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	<title>Rituais Maternos &#187; Testemunhos de Partos</title>
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		<title>A &#8220;minha&#8221; epidural</title>
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		<pubDate>Sun, 13 Mar 2011 23:33:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rituais Maternos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Recordo-me de estar sentada na cama ligeiramente curvada para a frente, lembro-me vagamente da cara da anestesista, uma mulher muito estranha, semblante carregado, nada simpática. Nesta altura estava um pouco &#8220;distraída&#8221; com a ideia de me irem espetar uma agulha na coluna, por isso a dor das contracções ficou para 2º plano. Eu sinta-as bem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Recordo-me de estar sentada na cama ligeiramente curvada para a frente, lembro-me vagamente da cara da anestesista, uma mulher muito estranha, semblante carregado, nada simpática. Nesta altura estava um pouco &#8220;distraída&#8221; com a ideia de me irem espetar uma agulha na coluna, por isso a dor das contracções ficou para 2º plano. Eu sinta-as bem e lembro-me de pensar se iria conseguir ficar quieta, mas como tinha medo que doesse muito a levar a epidural, estranhamente estava a conseguir suportá-las melhor. Fiquei à espera de sentir a agulha, quase nem me apercebi, mas eis que senti uma espécie de &#8220;choque eléctrico&#8221; que me percorreu desde o meio das costas até à coxa direita. Uma dor fininha, aguda, que me assustou mais do que doeu. Os meus ouvidos &#8220;taparam&#8221;, uma sensação semelhante àquela que sentimos quando entra água, e perguntei à anestesista se era normal, pois estava com receio que a minha tensão baixasse. Ao que ela me respondeu num tom trocista: &#8220;Só se a epidural agora chega aos ouvidos&#8221;! Enfim&#8230;<br />
</em></p>
<p><em>Entretanto uma auxiliar (penso que a mesma da triagem) ficou atrás de mim e começou a mexer no meu cabelo. Confesso que não estava à espera, noutra situação não teria achado muita piada, mas naquele momento serviu para me distrair e achei querido da parte dela. Começou a meter conversa comigo, nesta altura a anestesista estava à minha frente e enquanto respondia à auxiliar, a médica vira-me a cara para o lado e diz para eu não respirar para cima dela!! Esta mulher realmente tinha o dom de conseguir fazer-me sentir constrangida! Depois perguntou-me se ainda sentia os ouvidos &#8220;tapados&#8221;, respondi que não e foi-se embora.<br />
</em></p>
<p><em>O que a auxiliar me tinha perguntado era se eu fazia parte de algum &#8220;grupo&#8221; (acho que foi esta a palavra que ela usou). Eu ri-me, disse que não e perguntei porque é que ela achava isso. Então ela respondeu: &#8220;É que como tem o cabelo comprido e a sua amiga também, pensei que pertencessem a algum grupo&#8221;. Este momento serviu mesmo para aliviar um pouco todo o processo pelo qual estava a passar, recordo-me do &#8220;afecto&#8221; e da curiosidade ingénua desta sra. com algum carinho.<br />
</em></p>
<p><em>Não consigo precisar a altura em que me canalizaram a veia para o soro, não sei se foi antes ou depois de levar a epidural, mas lembro-me que não me custou. Este era outro procedimento que receava; tudo o que tinha a ver com espetarem-me e cortarem-me punha-me em pânico. Sabia que a partir do momento em que decidisse levar a epidural, não ia poder evitar outras intervenções e esta era uma delas.<br />
</em></p>
<p><em>Voltei a focar-me nas contracções, lembro-me que ainda sentia dor, fiquei com medo de me ter sujeitado àquilo para nada, de ser uma daquelas mulheres que continua a sentir dores, mesmo depois de ter levado a epidural (como eu tinha lido em vários testemunhos). Comentei com a enfermeira e ela disse que não fazia logo efeito. Quando voltei a sentir uma contracção percebi que a dor já não era tão intensa, até que deixei de sentir o que quer que fosse, não fazia a mínima ideia de quando é que estava a ter uma contracção.</em></p>
<p><em>M.J.</em></p>
<p>(continua)
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		<title>Testemunho de Parto da Bianca &#8211; Brasil</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Feb 2011 11:11:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rituais Maternos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Testemunhos de Partos]]></category>
		<category><![CDATA[Testemunhos]]></category>

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		<description><![CDATA[Relato de parto natural domiciliar após cesárea Na voz da Mãe &#8220;Há uma semana atrás tinha em meus braços o rebento que tanto aguardei chegar, depois de um processo de 32 horas, aproximadamente, de esforço e resgate que começou na noite de sexta-feira, dia 21 de agosto, às 20h30min quando entrei em trabalho de parto, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #ff00ff;"><strong>Relato de parto natural domiciliar após cesárea</strong></span></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.rituaismaternos.com/wp-content/uploads/2011/02/Fofo.jpg"><img class="size-full wp-image-2683  aligncenter" title="Fofo" src="http://www.rituaismaternos.com/wp-content/uploads/2011/02/Fofo.jpg" alt="" width="200" height="133" /></a><a href="http://www.rituaismaternos.com/wp-content/uploads/2011/02/Rudá.jpg"></a></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.rituaismaternos.com/wp-content/uploads/2011/02/Rudá1.jpg"><img class="size-full wp-image-2685  aligncenter" title="Rudá" src="http://www.rituaismaternos.com/wp-content/uploads/2011/02/Rudá1.jpg" alt="" width="200" height="133" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.rituaismaternos.com/wp-content/uploads/2011/02/Nasce.jpg"><img class="size-full wp-image-2686  aligncenter" title="Nasce" src="http://www.rituaismaternos.com/wp-content/uploads/2011/02/Nasce.jpg" alt="" width="200" height="133" /></a></p>
<p><span style="color: #800080;"><span style="text-decoration: underline;">Na voz da Mãe</span></span></p>
<p><em>&#8220;Há uma semana atrás tinha em meus braços o rebento que tanto aguardei chegar, depois de um processo de 32 horas, aproximadamente, de esforço e resgate que começou na noite de sexta-feira, dia 21 de agosto, às 20h30min quando entrei em trabalho de parto, fase latente, com contrações regulares e dolorosas de aproximadamente 10 em 10 minutos; no início da semana meu tampão mucoso já tinha saído e estava com um dedo de dilatação, o que indicava que meu colo uterino estava amadurecendo, se afinando, para conceber Rudá nesse mundão! </em></p>
<p><em>As últimas semanas foram de muita ansiedade, barrigão grande e pesado; a cada mudança de lua pensava que estava chegando nossa “boa hora”, pois nunca deixei de acreditar e confiar que tudo daria certo e que depois de uma cesária desnecessária de minha primeira gestação, há sete anos atrás, quando Ícaro nasceu, nosso tão desejado e clamado parto domiciliar seria vitorioso, já que minha gravidez era de baixo risco, mesmo assim fortalecer o pensamento já era o início desse parir, pois muitas pessoas estavam me desestimulando e me chamando de “louca” por ter feito essa escolha. </em></p>
<p><em>Nessas 39 semanas me empoderei de muitas informações sobre o parto natural e humanizado em livros de referência ao assunto e nas listas e sites de discussão que circulam na internet, caminhos de descoberta, de lágrimas a cada relato lido, de medos e de um coração que pedia às forças da Mãe Terra que nos provêm e nutre de que Rudá seria recebido com amor e respeito, sem intervenções e medicalização, e como nada nessa vida é por acaso encontrei nesse trilhar, através do Blog Bebedubem, Flavia Penido que me apresentou (virtualmente, risos) Kátia Z. Assumpção Pedroso, um ser que teve as asas tiradas quando desceu a Terra, mas que não deixou de exercer sua vocação com aquelas lindas mãos pequeninas que amparou meu filhote na madrugada de domingo, dia 23, a ela nossa eterna gratidão, querida parteira! </em></p>
<p><em>Como narrava acima depois de ter passado a noite toda de sexta-feira com contrações dolorosas recebemos Kátia na manhã de sábado, já que estávamos cerca de 400 quilômetros de distância, pois moramos em Cananéia, no Vale do Ribeira, uma remota ilha no extremo litoral sul paulista e Kátia no Vale do Paraíba, em São José dos Campos, mas como imaginava que esse trabalho de parto poderia ser demorado confiamos em esperar a parteira chegar. </em></p>
<p><em>Assim que ela chegou me examinou, pressão arterial ok, batimentos fetais também, com dois dedos de dilatação, em seguida me pediu para caminhar, imagina, com tantas dores, mas apesar de ser teimosa fui com meu companheiro Juliano até à padaria, uns quatro quarteirões de casa, o que levou uns 30 minutos daquela manhã chuvosa. Quando retornamos iniciamos os “hots”: chazinhos de camomila, bola de Pilates, banhos quentes, massagens, posições verticalizadas e em pouco tempo evoluí para cinco dedos de colo dilatado, Kátia disse a Juliano e Silmara, minha comadre que acompanhou meu parto e que mesmo não sendo doula soube me encorajar e acalentar, que até o início da noite Rudá nasceria! Oras e a noite passou&#8230; Lembro-me que até os sete dedos as dores eram suportáveis, apesar de intensas e que os banhos quentes eram maravilhosos, dado o relaxamento que me permitiam, mas depois disso confesso que era preciso garra para suportá-las e o tempo, que já não existia para mim, não passava! </em></p>
