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	<title>Rituais Maternos &#187; Episiotomia</title>
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		<title>&#8220;Episiotomia &#8211; Uso generalizado versus selectivo&#8221;</title>
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		<pubDate>Tue, 05 Jan 2010 17:40:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rituais Maternos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Episiotomia]]></category>

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		<description><![CDATA[Esta é a conclusão de um artigo de revisão da Acta Médica Portuguesa de 2003, cujo título é Episiotomia &#8211; Uso generalizado  versus selectivo: &#8220; (&#8230;) O uso profiláctico/rotineiro da episiotomia continua a ser praticado frequentemente apesar da ausência de evidência científica que suporte o seu benefício. Pelo contrário, existe mesmo uma evidência clara de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Esta é a conclusão de um artigo de revisão da Acta Médica Portuguesa de 2003, cujo título é <strong>Episiotomia &#8211; Uso generalizado  <em>versus</em> selectivo</strong>:</p>
<p><strong>&#8220;</strong> (&#8230;) <span style="text-decoration: underline;">O uso profiláctico/rotineiro da episiotomia continua a ser praticado frequentemente apesar da <strong>ausência de evidência científica que suporte o seu benefício</strong>. Pelo contrário, existe mesmo uma evidência clara de que a episiotomia pode trazer algumas sequelas</span>.</p>
<p><span style="text-decoration: underline;">Desta revisão ressalta que a episiotomia não cumpre a maioria dos objectivos pelos quais é justificada a sua utilização. <strong>Não só não diminui o risco de lesão do períneo, sob a forma de roturas de grau III e IV, como, inclusive, as suas complicações podem agravar ainda mais estas lesões. Não previne o desenvolvimento do relaxamento pélvico como também não tem impacto sobre a morbilidade ou mortalidade fetal</strong>. Na verdade, os riscos associados ao seu uso são significativos e levam-nos a ponderar se perante esta ausência de suporte científico é correcto praticar um acto para o qual não se encontram benefícios que o justifiquem</span>!</p>
<p><span style="text-decoration: underline;"><strong>A comparação entre o uso generalizado versus selectivo mostra que o último tem melhores resultados, estando associado a uma maior percentagem de períneos intactos</strong> e em que o único resultado negativo observado é o aumento do número de lacerações vaginais, em especial as anteriores, cujas repercussões a longo prazo são, até à data, incertas</span>.</p>
<p><span style="text-decoration: underline;">À luz da evidência disponível, é recomendada a realização selectiva da episiotomia, sendo 30% o valor sugerido por alguns autores14 para a sua incidência. No entanto, <strong>é importante apostar no uso de técnicas não cirúrgicas</strong>52-55 <strong>que permitam uma distensão perineal progressiva, de modo a promover a integridade perineal</strong>, principalmente porque, a ideia de que um segundo estádio do TP prolongado seja prejudicial para o feto, é questionável e aparentemente deva ser abandonada</span>.</p>
<p><span style="text-decoration: underline;">A dúvida centra-se, agora, na definição das indicações para o seu uso selectivo. Para responder a esta questão<strong> mais estudos prospectivos e randomizados são imprescindíveis e eticamente necessários</strong>. Até os seus resultados serem conhecidos parece-nos correcto afirmar que <strong>o seu uso deve ser ponderado e baseado em decisões caso a caso</strong></span>.<strong>&#8220;</strong></p>
<p>Para quem estiver interessado em ler o artigo completo, aqui fica o link: <a href="http://www.actamedicaportuguesa.com/pdf/2003-16/6/447%20454.pdf" target="_blank">http://www.actamedicaportuguesa.com/pdf/2003-16/6/447%20454.pdf</a>
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		<title>Episiotomia</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Jul 2009 10:32:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rituais Maternos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Episiotomia]]></category>
		<category><![CDATA[Recomendações OMS]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;«Incisão no períneo e na parede vaginal que tem por objectivo facilitar o parto e evitar uma ruptura.» Esta é a definição vulgar de um dos procedimentos cirúrgicos mais comuns em obstetrícia e um dos poucos realizado sem qualquer consentimento da mulher, a episiotomia. Em Portugal, são poucas as grávidas que escapam à experiência do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>&#8220;</strong>«Incisão no períneo e na parede vaginal que tem por objectivo facilitar o parto e evitar uma ruptura.» Esta é a definição vulgar de <span style="text-decoration: underline;">um dos procedimentos cirúrgicos mais comuns em obstetrícia e um dos poucos realizado sem qualquer consentimento da mulher, a episiotomia. Em Portugal, são poucas as grávidas que escapam à experiência do «corte» no períneo</span> (área muscular compreendida entre a vagina e o ânus) durante o parto, mas o tema é controverso.</p>
