“Casas de parto à espera para nascer em Portugal”
“Fundador da Associação Portuguesa de Enfermeiros Obstetras (APEO), Vítor Varela, que esteve em Novembro em Berlim – “onde existem cerca de oito casas de parto, todas ao pé de maternidades, para que, em caso de necessidade, a grávida seja deslocada de um local para o outro sem recurso a ambulâncias e sem que uma situação mais complicada chegue ao extremo” – lamenta que a realidade nacional seja “tão diferente”.
“Em Portugal não existem casas de parto e a lei diz que o nascimento deve ocorrer em ambiente hospitalar“, declarou à agência Lusa, revelando que, todavia, “várias parteiras espanholas e algumas holandesas” já o sondaram sobre o assunto, tendo as espanholas perguntado mesmo “qual a viabilidade de montar uma no país”.
Actualmente a trabalhar no Hospital de São Bernardo, em Setúbal, Vítor Varela – que até 2005 assegurou a presidência da APEO e representa os países do Sul da Europa na Confederação Internacional de Parteiras – afirmou que, em Portugal, “a formação dos enfermeiros obstetras não é devidamente aproveitada”.
“Aqui vivemos o modelo médico, em que não é reconhecida a qualificação e a responsabilidade dos enfermeiros obstetras, ou parteiros, apesar de estes serem abrangidos por uma directiva comunitária“. (…)
“Se uma mulher quiser ter um filho em casa, pode escolher uma parteira ou parteiro da sua confiança, mas este não tem protecção legal caso algo corra mal, pelo que muitos recusam fazê-lo independentemente de terem competência para isso”, afirmou o ex-dirigente da APEO, acrescentando que “aqui mesmo ao lado, em Espanha, existe a associação Nascer em Casa, que tem uma a duas parteiras em todas as capitais de província“.
Em contraste, “em Portugal, deixou de haver o verdadeiro cuidado pré-natal, aquele que mantém a futura mãe informada”, criticou o enfermeiro, exemplificando que, “enquanto em Berlim as grávidas são analisadas caso a caso, no nosso país ainda há centros de saúde sem enfermeiras especializadas em saúde materna“. (…)
“O grande inimigo do parto natural é o relógio, pois aqui não há buscopan para amolecer o colo do útero, nem há oxitocina para acelerar as contracções, pelo que o nascimento demora o tempo que demorar”, explicou Elisa Santos à agência Lusa, assinalando que um parto natural se inicia por si próprio, sem indução, e decorre ao ritmo de cada mulher.
Para esta parteira “o parto natural é mais instintivo, mas é aconselhável a grávida ter um plano de parto – elaborado com o companheiro, a parteira ou a doula [mulher que apoia a grávida durante a gestação e o nascimento do bebé] – em que diga que posição prefere para dar à luz ou como deseja contrariar a dor”.
Mestre em Bioética, com a tese “A dor e o sofrimento no trabalho de parto” defendida em 2005 na Universidade Católica de Braga, Elisa Santos, de 43 anos, assegura nunca ter ajudado nenhuma mulher a dar à luz em casa, mas esclarece que “não é por ser no hospital que um parto fica isento de riscos“.
“No domicílio, o maior problema é a capacidade de reacção em caso de distocia, quando o bebé fica entalado pelos ombros no momento da expulsão, ou de hemorragia uterina pós-parto. No entanto, no hospital há um risco acrescido de infecções”, referiu a enfermeira, que possui formação específica sobre os partos naturais e para quem “o ambiente do lar faz muita diferença a nível psicológico“. (…)
Ainda a propósito dos partos naturais, a enfermeira de saúde materna contou à Lusa guardar o sonho de abrir uma casa de parto em Portugal, em princípio no Porto e talvez até perto do Hospital de São João.
“Eu e umas colegas já pensamos nisso há algum tempo. Teríamos de estabelecer um protocolo com uma instituição hospitalar e, eventualmente, com os bombeiros, para organizar o transporte em casos de emergência”, revelou, garantindo que “já há espaço, material e recursos humanos mas, como não há legislação, por enquanto fica apenas o desejo“.
Jorge Branco, presidente da Comissão Nacional de Saúde Materna e Neonatal, declarou à agência Lusa que, “de momento, não existe legislação que permita” a criação de casas de parto no país, “nem a rede hospitalar portuguesa o prevê“.“
Texto: Helena de Sousa Freitas
Lusa/ Açoriano Oriental
2008-01-31
Podem ler o artigo completo aqui, é muito informativo.
Será que passados quase 2 anos já existe legislação para a criação de casas de parto no nosso país?
Filed under: Casas de Parto on Outubro 22nd, 2009





Isso era um sonho!!!!!!!!!! Pq infelizmente mesmo com plano de parto em mãos não temos a devida humanização e ainda somos motivo de gozo e caras feias por querermos ter nosso momento respeitado.
Nanashara,
Se era um sonho! Não é pedir muito, pois não?
Como eu também gostaria que já existissem casas de parto em Portugal, aliás bastaria uma! Poderia ser a 500 Km de onde eu vivo, que iria para lá na mesma!
Pois, de facto, já tenho lido vários testemunhos de parto em que casais apresentaram o plano de parto e mesmo assim não foram respeitados. Infelizmente ainda há um longo caminho a ser percorrido, no que respeita à humanização do parto, em Portugal.
Quando abrir a 1º casa de partos em Portugal tenho a certeza que vai ficar logo com lotação esgotada e a seguir haverá muitas mais casas por todo o país porque hoje em dia as mulheres estão mais informadas e querem ter um parto em paz sem intervenções desnecessárias. O nascimento do ser humano deve ser respeitado. Vai chegar o dia em que todas as mulheres do mundo vão dizer NAO ao parto artificial! as mulheres têm capacidade de parir não são deficientes. Queria que todas as mulheres tivessem uma voz mais activa em relação ao seus partos, que tivessem uma oportunidade de parir naturalmente. O que vai ser da humanidade se todos os nascimentos forem artificiais? que viva o poder femenino!
Olá Paula!
Bem-vinda ao blog RM!
Realmente acho que ao ser criada a 1ª casa de partos em Portugal, muitas outras se seguirão. O que custa é começar!
Sim, já existem muitas mulheres informadas e empoderadas no nosso país e ainda bem. Mas a grande maioria ainda vê o parto como algo aterrador e é muito importante que essas mulheres sejam apoiadas e acompanhadas por profissionais que respeitam o processo de parto, tanto na sua componente fisiológica como na componente emocional e espiritual.
As casas de parto seriam o equilíbrio entre os hospitais e o parto domiciliar, mas para isso é importante que haja uma mudança de mentalidade e na formação dos profissionais de saúde.