<p><em>A madrugada já tinha iniciado e o cansaço tomava conta de todos, mesmo assim essa equipe não tardava em ajudar, nesse aspecto não dá para deixar de comentar quanto é importante ter ao lado da parturiente pessoas especiais nesse momento, que tenham calma, que saibam doar; sempre comentava que imaginava que Juliano fosse ficar nervoso, mesmo porque quando vim com a idéia de ter nosso filho em casa ele logo disse: “Não me venha com essa idéia de antropóloga hein!”, porém sua devoção me espantou, tanto cuidado e zelo que foram primordiais para que eu também me mantesse confiante! Fortes dores, cansaço de duas noites sem dormir praticamente, contrações bem próximas uma da outra, como ondas que vinham, atingiam seu zênite e iam embora, permitindo que eu respirasse, quase não conseguia gritar nesse estágio, alguns gemidos e pensamento firme, mentalizando que o útero estava se abrindo, permitindo passagem para Rudá que no seu tempo se despediria do local que lhe abrigou todos esses meses. </em></p>
<p><em>No entanto, essas últimas quinze horas de trabalho de parto ativo já estavam me esgotando, pensava comigo: “Porque ele não nasce?” e minha bolsa de águas nem tinha rompido ainda, o que era ótimo, pois o bebê estava protegido, mas caso isso ocorresse o processo também aceleraria. Mas, tudo tem mesmo seu tempo! A bolsa rompeu! Ufa! E as contrações se intensificaram progressivamente. Já estava com o colo todo dilatado, 10 dedos, só tínhamos que esperar, foi quando resolvi tomar mais uma chuveirada, pois estava difícil suportar a intensidade da dor, de qualquer maneira penso que vivenciar, sentir essas dores foram um resgate em minha vida, resgate como filha, mãe e mulher, apesar dessa reta final já estar em outro estágio de consciência; me contavam piadas, me perguntavam se eu já havia visto algum animal parir (sim, minha gata!), como meu companheiro e eu tínhamos nos conhecido, como era nossa história, mas já não era eu que estava lá! </em></p>
<p><em>Depois desse último banho voltei para o colchão que estava no chão de nosso quarto e me pus de quatro, pois era como me sentia melhor, deitada era impossível! Senti uma dor muito forte, fiz uma força instintiva junto com a contração e quando pensei que Rudá estava para nascer Kátia me disse que eu havia feito coco, o que me aliviou muito, pois tive muito incômodo no reto, dado que essas fezes deviam estar atrapalhando. Em pouco tempo outras contrações, muito líquido amniótico saindo, como um rio caudaloso e escutava: “Rudá está vindo! Olha a cabecinha dele!”, nessa hora os gritos eram guturais, primitivos, vinham de dentro dessa mamífera que como um animal estava para parir, naturalmente, sem drogas alopáticas ou anestésicos. Rudá coroou! Círculo de fogo, nossa&#8230; como queimava! Depois de sair sua cabecinha o corpo veio rapidamente, pura ocitocina! E nossa cria nasceu! Não dá para descrever esse momento&#8230; mágico, divino, abençoado! Kátia o passou pelo meio de minhas pernas, mas eu tremia, assim Juliano o pegou e o deu em meus braços, ahhhhhhhhhhhhhhh, coisa linda! Aquela energia que circulava naquele lugar era cósmica, celestial! Em seguida, ainda com o cordão umbilical pulsando o coloquei em meu seio, depois de uns 20 minutos o pai cortou o cordão e ficamos juntinhos, corpo a corpo, olhos abertos para descobrir a aventura de viver! </em></p>
<p><em>Minha placenta não saiu, só pela manhã que consegui expulsá-la no banho, ainda tinha dores como cólicas, Kátia informou que um coágulo poderia ter se formado, por isso que ela não saia, quando finalmente senti a última contração e pude expelir de dentro de mim aquela que protegeu meu filhote, frondosa como uma árvore que surtiu seu fruto! Ah! Parir, partejar, dividir, e ficar na sua cama, com sua família, no seu lar, nem dá para comparar com ter um filho num ambiente hospitalar&#8230; inóspito, frio, impessoal. Faria tudo novamente! E naquela Lua Nova um novo trilhar se iniciou em nossos caminhos, um novo ciclo! Nesse feriado de sete de setembro plantaremos a placenta em nosso quintal, com a vinda dos avós de Rudá e comemoraremos mais um dia essa sementinha que brotou, devolvendo a terra e a Natureza o que o fortaleceu em meu ventre!&#8221;</em></p>
<p>Bianca C. Magdalena<br />
Texto redigido em 30 de agosto de 2009</p>
<p>Podem ainda ler o testemunho de parto da Bianca, na voz da parteira e da madrinha, no blog <a href="http://partonobrasil.blogspot.com/2010/01/relato-de-parto-natural-domiciliar-apos.html" target="_blank">Parto no Brasil</a>.</p>
<p>Obrigada pela partilha Bianca, que coragem, seguir o curso da Natureza e acreditar no seu corpo!
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		<title>Na triagem</title>
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		<pubDate>Sun, 13 Feb 2011 22:32:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rituais Maternos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Testemunhos de Partos]]></category>
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		<description><![CDATA[Eram cerca das 03:30h quando entrei (na altura não fazia ideia das horas) e fui atendida por uma enfermeira que falava num tom rude e desagradável. Lembro-me de ter tantas dores, de me custar tanto estar ali sentada e ainda ter que explicar o que se estava a passar (era óbvio que estava em trabalho [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Eram cerca das 03:30h quando entrei (na altura não fazia ideia das horas) e fui atendida por uma enfermeira que falava num tom rude e desagradável. Lembro-me de ter tantas dores, de me custar tanto estar ali sentada e ainda ter que explicar o que se estava a passar (era óbvio que estava em trabalho de parto!). Sentia-me tão sozinha!<br />
</em></p>
<p><em>A enfermeira perguntou-me se tinha feito preparação para o parto e respondi que não (o que ia adiantar dizer que tinha feito, mas de uma forma holística?), aí diz: &#8220;Pois, você não sabe respirar! Já passou a contracção e você continua a respirar da mesma maneira!!&#8221;. O que era isto?! Eu ali cheia de dores, a controlar-me para não gritar (que era aquilo que mais me apetecia fazer) e ela a implicar com a forma como eu estava a respirar?! A dizer-me que estava a fazer mal, que não era assim, etc!!!  Sentia-me tão frágil, tão pequena!<br />
</em></p>
<p><em>Entretanto mandou-me tirar a roupa e deitar-me para me fazer o toque, enquanto continuava a implicar comigo e a falar de forma arrogante, já tinha tirado as calças, mas farta de estar a ser tratada como se fosse uma &#8220;menina mal-comportada&#8221;, disse-lhe que ia embora e comecei a vestir novamente a roupa. Não sei onde fui arranjar forças para lhe fazer frente e mostrar o meu desagrado; apesar das dores intensas, eu estava mesmo decidida a ir para outra maternidade! Então a enfermeira lá tentou reverter a situação dizendo que ninguém me estava a tratar mal, que ela sabia que custava muito estar com contracções, etc. Acabei por ficar, ela esperou que a contracção passasse para me fazer o toque, confesso que não me custou muito dadas as circunstâncias. Disse que estava com quase 3 cm de dilatação e que não sentia as membranas. Perguntou-me se tinha perdido mais líquido quando voltei para casa, disse que sim, mas que tinha sido pouco. Deu-me uma bata e mandou-me colocar as minhas roupas dentro de um saco de plástico; lembro-me que entrou uma axiliar para me ajudar, toda aquela situação fez-me sentir humilhada e já era tão difícil suportar as dores. (Não é isto que fazem aos prisioneiros? Despojá-los da sua identidade? Lá dentro eu seria mais uma mulher a parir, um acontecimento banal para a instituição e os seus profissionais, mas <strong><span style="color: #ff00ff;">o acontecimento mais importante da minha vida</span></strong>!)<br />
</em></p>
<p><em>Eu sei que assinei um papel, com as dores tornava-se difícil ler o que lá estava escrito, mas consegui ler uma parte em que dizia que eu permitia ou aceitava os procedimentos médicos que me iriam fazer. Por dentro eu gritava: NÃO, eu NÃO aceito todos os procedimentos, eu sei que muitos deles são desnecessários e poderão piorar as coisas para o meu bebé e para mim!!! Mas eu estava tão fragilizada, tão sozinha, como lutar ali, naquele momento?? Assinei o papel com o coração a &#8220;sangrar&#8221;, a sentir que não estava a fazer o melhor por nós os dois, a sentir que me estava a subjugar a tudo o que ia contra <span style="color: #ff00ff;">o meu instinto</span>.<br />
</em></p>