<p>A <a href="http://www.rituaismaternos.com/2009/05/recomendacoes-da-oms/" target="_blank">Organização Mundial de Saúde</a> (OMS) contesta o uso rotineiro desta técnica, considerando a forma como a <strong>episiotomia</strong> é, actualmente, praticada uma «<strong>conduta frequentemente utilizada de modo inadequado</strong>». <span style="text-decoration: underline;">Estudos publicados ao longo das últimas duas décadas concluíram não haver razões científicas para continuar a executar, indiscriminadamente, a incisão no períneo</span>. <strong>A episiotomia não previne a maioria das situações para as quais está indicada, em particular as lesões graves. Pelo contrário: existe evidência de que pode provocá-las</strong>.</p>
<p><span style="text-decoration: underline;">Isto mesmo está demonstrado num artigo publicado em 2003 na Acta Médica Portuguesa (AMP)</span>. Segundo as autoras, não existem bases sólidas que legitimem a prática rotineira da episiotomia. O tom crítico domina o trabalho: «<span style="text-decoration: underline;">Os riscos associados ao seu uso são significativos e levam-nos a ponderar se perante esta ausência de suporte científico é correcto praticar um acto para o qual não se encontram benefícios que o justifiquem!</span>».</p>
<p>Bárbara Bettencourt Borges, umas das autoras do artigo publicado na AMP, obstetra na Maternidade Alfredo da Costa (MAC), avança uma justificação para o elevado número de incisões praticado em Portugal: «<span style="text-decoration: underline;">Criou-se o mito de que é melhor cortar que rasgar. É uma prática muito enraizada.» E critica: «É mais fácil, durante o período expulsivo de um parto, cortar e abreviar o nascimento do que esperar que o períneo distenda.» Bárbara Bettencourt Borges contesta a teoria de que a episiotomia previne as lesões do períneo, argumento habitualmente invocado para justificar este procedimento cirúrgico</span>.</p>
<p>«<strong>Os estudos mostram que não é verdade!</strong>»<br />
A enfermeira obstetra Maria de Lurdes Francisco concorda: «<span style="text-decoration: underline;">Há mulheres submetidas a episiotomias que têm lacerações graves</span>.» A enfermeira afirma mesmo que as piores lesões perineais que viu, ao longo da sua carreira, surgiram na sequência de uma episiotomia. «<span style="text-decoration: underline;">Falta calma na obstetrícia», aponta Maria de Lurdes Francisco, criticando a forma «apressada» com que muitos especialistas assistem o parto</span>.</p>
<p>Não fazendo episiotomia, a probabilidade de surgirem lacerações espontâneas aumenta. Bárbara Betterncourt Borges desdramatiza: «<span style="text-decoration: underline;">Algumas nem necessitam de sutura ou então precisam de poucos pontos</span>.» Nestes casos, o que poderia ter acontecido se se tivesse optado pela episiotomia? «Dar vinte pontos, em vez de cinco&#8230;»</p>
<p>A atitude própria de um obstetra perante uma mulher em trabalho de parto é a de não arriscar. Só que a episiotomia não previne as complicações que os médicos julgam que previne. «<span style="text-decoration: underline;">Estudos feitos com milhares de mulheres têm demonstrado que não evita nem as lacerações graves, nem a incontinência urinária, nem os problemas sexuais</span>», clarifica Bárbara Bettencourt Borges. «A experiência de uma episiotomia é muito desagradável, quem passou por isso sabe.»</p>
<p><strong>Pouco respeito pela fisiologia do parto</strong><br />
O elevado número de episiotomias é o reflexo de uma prática «que não respeita a fisiologia do parto». Maria de Lurdes Francisco não tem dúvidas: «<span style="text-decoration: underline;">A <strong>medicalização do nascimento</strong> dificulta a evolução normal do trabalho de parto.» A incisão no períneo acaba por ser mais uma intervenção entre tantas. Os sucessivos toques, «a norma de manter a mulher deitada», as constantes interferências «só contribuem para que os músculos do períneo fiquem mais tensos</span>.» <strong>Atitudes que «favorecem» a episiotomia</strong>, critica a enfermeira, lamentando que a velha regra da obstetrícia, &#8220;paciência e vaselina&#8221;, tenha caído em desuso. «Precipita-se muito o nascimento.»</p>
<p>A doula Carla Guiomar não podia estar mais de acordo: «Assistimos a uma cascata de intervenções que cria um ambiente desfavorável ao parto.» A episiotomia rotineira é um sinal desse «paradigma». «<span style="text-decoration: underline;">Se o objectivo é proteger o períneo, a última coisa que se deve fazer é cortá-lo. <strong>Não existem períneos que não distendem</strong>» defende. «Há períneos menos elásticos, que talvez venham a sofrer lacerações. Isso é razão para se fazer uma episiotomia em tantas mulheres?» E continua: «Uma laceração superficial não tem consequências de maior e sara em poucos dias</span>. <strong>Uma episiotomia é um corte completo dos tecidos. Intervir sem necessidade aumenta os riscos. É um erro assente na convicção de que a mulher é incapaz de dar à luz</strong>.»<strong>&#8220;</strong></p>
<p>Texto: Maria João Amorim<br />
Revista PAIS &amp; Filhos<br />
21 Fevereiro 2007</p>
<p>Aconselho a lerem o <a href="http://www.paisefilhos.pt/index.php?option=com_content&amp;task=view&amp;id=181&amp;Itemid=68" target="_blank">artigo completo</a>, é muito esclarecedor!
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