Durante quanto tempo amamentou? – Inquérito
Mais um inquérito do blog em que fiquei muito contente com o resultado final. 37% das mães votaram que amamentaram ou pretendem amamentar os seus filhos durante mais de 2 anos. Parece um valor baixo, mas se tivermos em conta que 20% e 16% das mães votaram em 1 ano e mais de 1 ano, respectivamente, então penso que há razões para comemorar!
Em relação às mães que amamentaram durante menos de 6 meses (10%), talvez fosse interessante perceber qual o motivo, se foi por livre escolha ou se existiu um motivo mais forte.
Parabéns a todas as mamãs que amamentaram, independentemente do tempo que durou a amamentação!
Aproveito e deixo aqui um excerto do artigo “Amamentar até quando?”, escrito pela Ana Esteves para a revista IOL Mãe (2008/04/01):
“A Organização Mundial de Saúde recomenda o leite materno como alimento exclusivo até aos seis meses de idade do bebé e depois disso, como complemento da alimentação, até aos dois anos. Mas a perspectiva de ver mamar um bebé que já anda e já fala é, para muita gente, assustadora ou até obscena. E surgem observações sobre os possíveis traumas que essa situação pode trazer para as crianças. Parece que foi há milénios que o normal era amamentar as crianças até terem um ano ou dois. Mas não. Estima-se que no início do século XX, 58 por cento dos bebés eram amamentados para além dos 12 meses.
Hoje a realidade é bem diferente, mas assiste-se a um regresso lento ao aleitamento materno. A tendência é para que cada vez mais mães amamentem e por períodos cada vez mais longos. E, então, muitas delas perguntam-se: até quando?
Benefícios para a mãe e para o bebé: quanto mais tempo melhor
«A amamentação tem um efeito dose-resposta, ou seja, quanto mais tempo se der de mamar, maiores serão os benefícios», afirma Leonor Levy, pediatra, professora na Faculdade de Medicina de Lisboa e uma das autoras do Manual de Aleitamento Materno (com distribuição gratuita nos Centros de Saúde de todo o país).
Cada par mãe-bebé terá de encontrar a sua resposta à questão “até quando amamentar?” – de preferência livres de pressões exteriores. Um critério possível é seguir os conselhos do pediatra ou médico assistente do bebé, mas convém saber que, nesta matéria, não há consenso. A Academia Americana de Pediatria recomenda a amamentação pelo menos até aos doze meses e, a partir daí, enquanto a mãe e o bebé desejarem. Esta parece não ser ainda a «bitola» da generalidade dos pediatras portugueses. Quanto à recomendação da OMS, que a UNICEF reitera baseada em estudos recentes sobre os benefícios da amamentação prolongada, é vista por cá como sendo dirigida sobretudo aos países em desenvolvimento, onde a mortalidade infantil aumentará brutalmente se as taxas de amamentação diminuírem.
Não há regras
Para Leonor Levy, mais do que pôr limites, «interessa ajudar a mãe a cumprir o seu projecto. Hoje, as mães que trabalham têm direito a optar por uma licença de parto de cinco meses (com o vencimento a 80%). No caso de poderem juntar à licença um mês de férias, podem ficar com o bebé até aos seis meses. Se dar de mamar até aos seis meses em exclusivo é o seu projecto, já podem fazê-lo. A nossa obrigação, enquanto profissionais de saúde, é ajudá-las a cumprir esse projecto».
Cristina Leite, moderadora da La Leche League, subscreve esta posição, afirmando que não há regras. «O que a mãe sente deve ser mais importante do que tudo o resto, mas na nossa sociedade o que ela sente é muito condicionado». «Nas reuniões da La Leche League nunca dizemos “tem de ser assim”. A ideia é que cada pessoa descubra como quer fazer e que tenha algum apoio. Ninguém é melhor ou pior mãe por dar de mamar mais ou menos tempo e não deve haver pressões em nenhum sentido».
Partindo deste pressuposto, o que dizer às mães que continuam a amamentar para além dos seis meses? Desde logo, que o leite materno continua a ter, do ponto de vista físico, benefícios importantes para o seu bebé. Factores imunológicos, benefícios para o desenvolvimento neurológico, diminuição de riscos de infecções continuam a ser vantagens para quem mama até mais tarde. Mas, nas palavras de Cristina Leite, «ninguém dá de mamar até aos dois anos do bebé só porque os investigadores afirmam que é o melhor para o desenvolvimento do sistema nervoso central. É preciso que tanto a mãe como o bebé queiram.» (…)
O desmame tardio pode ter consequências negativas?
Para as mães que amamentam para além dos seis meses, essa é sem dúvida uma experiência agradável e positiva. E, ao contrário do que se possa pensar, este não é um privilégio que só alguns podem ter. Nem só as mães que não trabalham fora de casa podem optar por continuar a amamentar.
Depois da introdução dos alimentos sólidos, e mesmo estando a mãe longe do bebé o dia inteiro, é possível continuar a dar de mamar duas ou três vezes por dia, de manhã e à noite. Esta rotina, que pode manter-se durante muitos meses, é reconfortante para o bebé, mas também para a mãe. (…)
Cristina Leite baseia-se em toda a informação que a La Leche League disponibiliza, mas também em toda a experiência como moderadora de reuniões com mães que amamentam, para responder peremptoriamente: «Não! Não há quaisquer consequências negativas por uma criança ter dois anos e mamar. Pelo contrário, pode tornar-se mais segura e confiante. É um miminho.» (…)”
Podem ler o artigo completo aqui.
Filed under: Inquéritos do Blog on Dezembro 21st, 2009





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