<p><em>Recordo-me da enfermeira me pedir para escrever o nome do acompanhante no papel e dizer que iriam chamá-lo para ele também assinar. Lembro-me de ver a R., acho que já tinha a bata vestida e estava de pé a tentar suportar as dores, encostada à maca onde a enfermeira me fez o toque e quase escondida pelo biombo. Quando ela ia a sair, depois de ter assinado, acho que lhe disse qualquer coisa, talvez um &#8220;até já&#8221;, ela olhou para mim e lembro-me de sentir no olhar dela a impotência de não poder fazer nada. <span style="color: #000000;">Mesmo sem falarmos, tenho a certeza que ela só tinha vontade de me vir abraçar, tranquilizar-me, enfim&#8230; &#8220;<span style="color: #ff00ff;"><strong>doular-me</strong></span>&#8220;! <span style="color: #ff00ff;">E como eu precisava disso</span></span>!!<br />
</em></p>
<p><em>Não me lembro em que parte deste processo todo a enfermeira me perguntou se eu já tinha ouvido falar em epidural, disse que sim. Naquele momento era óbvio que com a pergunta dela e a minha resposta, estava praticamente decidido que a levaria. Não tive coragem para a rejeitar, para dizer com toda a segurança: Sim já ouvi falar e sei que tem riscos para mim e para o meu bebé, como tal vou evitá-la e apenas pedi-la em caso de extrema necessidade. Mas naquele ambiente hostil, onde me via sozinha, sem apoio, com contracções tão fortes, como dizer que não? Eu sentia que estava no meu limite, que não ia conseguir suportar por muito mais tempo aquelas dores e muito menos naquelas condições!<br />
</em></p>
<p><em>Depois disto segui a enfermeira até à casa de banho, a contorcer-me com as dores; deu-me um clister e disse que voltava daí a pouco. Pronto, começavam os procedimentos rotineiros! Fechei-me lá dentro, só tinha vontade de chorar (e chorei mesmo), as dores eram tão fortes, como é que eu ia colocar aquilo? Só me contorcia e não queria sentar-me na sanita, estava a tentar arranjar coragem e forças para fazer o clister, mas as contracções eram tão seguidas. Passou algum tempo, a enfermeira voltou e perguntou se já estava, disse que não, então ela lá começou a dizer coisas como: &#8220;Ainda não está? Vou sair outra vez mas depois quando voltar já tem que ter feito.&#8221; Podia ter mentido (isso ainda me passou pela cabeça), mas estava tão fragilizada que não fui capaz. Entretanto lá consegui introduzir um pouco e as dores ficaram ainda mais fortes!! Foi tão difícil! (Mas porque é que sujeitam as mulheres em trabalho de parto àquilo?) Deitei o resto do clister no caixote do lixo, não conseguia mais.<br />
</em></p>
<p><em>A enfermeira voltou e lá fui eu, uma vez mais, a segui-la até ao &#8220;quarto&#8221; onde, à partida, nasceria o meu bebé. Quando chegámos disse-me para me deitar que ia ligar-me ao CTG. Eu tinha tantas dores e pedi-lhe para não ficar deitada, mas ela insistia que eu tinha mesmo que me deitar. Eu praticamente suplicava, pedia-lhe quase num choro para ficar de pé e disse-lhe que me tinham dito que eu poderia andar, mesmo estando ligada ao CTG. Aí ela pergunta-me, num tom autoritário, quem é que me tinha dito isso, mas não tive coragem de responder e calei-me. (Naquele momento fiquei com medo de dizer o nome da 1ª enfermeira com quem falei sobre o meu plano de parto, não queria que ela fosse prejudicada por minha causa. O mais absurdo é que foi a enfermeira-chefe!!!) Deitei-me e foi um verdadeiro suplício, as dores eram insuportáveis; é praticamente impossível estar naquela posição quando se está em trabalho de parto. (Agora entendo muito bem as mulheres, que nos seus testemunhos escrevem que estar deitada ligada ao CTG é das piores coisas, de facto é!! Não ter liberdade de movimentos é horrível, as dores fortes tornam-se insuportáveis, como não pedir uma epidural assim??)<br />
</em></p>
<p><em>Fiquei sozinha, com aqueles cintos à volta da minha barriga, a tentar encontrar uma posição que me provocasse menos dores; deitei-me de lado e só pensava porque é que tinha que passar por aquilo? Sentia-me miserável, com uma tristeza imensa!<br />
</em></p>
<p><em><span style="color: #ff00ff;">Entretanto entra a R., disse-lhe a chorar que não me deixavam andar, </span><span style="color: #ff00ff;">senti nova contracção e eis que recebo novamente aquele abraço que só a minha Doula sabe dar. A R. nem hesitou, veio logo em meu socorro, envolveu-me com os seus braços e mais uma vez senti que a dor desta contracção nada tinha a ver com as anteriores, foi bem mais fácil de suportar, eu diria até mais suave</span><span style="color: #ff00ff;">. Lembro-me que naquele momento cheguei a pensar que talvez não precisasse de levar epidural! É mesmo verdade! (Que pena que eu tenho de não ter chamado a R. mais cedo, talvez tivesse chegado à maternidade com mais dilatação, quem sabe!)</span><br />
</em></p>
<p><em>Estávamos ali as duas, juntas há tão pouco tempo, quando entram no quarto para informarem que a R. tinha que sair porque iam dar-me a epidural. Lá se desvaneceu a minha ideia de que talvez não ia ser necessário, ia mesmo levá-la, não havia como evitar. Eu não ia ser deixada em paz com a <span style="color: #ff00ff;">minha Doula</span>, ia ficar sujeita aos &#8220;milhares de toques&#8221; e intervenções médicas, estava a parir numa maternidade convencional, onde o parto não é um processo natural.</em></p>
<p><em>M.J.</em></p>
<p>(continua)
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		<title>Os partos da Jessica &#8211; Testemunho</title>
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		<pubDate>Mon, 17 Jan 2011 10:45:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rituais Maternos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Parto Vaginal após Cesariana]]></category>
		<category><![CDATA[Testemunhos de Partos]]></category>
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		<category><![CDATA[VBAC]]></category>

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		<description><![CDATA[A Jessica pediu-me para substituir o texto inicial do testemunho do seu VBAC, que eu tinha retirado dos comentários de um post aqui do blog. Então aqui deixo a descrição mais recente. Obrigada pela partilha querida amiga!  Desde que me lembro de querer ter filhos que nunca coloquei em questao outra forma de os ter [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #800080;"><em>A Jessica pediu-me para substituir o texto inicial do testemunho do seu VBAC, que eu tinha retirado dos comentários de um post aqui do blog.</em></span></p>
<p><span style="color: #800080;"><em>Então aqui deixo a descrição mais recente. Obrigada pela partilha querida amiga!  <img src='http://www.rituaismaternos.com/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':)' class='wp-smiley' /> </em></span></p>
<p><em>Desde que me lembro de querer ter filhos que nunca coloquei em questao outra forma de os ter se nao o parto vaginal.<br />
</em></p>
<p><em>Quando engravidei da minha filha a hipótese de uma cesariana parecia-me tao remota e tao fora de questao que nunca me ocorreu sequer a ideia que poderia ser a forma com que iria parir.<br />
</em></p>
<p><em>Até às 24semanas de gravidez a minha filha encontrava na posicao cefálica. Um dia senti a minha filha a mexer-se muito e notei que se tinha virado. Encontrava-se sentadinha na minha barriga&#8230; Às 32semanas comecei a fazer exercícios físicos que o meu ginecologista tinha aconselhado, a enfermeira que me acompanhou fez moxibustao e ajudou-me nos exercícios mas a minha filha nada de se virar. Dirigi-me a um hospital especializado em partos pélvicos. O Chefe da maternidade aconselhou-me a nao tentar o parto pélvico, era o meu primeiro parto e o bebé poderia ser grande comparado com as minha forma física (1,60m 45kg, marido bem maior que eu, e eu tinha diabetes). Os riscos eram demasiado grandes para o tentar. Ele aconselhou-me a tentar fazer a rotacao externa do bebé. Assim o fiz pensando ser uma excelente ideia. A minha enfermeira desaconselhou-me dizendo que se o bebé tem uma razao é deixá-lo estar, mas eu fiz ouvidos moucos e lá fui fazer a rotacao externa. Foi horrível, horrível, horrível. O médico colocava as maos na minha barriga e empurrava a minha filha, obrigando-a a virar. Eu sentia a minha filha e empurrar com os pézinhos como que a impedi-lo e realmente ela ganhou. O médico nao a conseguiu mover. Hoje estou muito arrependida do que fiz. Fiquei o dia inteiro no hospital para observacao. Senti-me dois dias inteiros doente e com dores horríveis. Ainda estava fragilizada pela situacao, chorava imenso e mal conseguia falar quando chegou a enfermeira para fazer a marcacao para a cesariana. Aquilo que nunca me tinha passado pela cabeca estava a acontecer&#8230; Fiz a marcacao sem pensar no assunto. Ás 38s a minha filha foi obrigada a vir ao mundo. Ainda hoje me pergunto porquê, porque é que eu deixei isso acontecer. Porque nao esperei pelas contraccoes, porque nao esperei pelo menos pelas 40s&#8230;.<br />
</em></p>
<p><em>Se o tempo voltasse atrás&#8230;.</em></p>
