“E o tempo para brincar?”
“As crianças trabalham hoje 40 a 45 horas semanais. A investigadora Maria José Araújo alerta para esta sobrecarga e as suas consequências no novo livro «Crianças Ocupadas – Como algumas opções erradas estão a prejudicar os nossos filhos».
Que opções erradas estão a prejudicar os nossos filhos? São opções dos pais ou do sistema educativo?
Estamos a sobrecarregar muito as crianças em função da socialização escolar para resolver problemas que são dos adultos e não das crianças. Não acho que seja preciso arranjar culpados. Temos é de perceber o que andamos a fazer e respeitar o tempo da infância como um tempo que tem de ser vivido em função dos interesses das crianças e não dos problemas dos adultos. (…)
As AEC (actividades extra-curriculares) tornaram-se mais aulas? Pensa que o conceito está errado, que estão a ser mal aplicadas ou que nem deviam existir?
As AEC resultam de uma medida recente. Todas as medidas precisam de um tempo para ser avaliadas. A questão não é se devem ou não existir, porque isso depende das actividades, da forma como são feitas, das próprias crianças e do conceito que os adultos têm do que é ser criança. O que eu digo é que depois de um dia de escola as crianças têm direito a um período de descanso. Têm direito a brincar. (…)
O tempo livremente ocupado, se a criança quer frequentar actividades fora da escola, como natação ou piano, não é uma sobrecarga?
Se forem as crianças a escolher, não é tão cansativo. As crianças gostam de fazer actividades, tudo depende da forma como fazem. Algumas das crianças com quem trabalhei e ainda trabalho, referem que frequentam actividades que são escolhidas pelos pais e que assim não têm tempo para brincar. (…)
Diz que, a pensar no futuro, os adultos estão a hipotecar o presente dos filhos. Será por convicção ou porque não têm opção?
De uma maneira geral os pais vivem ansiosos com o futuro das crianças e esquecem-se que elas têm de ter um presente. Têm de ser crianças… Como estão muito preocupados com o futuro acham que se as crianças trabalharem muito vão ter mais sucesso. Mas, na verdade, mesmo considerando que atribuir às crianças mais trabalho é para seu bem, e que mais formação dá sempre mais emprego, o trabalho escolar formal não deveria ter uma carga horária tão ou mais pesada do que a que tem a ocupação laboral para os adultos. (…)
Que alternativa têm os pais que saem de manhã cedo para trabalhar, deixando as crianças no ATL e só voltam a estar com elas ao final da tarde? Que conselhos lhes daria?
Os pais sabem bem o que é melhor para os seus filhos. As crianças são todas diferentes. O diálogo entre crianças e adultos, tentando perceber o que uns e outros gostam e querem fazer, é sempre uma opção que promove bem estar. Ouvir as crianças é fundamental. (…)“
Texto: Ana Esteves
Revista IOL Mãe
2009/11/06
Podem ler a entrevista completa aqui.
Filed under: Educação/Pedagogia on Janeiro 13th, 2010





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