando leio testemunhos de mães que não se sentiram apoiadas e acabaram por desistir. :(
    A verdade é que penso que muitos pediatras não acompanham e esclarecem devidamente as mães que amamentam as suas crianças.

  3. Exactamente Rituais Maternos, no meu caso quase parecia que o pediatra tinha um contrato com a Nestle.

  4. Lol @ Mareilas :D

  5. Olá Mareilas! :)

    Ui, isso é tão mau! Os pediatras deveriam ser incentivadores e apoiantes da amamentação e não do leite artificial. É uma pena realmente. :(
    O leite artificial existe para quando não é possível dar leite materno. Claro que existem mães que não querem amamentar e eu respeito; a mulher deve escolher a amamentação livremente e não obrigada. Mas tenho de confessar que fico triste pelos bebés que não tiveram a oportunidade de mamarem.

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