<p><em>Quando a minha filha tinha 11 meses engravidei de novo. Com o meu filho tinha tudo de ser diferente. Isso jurei a mim própria. Infelizmente mais uma vez tive diabetes que só se conseguia regularizar injectando insulina várias vezes ao dia. Uma vez que ainda nao se sabe ao certo a influência que a insulina tem nos bebés aconselha-se a induzir o parto às 40s. O meu ginecologista, que é uma pessoa que prefere as coisas pelo natural e é bem relaxado, dizia-me que o meu filho às 40s estava óptimo e eu poderia esperar à vontade até ele próprio decidir vir ao mundo. Mas eu estava demasiado ansiosa e com medo. Os meus níveis de acucar eram assustadores, a minha filha nasceu com uma hipoglicémia enorme e teve bastante tempo longe de mim depois do parto até os níveis regularizarem. Tinha medo que isso voltasse a acontecer. A quantidade de insulina cada vez era maior. Ao contrário do que o meu ginecologista me aconselhou, no dia 7.09.09 (dia previsto para ele nascer), tomei o pequeno-almoco descansada (a concelho de uma das enfermeiras de servico), peguei na minha mala e dei entrada no hospital. Comecou a inducao do parto às 9 da manha (uma inducao suave que consistia num comprimido vaginal que serviria para amolecer o cólo do útero, as contraccoes deveriam vir por elas próprias desse modo- segundo o que percebi na altura). Ainda fui almocar a casa e voltei para o hospital. Às 17h comecei a sentir as primeiras contraccoes com dor. A noite passei no hospital, já nao consegui dormir com contraccoes, mas mandei o marido para casa para pelo menos ele descansar. Antes de me deitar fui vista pela obstetra. Eu ainda nao tinha feito dilatacao nenhuma e o meu filho encontrava-se muito subido, caso a bolsa rebentasse eu teria de ficar deitada para nao haver risco de prolapso do cordao. Durante a noite as contraccoes íam piorando, eu já tinha dificuldades em ficar em silêncio. Ás 2 da manha a bolsa rebentou, mas as contraccoes continuavam muito irregulares. A partir daí só me podia levantar para ir à casa de banho. E isso foi o pior do parto. Exactamente 24h depois nasceu o meu filho. Eu nao me lembro bem dessas 24h. Sei que comi (salada e chocolate!!) e as enfermeiras íam-me trazendo chá e água. Chegou a um ponto que eu, por alguma razao que ainda hoje me é estranha, nao conseguia urinar mais apesar de ter a bexiga cheia e pedi uma algália. Foi uma bencao! Lembro-me de eu pedir para me fazerem o toque porque queria saber a “quantas andava” e depois de tanta dor e tanto gemido eu tinha&#8230;.2 cm&#8230;. Já tinham passado mais de 12 horas desde a ruptura de bolsa e já se falava em nova cesariana. Nunca se sabe ao certo quanto é que a cicatriz da primeira cesariana- que só tinha 20 meses &#8211; realmente aguenta. Íam-me perguntando se tinha dores na zona, mas eu não sentia nada de anormal na zona da cicatriz. Isso foi realmente muito importante quando pedi a epidural. Desenrolou-se um debate na sala entre a médica e a enfermeira se realmente eu poderia levar uma epidural. Em caso de ameaca de ruptura eu não sentiria nada e não me queixaria. Era esse o perigo. Mas deram-me a epidural. Eu estava tao cansada e tao desapontada por o parto não evoluir que, ou era isso ou era nova cesariana. O efeito da epidural durou à volta de 2 horas, que me pareceram 10min. Eu acho que dormi. O meu marido diz que eu falei o tempo todo. Não me lembro. Todo o tempo do parto está nas minhas recordacoes como que envolto numa névoa. Ainda hoje me tento lembrar das dores que tinha e não me consigo recordar. Que dores eram essas que me fizeram gemer e gritar daquela forma?!<br />
</em></p>
<p><em>Quando o efeito da epidural passou eu só queria saber se o meu descanso tinha ajudado a evoluir o parto. E&#8230; oh maravilha!&#8230;. o colo do útero tinha finalmente passado de 2 para 7cm! O resto foi tao rápido, eu voltei a estar motivada e feliz e aguentava as dores de outra forma. De uma forma optimista. Não durou muito até eu sentir vontade de puxar. Disse isso à enfermeira à espera que ela me desse alguma instrucao ou dissesse que se tinha de controlar se fiz a dilatacao toda, mas lembro-me perfeitamente da resposta dela a sorrir “Ah, entao temos de preparar a pulseirinha com o nome!”. Eu fiquei confusa com a resposta e só pensei “o quê? já vai sair agora?? ninguém vem controlar se tenho a dilatacao feita?” Hoje penso nesse momento (que foi dos poucos que me ficaram na memória do parto) e tenho de sorrir. Realmente não é nada disso necessário. O nosso corpo diz quando chega a altura. Demorou bastante até ele sair. A enfermeira viu que ele estava mal posicionado, para ele sair melhor eu tinha de me deitar de lado. Ainda hoje não sei se isso é mesmo certo, mas naquele momento a ultima coisa que eu queria era levantar-me e confiei nas instruccoes. Eu implorava à enfermeira para mo arrancar de dentro de mim (sim, arrancar foi a palavra que usei), eu dizia, ou melhor, gritava, que não aguentava mais. Mas aguentei. Ela falava-me tao calmamente e dizia-me que eu estava a fazer tudo tao bem, isso ajudou muito. Muito mesmo. Porque por mim ela teria pegado numa ventosa e tirado o meu filho! No final&#8230; eu consegui!&#8230; O meu menino não só estava  bem tortinho como tinha o cordao em volta do pescoco. Logo assim que ele saiu peguei nele ao colo, tentei dar de mamar, mas ele queria era dormir. No colo do pai ele acordou e dei-lhe de mamar. Correu logo tao bem. Ainda tinha o trauma da minha filha que nasceu sem saber mamar (eu na altura nem sabia que tal coisa existia!). Ao fim de uma hora de miminhos a enfermeira disse que tinha de nos interromper. Ela tinha de medir os valores de glicémia do E. para excluir uma hipoglicémia e aproveitava para o pesavar e vestia-lo. Os valores estavam óptimos e eu fiquei aliviada. Ele pesava 3700g e media 54cm. Um rapazolas! O meu marido gozou logo que o peso não estaria certo porque já tinha mamado <img src='http://www.rituaismaternos.com/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':-)' class='wp-smiley' /> </em></p>
<p><em>O parto foi feito na Alemanha, num hospital estatal. Antes e depois do parto somos acompanhadas no domícilio por enfermeiras parteiras. A funcao delas é também equivalente à de uma doula em Portugal. Ao contrário do que se passa em Portugal estas enfermeiras podem acompanhar o parto sem apoio de um médico (por exemplo em casa). </em>
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		<title>Chegada à maternidade</title>
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		<pubDate>Mon, 10 Jan 2011 14:21:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rituais Maternos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Testemunhos de Partos]]></category>
		<category><![CDATA[Testemunhos]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando chegámos, o meu marido parou em frente às urgências para eu sair e foi estacionar o carro; a R. já lá estava e ficámos as duas cá fora à espera dele. Senti nova contracção e nesse momento a nossa querida doula abraça-me pelas costas. Um abraço tão forte, imenso, toda eu estava envolvida por [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Quando chegámos, o meu marido parou em frente às urgências para eu sair e foi estacionar o carro; a R. já lá estava e ficámos as duas cá fora à espera dele. Senti nova contracção e nesse momento a <span style="color: #ff00ff;">nossa querida doula</span> <span style="color: #ff00ff;">abraça-me pelas costas. Um abraço tão forte, imenso, toda eu estava envolvida por ela e pela 1ª vez, desde o início do trabalho de parto,</span> <span style="color: #ff00ff;">senti-me protegida, confortada, acarinhada</span><span style="color: #ff00ff;">, lembro-me de pensar como foi mais fácil de suportar a dor assim. Foi ali que comecei a perceber </span><span style="color: #ff00ff;"><span style="color: #ff00ff;">o</span> verdadeiro valor de se ter uma Doula no parto! </span><br />
</em></p>
<p><em>Lembro-me do segurança dizer para entrarmos, pois estava frio, mas eu queria adiar esse momento, queria respirar mais um pouco o ar da noite e esperar pelo meu marido. Entretanto ele chegou e entrámos os 3 na maternidade. Enquanto esperávamos que me chamassem, de cada vez que tinha uma contracção a R. suportava o meu peso, segurando-me por baixo dos braços e eu <span style="color: #ff00ff;">podia deixar-me ir. Eu gemia alto, sentia-me inibida mas era isso que o meu corpo me pedia para fazer, ajudava-me a suportar melhor a dor</span><span style="color: #ff00ff;">. Lembro-me da R. dizer ao meu marido que eu estava a fazer tudo tão bem, que era mesmo assim que eu tinha que fazer e isso deu-me </span><span style="color: #ff00ff;">alento</span>.<br />
</em></p>
<p><em>Tinha chegado o momento de escolher o meu acompanhante de parto e eu sabia que o nascimento do nosso bebé não ia ser como tínhamos idealizado. Eu estava fragilizada, com medo e recordo-me de ter deixado o plano de parto em casa, de propósito. Eu sentia que se apresentasse o plano na triagem, as coisas não iam correr muito bem, fiquei com medo que depois me tratassem mal. O meu marido não ia poder fazer nada por mim e a R. já tinha acompanhado outras mulheres nos seus partos. Por isso, com muita tristeza que o meu marido não pudesse assistir ao nascimento do nosso bebé, <span style="color: #ff00ff;">eu escolhi a nossa doula para ser a minha acompanhante</span>.<br />
</em></p>
<p><em>Penso que não estivemos muito tempo à espera e quando me chamaram, não me senti aliviada, antes pelo contrário, ia separar-me do meu marido e sabia que não ia encontrar amor e segurança lá dentro. Foi a sentir-me derrotada e triste, para além das dores fortes das contracções, que entrei sozinha por aquela porta.</em></p>
<p><em>M.J.</em></p>
<p>(continua)
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		<title>Em casa</title>
		<link>http://www.rituaismaternos.com/em-casa/</link>
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		<pubDate>Mon, 03 Jan 2011 21:34:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rituais Maternos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Testemunhos de Partos]]></category>
		<category><![CDATA[Testemunhos]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando voltámos para casa, vindos das urgências da maternidade, entrei realmente no &#8220;Mundo do Parto&#8220;. Lembro-me vagamente de estar a subir as escadas do prédio, com contracções e já me sentir desconfortável. É difícil recordar-me de tudo ao pormenor e tenho dificuldade em organizar os momentos cronológicamente; a noção do tempo é muito diferente quando [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Quando voltámos para casa, vindos das urgências da maternidade, entrei realmente no &#8220;<span style="color: #800080;">Mundo do Parto</span>&#8220;. Lembro-me vagamente de estar a subir as escadas do prédio, com contracções e já me sentir desconfortável. É difícil recordar-me de tudo ao pormenor e tenho dificuldade em organizar os momentos cronológicamente; a noção do tempo é muito diferente quando estamos em trabalho de parto!<br />
</em></p>
<p><em>Não me recordo do que fiz, mas a sensação com que fiquei foi que comecei a sentir contracções &#8220;mais a sério&#8221; pouco tempo depois. O registo feito pelo meu marido, mostrou que a 1ª contracção realmente dolorosa foi às 00:55 horas. Estava no nosso quarto, mas não me lembro como lá fui parar, em cima da cama, ajoelhada e agarrada à cabeceira. Que dor intensa!! Afastei as pernas para criar mais espaço no canal de parto e soltei os sons que me apeteceram, gemidos, gritos&#8230; Queria abrir-me para a chegada do nosso bebé e principalmente facilitar esse processo.<br />
</em></p>
<p><em>Confesso que a esta altura, apesar do medo que sentia, desejei com uma réstia de esperança que o parto fosse tão rápido que não desse tempo de ir para a maternidade e o nosso bebé nascesse ali, no nosso quarto, rodeado de amor, sem intervenções.<br />
</em></p>
<p><em>Durante este tempo, o meu marido deu um toque especial à casa, desligou luzes fortes, acendeu velas e incenso, colocou música. (Lembrei-me agora que lhe pedi para não pôr velas de cheiro no quarto, não sei porquê mas o cheiro estava a incomodar-me.) E quando eu sentia uma contracção lá vinha ele para fazer o registo; das primeiras vezes ainda falámos, depois eu já não conseguia.<br />
</em></p>
<p><em>A partir daqui senti que perdi a noção do tempo. As contracções eram muito intensas, nos primeiros intervalos ainda consegui descansar um pouco, mas depois a sensação que tinha era que as contracções vinham praticamente seguidas, sem espaço entre elas. Só mais tarde quando vi o registo é que percebi que realmente havia um intervalo de cerca de 5 minutos.<br />
</em></p>
<p><em>Eu continuava na mesma posição, em cima da cama, os meus sons já eram gritos altos e lembro-me de pensar que todo o prédio ia ouvir, confesso que cheguei a sentir-me inibida, seria bem mais fácil se estivesse no meio do mato, poderia gritar à vontade. Comecei a desesperar com as dores, tinha a sensação que ainda só tinham passado 15-20 minutos e apenas pensava como é que iria aguentar este processo todo durante horas?!! A verdade é que já tinha passado mais de uma hora, mas eu não sabia; a noção que tinha do tempo era completamente diferente da realidade.<br />
</em></p>
<p><em>Lembro-me do meu marido me ter preparado um banho, mas sabia que se entrasse dentro de água já não iria conseguir sair da banheira. Comecei então a andar pela casa, saí do quarto e parei no corredor antes de chegar à sala, aí senti nova contracção e encostei-me à parede. Recordo-me de me sentir sem forças, estava já tão cansada, as dores eram tão fortes e o processo ainda estava no início.<br />
</em></p>
<p><em>Comecei a ficar descontrolada e entretanto já estava novamente no quarto em cima da cama, mas agora o meu marido ficava comigo e punha-se de gatas para eu agarrar-me às costas dele enquanto tinha uma contracção. Eu já não via nada à minha frente, só conseguia focar-me na dor, pelos vistos até cheguei a morder-lhe no braço, tal era o meu desespero, mas não me recordo de o ter feito.<br />
</em></p>
<p><em>No meio disto tudo, não consigo precisar quando é que o meu marido ligou à <span style="color: #800080;">nossa doula</span>. Agora olhando para trás, sei que a devíamos ter contactado mais cedo, a sua ajuda teria sido muito valiosa durante o tempo que estivemos sozinhos em casa. Não só por mim, mas também por ele, pois naquele momento eu estava tão focada nas minhas dores que não me apercebi o quanto assustado ele estava.<br />
</em></p>
<p><em>Disse ao meu marido que não ia conseguir descer as escadas do prédio, então ele acabou por ligar para o INEM, mas nestas situações eles não vêm a casa e disseram para ligarmos para os bombeiros. Não me lembro se ele chegou a ligar, só sei que entretanto já ele estava a preparar as coisas para irmos para a maternidade. (Sei agora que os bombeiros também se recusaram a vir, parece que só tinham uma ambulância disponível e não queriam arriscar caso houvesse uma emergência grave.)<br />
</em></p>
<p><em>Eu não queria ficar sozinha em casa enquanto o meu marido saísse para ir levar as malas e trazer o carro para a frente do prédio, lembro-me de chorar e pedir-lhe para ficar comigo, mas ele teve que arranjar coragem para ir. Durante esses poucos minutos estive ajoelhada no chão ao pé da cama, com muitas dores e a sentir-me falhada. Não iria conseguir aguentar aquelas dores por muito mais tempo, e eu que queria tanto um <span style="color: #000000;">parto natural</span>, queria tanto dar um nascimento sem &#8220;drogas&#8221; ao nosso bebé, queria tanto sentir-me empoderada!<br />
</em></p>
<p><em>A <span style="color: #800080;">nossa doula</span> estava a caminho e iria encontrar-se connosco na maternidade. O meu marido veio rapidamente ter comigo e ainda hoje não sei como é que consegui descer as escadas. Lembro-me que demorei algum tempo a chegar à porta de casa, chorava e o meu marido incentivava-me a continuar. Eu sentia dores muito fortes sim, mas também estava cheia de medo de ter que ir para a maternidade e isso só me prejudicava. A seguir a uma contracção lá arranjei coragem e tentei descer o mais rápido que podia, já não me recordo se cheguei a sentir mais alguma durante a descida.<br />
</em></p>
<p><em>Também não me lembro de ter entrado no carro, mas  recordo-me da viagem até à maternidade. Foi curta, mas foi muito difícil sentir contracções intensas sentada num banco de um carro em andamento e com o cinto posto.</em></p>
<p><em>M.J.</em></p>
<p>(continua)
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		<title>Início do Trabalho de Parto</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Dec 2010 11:22:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rituais Maternos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Testemunhos de Partos]]></category>
		<category><![CDATA[Testemunhos]]></category>

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		<description><![CDATA[Dois dias depois da traumatizante consulta que tive às 40 semanas, o meu corpo dá início ao seu trabalho, e durante a madrugada (por volta da 01:00 h) começo a perder o rolhão mucoso. Lembro-me que fiquei tão contente, talvez a Mãe Natureza me permitisse ter um parto espontâneo como eu tanto desejava, dessa forma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Dois dias depois da traumatizante consulta que tive às 40 semanas, o meu corpo dá início ao seu trabalho, e durante a madrugada (por volta da 01:00 h) começo a perder o rolhão mucoso. Lembro-me que fiquei tão contente, talvez a <span style="color: #ff00ff;">Mãe Natureza</span> me permitisse ter um <span style="color: #ff00ff;">parto espontâneo</span> como eu tanto desejava, dessa forma o nosso bebé iria nascer quando quisesse e não por imposição dos médicos.<br />
</em></p>
<p><em>Ao longo deste dia fui perdendo mais rolhão, mas também perdia um líquido que não percebia o que era, fiquei na dúvida se fazia parte do rolhão mucoso ou se seria líquido amniótico. Andei o dia todo a matutar sobre a perda do líquido e só pensava: &#8220;se isto é líquido amniótico então na maternidade vão chamar-me de irresponsável e sei lá mais o quê por não ter ido logo a correr para as urgências&#8221;. Como não estava tranquila, acabámos por ir à noite, por volta das 22-23 horas, às urgências da maternidade.<br />
</em></p>
<p><em>Mandaram-me fazer um CTG e durante o tempo em que estive ligada áquela máquina tive várias contracções e algumas um pouco intensas. Claro que o facto de ter que estar ali parada, sentada, contribuiu para que fossem ainda mais desconfortáveis, mas eu estava a conseguir suportá-las. Uma das grávidas, que também estava a fazer CTG, via o ecrã do ecógrafo ao qual eu estava ligada e disse-me que o gráfico mostrava picos bem altos. Perguntou-me se a dor era muito forte, eu respondi que já era um pouco, mas se eu não conseguisse aguentar estas contracções então dificilmente aguentaria aquelas mais perto da expulsão, por isso enchi-me de coragem.<br />
</em></p>
<p><em>A parte pior foi quando fui observada por uma médica, que muito provavelmente era mais nova que eu. Falava com frieza e arrogância, quis introduzir o espéculo, mas estava a doer-me muito e eu disse que não conseguia. Então fez-me o toque, explicando (enquanto carregava nos dedos que estavam dentro da minha vagina de forma rude e bruta) que eu tinha que aprender a relaxar aquela zona. Para finalizar fez um comentário que me deixou completamente de rastos: &#8220;Se vem com essa atitude para o parto está frita, pois aí vão-lhe fazer milhares de toques!!!&#8221;.  Eu nem queria acreditar que ela estava mesmo a dizer-me aquilo, ainda para mais no tom arrogante e trocista que usou!!  Depois do toque, a médica também ficou na dúvida se eu estaria a perder líquido amniótico, aparentemente seria só rolhão mucoso, pois foi isso que veio agarrado aos dedos dela.<br />
</em></p>
<p><em>Então voltei para casa, era tudo o que eu desejava, pois não queria ali ficar nem mais um minuto e muito menos antes das contracções serem regulares. E agora sim, tinha ficado com a certeza do que me esperava naquele local quando chegasse a hora do nascimento do meu bebé.</em></p>
<p><em>M.J.</em></p>
<p>(continua)
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		<title>Caminho percorrido até ao Parto</title>
		<link>http://www.rituaismaternos.com/caminho-percorrido-ate-ao-parto/</link>
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		<pubDate>Wed, 01 Dec 2010 20:40:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rituais Maternos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Testemunhos de Partos]]></category>
		<category><![CDATA[Testemunhos]]></category>

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		<description><![CDATA[Depois de muito reflectir sobre o assunto, decidi escrever aqui o meu testemunho de parto. Confesso que não gosto de me expor, contudo estaria a ser incoerente se não o fizesse, uma vez que um dos objectivos do blog RM é partilharmos as nossas histórias. Espero que a minha de alguma forma sirva para ajudar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Depois de muito reflectir sobre o assunto, decidi escrever aqui o meu testemunho de parto. Confesso que não gosto de me expor, contudo estaria a ser incoerente se não o fizesse, uma vez que um dos objectivos do blog RM é partilharmos as nossas histórias. Espero que a minha de alguma forma sirva para ajudar outras mulheres/mães.</p>
<p><em>Desejei muito um <span style="color: #ff00ff;">parto </span><span style="color: #ff00ff;">natural</span>, <span style="color: #ff00ff;">humanizado</span>, num <span style="color: #ff00ff;">ambiente familiar</span> e rodeada de <span style="color: #ff00ff;">amor</span>, mas com muita tristeza, mágoa e alguma revolta não foi assim que o meu parto aconteceu.<br />
</em></p>
<p><em>Ao longo da gravidez fomos procurando um médico que me seguisse e depois nos acompanhasse num parto hospitalar, respeitando o nosso plano de parto. Passámos por algumas obstetras e pensávamos ter acertado na última que visitámos, era uma médica conceituada na área do parto natural, que oferecia confiança aos casais com uma visão diferente do parto. Lamentávelmente tivemos uma grande desilusão na 2ª consulta, isto às 34 semanas de gestação!<br />
</em></p>
<p><em>A ideia do <span style="color: #000000;">parto domiciliar</span> era tão aliciante, mas ao mesmo tempo eu achava que a nossa casa não tinha todas as condições necessárias para me sentir 100% segura, já para não falar que não tínhamos o apoio das nossas famílias. Sentia-me constantemente num reboliço emocional, ora estava <span style="color: #ff00ff;">confiante</span> e <span style="color: #ff00ff;">empoderada</span>, ora ficava insegura e fragilizada. O <span style="color: #ff00ff;">empoderamento</span> vinha quando me rodeava de pessoas extraordinárias que acreditam na <span style="color: #ff00ff;">Energia Feminina</span>, no <span style="color: #ff00ff;">Poder da Mãe Natureza</span>, na capacidade que todas nós <span style="color: #ff00ff;">Mulheres</span> temos de <span style="color: #ff00ff;">parir</span> os nossos filhos. Sentia que a minha história de parto iria ser diferente das histórias de partos das mulheres da minha família. Fizemos então um <span style="color: #ff00ff;">curso holístico</span> de preparação para o nascimento com uma <span style="color: #ff00ff;">doula</span> maravilhosa, que me mostrou aquilo em que eu sempre tinha acreditado; que seria capaz de ter o meu bebé de <span style="color: #ff00ff;">parto natural</span> e que poderia ser uma <span style="color: #ff00ff;">experiência intensa</span> mas <span style="color: #ff00ff;">maravilhosa</span>. A insegurança apoderava-se de mim quando não sentia o apoio, mas sim o medo e a incompreensão das pessoas que me são mais próximas e quando percebi que ia ser muito difícil encontrar um obstetra que me acompanhasse num parto natural e humanizado.<br />
</em></p>
<p><em>Às 36 semanas marcámos um encontro com uma enfermeira parteira que acompanha partos domiciliares. Apesar da sua simpatia, transparência e profissionalismo, continuámos inseguros e começámos a perceber que a vida nos mostrava um caminho diferente daquele que tínhamos idealizado.  Até esta altura ainda não tínhamos conseguido encontrar a nossa doula; esse era outro obstáculo. Fomos percebendo que o parto em casa estava cada vez mais distante e eu sentia-me longe da minha <span style="color: #ff00ff;">essência </span>como <span style="color: #ff00ff;">Mulher/Mãe/Mamífera</span>. Tive que tomar a decisão que tanto quis evitar e que não ia de encontro ao meu <span style="color: #ff00ff;">instinto</span>, mas fiquei sem opções; o nosso bebé iria nascer numa maternidade pública.<br />
</em></p>
<p><em>Às 37 semanas fui a uma consulta com a minha antiga ginecologista, que muito simpática me encaminhou para uma obstetra da maternidade Dr. Alfredo da Costa. Optei por esta maternidade por tudo aquilo que tinha lido em relação ao parto natural: a criação de um centro de nascimento e a formação com o médico alemão Dr. Gerd Eldering. Pensei que, em Lisboa, seria a maternidade mais receptiva ao nosso plano de parto e os seus profissionais de saúde estariam mais familiarizados com as directrizes da Organização Mundial de Saúde no que diz respeito ao parto normal. Foi nesta altura que também encontrámos a nossa <span style="color: #ff00ff;">doula</span>, quando eu já tinha desistido! Mas a R. é, de facto, a <span style="color: #ff00ff;">Nossa Doula</span>, percebemos isso logo quando a conhecemos. Foi uma agradável surpresa que tivemos no fim da gravidez! O seu <span style="color: #ff00ff;">apoio</span> foi necessário e <span style="color: #ff00ff;">muito precioso</span>, pois a luta que travámos ao longo de toda a gestação para que pudéssemos ter um parto respeitado, tínha-nos deixado exaustos emocionalmente e também existiam medos e dúvidas a serem trabalhados.<br />
</em></p>
<p><em>Às 38 semanas tentei informar-me ao máximo sobre a abertura dos profissionais de saúde da maternidade em relação ao parto natural. A 1ª enfermeira com quem falei mostrou-se muito receptiva ao nosso <span style="color: #000000;">plano de parto</span>, não seria permitido tudo o que desejávamos, mas à partida poderíamos ter cerca de 80% do plano respeitado e isso deixou-me mais tranquila e optimista. No entanto, quando falei com uma enfermeira das urgências, ela demonstrou pouca abertura, chegando de certa forma a &#8220;troçar&#8221; do plano. Perguntou de onde é que eu tinha tirado aquilo, se tinha sido da internet, pois já outras mulheres que tinham apresentado planos de parto pediam as mesmas coisas. Com uma certa arrogância falou que só faziam procedimentos se fosse mesmo necessário, que nem fazia sentido pedir isso no plano de parto. E eu fiquei ali calada a ouvi-la e a pensar como ela estava tão longe das <span style="color: #000000;">parteiras</span> que acompanham <span style="color: #ff00ff;"><span style="color: #000000;">partos humanizados</span><span style="color: #000000;">.</span></span> Fiquei com um mau pressentimento depois desta conversa, se nas urgências fossem todos assim eu não teria a mínima hipótese de ter um parto respeitado. Quando cheguei a casa chorei baba e ranho, sentia-me derrotada, triste e com medo.<br />
</em></p>
<p><em>Comecei a ser seguida na maternidade às 39 semanas (a obstetra não me pôde ver às 38) e na 1ª consulta também fui atendida por uma enfermeira com quem simpatizei. Falei-lhe sobre o <span style="color: #000000;">plano de parto</span> e o meu desejo de ter um <span style="color: #ff00ff;">parto natural</span>. Ela foi impecável, disse que compreendia perfeitamente que certas práticas não ajudam em nada o processo de parto, como estar continuamente ligada ao CTG sem nos podermos mover e parir na posição deitada. Contudo, também foi honesta comigo e disse-me que em Portugal o parto ainda é muito medicalizado e que o melhor era eu ir de mente aberta e tentar chegar à maternidade já com o trabalho de parto adiantado. Aqui tive praticamente a confirmação daquilo que mais temia, que esta maternidade não é muito diferente das outras no que diz respeito aos procedimentos durante o parto, o que me deixou ainda mais desanimada.<br />
</em></p>
<p><em>Na 2ª consulta, às 40 semanas, fui vista por outra obstetra e também estava presente um médico mais novo. Senti-me pouco à vontade e a verdade é que contava ser observada pela médica da 1ª consulta. A obstetra mandou-me tirar a roupa, mas como estava atrapalhada com esta nova situação não a tirei imediatamente, então ela lá repetiu, mas sempre com pressa, para eu me despachar que ela ainda tinha muitas grávidas para ver!! Eu claro cedi, sentindo-me um pouco humilhada e desrespeitada; é incrível como naquele momento nos conseguem reduzir a algo insignificante e nós nos submetemos! O toque foi muito doloroso, este procedimento sempre foi muito difícil para mim, mas esta médica conseguiu torná-lo ainda pior. Sem me perguntar nada, durante o toque disse que ia fazer mais qualquer coisa (penso que ela estava a tentar acelerar o início do trabalho de parto). Fiquei atónita com esta atitude: entra dentro do meu corpo, magoa-me e nem sequer me pergunta se pode ou não acelerar o processo, achando que tem pleno direito e poder sobre mim?! Senti-me violentada, estava a doer-me muito, pedi-lhe que parasse, que não queria que ela fizesse aquilo. Nem sei como, mas ela parou. Depois começou a falar sobre a indução do parto e eu disse que não queria induzir, preferia esperar. A médica disse então que eu teria que assinar um papel e respondi que assinava, que não havia problema desde que estivesse tudo bem com o bebé e comigo. Aqui ela diz: &#8220;Tudo bem, não!&#8221; e começa a falar que a partir das 41 semanas não se pode esperar mais tempo, pois o risco de morbilidade para o feto aumenta, etc e marcou-me uma consulta para daí a 3 dias, onde se falaria melhor sobre este assunto. Fiquei com a sensação que ela não esperava que eu dissesse que assinava o termo de responsabilidade, e depois de certa forma tentou assustar-me para que eu acabasse por ceder à indução.<br />
</em></p>
<p><em>Também era suposto fazerem-me uma ecografia nesta consulta, a pedido da 1ª médica, mas nesse dia não havia ecografistas. Talvez tenha sido melhor assim, pois tenho o pressentimento que poderiam ter tentado arranjar algum motivo, através da ecografia, para me induzirem o parto.  Mais uma vez saí da maternidade muito fragilizada; uma sra. muito simpática, que ia a passar na rua, até me perguntou se eu estava a sentir-me bem e se precisava de alguma coisa. Eu tentei ser discreta, mas simplesmente não conseguia controlar as lágrimas. Fiquei cheia de dores devido ao toque, mas o que mais me doía era a alma!<br />
</em></p>
<p><em>Entretanto éramos acompanhados pela <span style="color: #ff00ff;">nossa querida </span><span style="color: #ff00ff;">doula</span>, que nos ajudava com os nossos medos, sempre com <span style="color: #ff00ff;"><span style="color: #ff00ff;">doces e </span>sábias palavras</span>. E a minha grande dúvida nesta altura, era ter que escolher entre o meu marido e a <span style="color: #ff00ff;">nossa doula</span> para ser o meu acompanhante no parto. Para mim não fazia sentido não poder ter os 2 comigo, <span style="color: #ff00ff;">o meu marido é o </span><span style="color: #ff00ff;">homem que</span> <span style="color: #ff00ff;">amo</span><span style="color: #ff00ff;">, o meu pilar, o </span><span style="color: #ff00ff;">pai</span><span style="color: #ff00ff;"> do meu bebé, ele é </span><span style="color: #ff00ff;">parte indispensável</span> neste processo; a R. era o nosso apoio que nos trazia tanta <span style="color: #ff00ff;">calma</span>, <span style="color: #ff00ff;">paz</span> e <span style="color: #ff00ff;">serenidade</span>, a sua <span style="color: #ff00ff;">energia feminina</span> seria essencial, para mim ela representaria físicamente todas as mulheres que eu desejava ter comigo no <span style="color: #ff00ff;">Meu Parto</span>.<br />
</em></p>
<p><em>Desde as 35-36 semanas que já sentia contracções e sempre pensei que o nosso bebé iria nascer às 37-38, pois nessa altura começaram a ser mais frequentes e mais intensas. Mas a partir das 38 semanas, as contracções começaram a diminuir e eu percebi perfeitamente o motivo, eu simplesmente não estava preparada, pois não conseguia aceitar que o nosso bebé iria nascer numa maternidade que ainda não entende o conceito de <span style="color: #000000;">parto humanizado</span>. Sentia muito medo de todos os procedimentos médicos e principalmente ficava desesperada quando imaginava aqueles pelos quais o nosso bebé iria ter que passar.</em></p>
<p><em>M.J.</em></p>
<p><em>(continua)</em>
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		<title>Testemunho de Parto da Denise &#8211; Brasil</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Aug 2010 09:54:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rituais Maternos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Testemunhos de Partos]]></category>
		<category><![CDATA[Testemunhos]]></category>

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		<description><![CDATA[ENTRANDO EM TRABALHO DE PARTO As contrações vinham aumentando a cada dia, já estava com mais de 39 semanas e conversava com a minha bebê que ela já podia nascer, pois estava chegando o carnaval, a data prevista e a pressão dos familiares e médico também crescia. Na segunda feira fui à consulta com o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>ENTRANDO EM TRABALHO DE PARTO</strong></em></p>
<p><em>As contrações vinham aumentando a cada dia, já estava com mais de 39 semanas e conversava com a minha bebê que ela já podia nascer, pois estava chegando o carnaval, a data prevista e a pressão dos familiares e médico também crescia.<br />
</em></p>
<p><em>Na segunda feira fui à consulta com o ginecologista do meu convênio, Dr. Marcelo, que acompanhou todo o meu pré-natal, e ele quis fazer um exame de toque, para saber &#8220;se ia demorar ou não&#8221;. Logo de início resisti argumentando que como ainda não estava em trabalho de parto o exame era desnecessário, mas depois cedi pra não criar confusão. Resultado: colo do útero fechado, sem dilatação. Então, &#8220;não dá pra saber, né? Volta no dia 15&#8243;. Saí correndo para uma consulta em uma pediatra que possivelmente faria a recepção do parto, caso eu fosse para a maternidade. Uma demooora pra ser atendida, foi ali que entrei em trabalho de parto, agora sei, no dia pensei só que fosse cansaço, preocupação e o exame incômodo.<br />
</em></p>
<p><em>Mas a bebê estava muito agitada e as contrações, já constantes, estavam um pouco doloridas&#8230; mas muito leves&#8230; A pediatra não me esperou nem dar boa tarde, já passou uma lista de remédios caso isso, como aquilo, até complementação de leite ela passou! (fiquei pasma!)<br />
</em></p>
<p><em>Depois de uns 10 minutos falando sem parar ela soltou &#8220;Ah, nem perguntei se era seu primeiro filho, né? Você tem alguma dúvida?&#8221; E eu bem tonta, que na verdade estava ali era procurando uma indicação de um pediatra que pudesse acompanhar o parto na minha casa, perguntei: &#8220;como é a recepção?&#8221;<br />
</em></p>
<p><em>Besteira minha perguntar, depois de ouvir que &#8220;felizmente hoje a recepção é feita longe da mãe, e o pai também não acompanha porque tem uma hora, que se faz uma aspiração profunda,  que normalmente é a hora que as pessoas passam mal&#8221;, eu é que saí de lá passando mal! </em></p>
<p><em>Quem assiste passa mal, e a criança??? Chorava pra minha mãe, &#8220;não quero ir pro hospitaaaal&#8221;&#8230;<br />
</em></p>
<p><em>Até dezembro a gente ainda achava que ia conseguir se mudar para Bahia, o Cauê falava que  o bebê ia nascer no rio lá no meio da Chapada Diamantina e eu, &#8220;por favor, água quentinha&#8221;&#8230; Fazia apenas 20 dias que nós havíamos alugado uma casa, uma correria só&#8230; então, poucos dias antes tinha ido me encontrar com a Dra. Mariele pra conversar sobre a possibilidade dela atender ao parto na minha casa, particular&#8230; Depois de tentar me convencer a ir para o hospital que ela atende, concordou desde que eu arrumasse um pediatra para fazer a recepção. E eu entrei em trabalho de parto procurando o tal pediatra&#8230;<br />
</em></p>
<p><em>Cheguei em casa, muito cansada&#8230; nem quis ler um trecho de um livro que o Cauê pediu&#8230; dormi&#8230;</em></p>
<p><em><strong>ENTRANDO MEEEESMO EM TRABALHO DE PARTO</strong></em></p>
<p><em>Acordei pra fazer xixi, a barriga duura&#8230;voltei a dormir, acordei de novo, a barriga duuuura, xixi, tornei deitar&#8230; na sequência, pô, de novo? xixi, a barriga duuuuuuuura e um pouco dolorida e um sinal rosinha de sangue no papel higiênico&#8230; pensei: &#8220;dia 09/02 aniversário do tio Junior, é hoje!&#8221;, eram 4 e 36 da madrugada, não podia mais dormir! meu intestino começou a funcionar e fui cronometrar as contrações, intervalos de 3 ou quase 3 minutos, duração de 40 a 50 segundos&#8230; e já comecei a reclamar&#8230; o Cauê acordou: &#8220;o que é que você tá gemendo aí?&#8221; e veio a resposta: &#8220;vai nascer!&#8221;<br />
</em></p>
<p><em>Então pegamos as coisas e fomos pra edícula que tem no fundo de casa, coloquei o colchão no chão da sala que fica vazia para práticas de yoga. </em></p>
<p><em>Vimos o sol daquele dia nascer&#8230; Enquanto o Cauê arrumava o rodinho, limpava tudo, inflava a banheira eu revezava entre o colchão e o chuveiro. </em></p>
<p><em>A água quentinha batendo na lombar era um alívio para as contrações! </em></p>
<p><em>Quando eu achava que ia acabar com toda a água do mundo, ia um pouco pro colchão e deitava de lado, tentando descansar ou ficava de cócoras com os joelhos apoiados.<br />
</em></p>
<p><em>Eu achava que o parto seria uma festa, né? Queria alguém pra tirar fotos, minhas amigas, mãe&#8230; mas que nada, na hora não queria ninguém&#8230; me interiorizava mais e mais&#8230; E gritava também! Não fiquei inibida pra gritar, mesmo porque iria atrapalhar o processo, mas até a vizinha veio chamar, perguntar se precisava de ajuda&#8230;<br />
</em></p>
<p><em>O Cauê foi tentar encher a banheira com a água quente do chuveiro, mas ia demorar muito, então eu disse pra ele encher com a mangueira e ir fervendo umas panelas de água no fogão&#8230; Ele estava perdido, até foi regar as plantas&#8230; eu achei engraçado, mas queria mesmo ficar sozinha&#8230; então as contrações foram se intensificando (e os berros também)&#8230; o Cauê perguntou uma vez: &#8220;viu, não tá na hora de chamar a médica?&#8221;, e eu, &#8220;já já eu ligo, no próximo intervalo&#8221; (como se fosse novela, né?), daqui a pouco ele de novo: &#8220;não tá na hora de chamar a médica?&#8221;. </em></p>
<p><em>Quando ele perguntou pela terceira vez eu disse: &#8220;liga, liga pra ela&#8221;. Não tinha mais intervalo nem cabeça pra ligar&#8230; e falar no telefone ainda! </em></p>
<p><em>Fiquei pensando o que eu ia responder se ela perguntasse do pediatra!<br />
</em></p>
<p><em>Então ele ligou, duas vezes sem resposta&#8230; Na terceira ela atendeu e ele disse: &#8220;você pode vir ? Se não a gente vai pro hospital&#8221;&#8230; Eu já tinha pedido pra ele colocar o carro na rua, caso a gente tivesse que fazer uma remoção pro hospital, nessa hora ele deve ter pensado &#8220;ih, ela vai dar pra trás&#8221;! Ela perguntou como estavam as contrações, &#8220;uma atrás da outra e tô começando a ficar com vontade de fazer força&#8221;&#8230; Como é a sincronicidade! Ela tinha acabado de sair da natação com o bebê dela, não ia atender, passou na casa da mãe, deixou o pequeno com ela e emprestou o carro. Passou no hospital, pegou uma caixa de parto e rapidinho chegou em casa. Na hora que ela chegou ela me viu e disse &#8220;tá difícil, né&#8221;&#8230; A fase de transição é dose, viu&#8230; pra mim, foram os momentos mais difíceis mesmo&#8230; Ouviu o coração da bebê que estava bem e pediu pra eu deitar pra fazer o exame de toque. Deitar de barriga pra cima foi a pior posição! Era muito incômoda e a dor aumentava! </em></p>
<p><em>Felizmente estava com 9 de dilatação, quase total! Ufa, imagino que se ela dissesse que tava pouco ainda eu ia ficar muito desanimada&#8230; E ainda com a bolsa íntegra, mas logo ela rompeu acelerando o expulsivo. Já tinha mecônio, verde clarinho. A Dra falou que as contrações iam ficar diferentes e realmente, a vontade de fazer força aumentou. A Mariele perguntou do pediatra e eu só abanei a cabeça negativamente e ufa, ela disse &#8220;tudo bem&#8221;&#8230; Então ela perguntou da banheira, ali cheia, liiinda, brilhando na luz do sol&#8230; mas calcule, a água estava fria! Imaginei que o Cauê ao invés de colocar todas as bocas do fogão pra funcionar tinha colocado só uma panela e fervia, ia lá na banheira, jogava, enchia a mesma panelinha (hahaha) e agora, escrevendo esse relato eu fui perguntar pra ele e a resposta: &#8220;a gente não tinha tantas panelas assim&#8221;&#8230; ótima resposta, não é?</em></p>
<p><em><strong>O NASCIMENTO</strong></em></p>
<p><em>Verão, uma semana antes do Carnaval, pleno meio dia e eu ali debaixo de um telhado de fibrocimento! Sim, o calor tava demais! Entrei na banheira e para mim a temperatura da água era incrivelmente maravilhosa. Eu fazia força nas contrações e o Cauê me fazia massagem, essencial contar com o apoio dele em todos os momentos. A Dra perguntou se eu não queria entoar um mantra, e eu pensei um pouco e respondi: &#8220;Não!&#8221;. Já podia sentir a cabeça da Anahí descendo e tocar seus cabelos! E descendo mais, a Dra Mariele pressionou o períneo para ajudar a não lacerar e a coroar. Eu lembro que a Dra falou alguma coisa, como &#8220;uma força de Deus que vai trazer a sua filha&#8221;. E eu pude ouvir o mantra &#8220;Ma Durga, Ma Durga&#8221;, a sincronicidade com arquétipo da força feminina. Então, força e apareceu a cabecinha dela, eu já podia ver, debaixo da água, mas a contração parou e eu parei. E vem de novo&#8230; força e nasceu! Como explicar o inexplicável, dizer o indizível? A certeza de que a vida não era mais minha, só existia aquele Ser! A Dra Mariele desfez a circular de cordão frouxa que tinha e a colocou nos meus braços, um momento em que tudo clareou, a luz do dia, da vida brilhava tão forte e eu só conseguia enxergar aquela criatura tão pequena e linda, muito linda, ali em minhas mãos&#8230; 12:38 a Dra Mariele marcou, clampeou logo o cordão e o Cauê cortou pois a bebê precisava se aquecer rapidamente. Ele correu buscar um aquecedorzinho pra ela que ficou enrolada nos paninhos enquanto eu tentava sair da banheira (!). No fim, nasceu na água fria, como o pai queria. Consegui sair da banheira e deitar-me com a Anahí ao seio, veio a contração e a placenta saiu. Não foi preciso dar pontos pois tive lacerações mínimas, de 1º grau. Depois o Cauê me ajudou a tomar banho enquanto a Dra Mariele vestia a roupinha de &#8220;saída da maternidade&#8221; que minha mãe tinha comprado. Quando eu saí da edícula com a Anahí nos braços caminhando para dentro de casa chegavam minha mãe e avó, de braços dados! Emoção, que só pode ser sentida e difícil de caber nas palavras&#8230;  Não tem fotos do parto, mas logo foram registrados os primeiros momentos de toda a família conhecer a pequena&#8230;  Foram chegando avô, bisavó, tio, amigos, e todos encantaram-se com a nossa bela flor do céu: Anahí.</em></p>
<p style="text-align: center;"><em><a href="http://www.rituaismaternos.com/wp-content/uploads/2010/08/MG_2637.jpg"><img class="size-full wp-image-2467  aligncenter" title="_MG_2637" src="http://www.rituaismaternos.com/wp-content/uploads/2010/08/MG_2637.jpg" alt="" width="320" height="213" /></a></em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Precisa escrever que foi o dia mais feliz da minha vida??</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Tá na cara!!</em></p>
<p style="text-align: center;"><em><a href="http://www.rituaismaternos.com/wp-content/uploads/2010/08/DSC00216.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-2471" title="DSC00216" src="http://www.rituaismaternos.com/wp-content/uploads/2010/08/DSC00216.jpg" alt="" width="320" height="214" /></a></em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Momentos compartilhados com muito amor&#8230;</em></p>
<p style="text-align: center;"><em><a href="http://www.rituaismaternos.com/wp-content/uploads/2010/08/MG_2564.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-2466" title="_MG_2564" src="http://www.rituaismaternos.com/wp-content/uploads/2010/08/MG_2564.jpg" alt="" width="320" height="213" /></a></em></p>
<p style="text-align: center;"><em>e muita emoção!!</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>(Fotos de Fernanda Vasconcelos)<br />
</em></p>
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