Entrevista com a Parteira Verena Schmid
“Perdeu a conta aos partos a que assistiu em 25 anos. Sempre fora do hospital. Verena Schmid, fundadora da Escola Elementar da Arte de Partejar, em Itália, é defensora acérrima do parto em casa. Diz-lhe a experiência que, para ajudar uma mulher a dar à luz, é preciso conhecer as suas forças e as suas fraquezas. E, para isso, o mais importante é saber escutá-la.
Que tipo de formação precisam as parteiras de ter para acompanhar partos em casa?
Precisam de voltar ao modelo de cuidado das parteiras, que consiste em olhar para a mulher do ponto de vista da saúde e não da patologia. E precisam de seguir a mulher durante a gravidez, caso contrário não conhecem os seus recursos. Isso para nós é uma condição. Não assistimos um parto em casa sem seguir a gravidez. Sem saber quais são as forças e as fraquezas da mulher. Nós aprendemos a usar as mãos para ver onde está o bebé, como está a crescer e como está a mulher a adaptar-se. Se houver algum problema, procuramos ajuda médica apropriada e trabalhamos em conjunto. Mas apenas cerca de 10 por cento das mulheres precisa de cuidados médicos. O problema é que as parteiras de todo o mundo estão treinadas para o modelo médico. Por isso, só falam de riscos, de intervenções, etc. E o que vemos em todo o mundo é que os partos estão a tornar-se cada vez menos saudáveis devido ao sistema médico. A maior parte das mulheres é sujeita a episiotomia, epidural, cesariana. Isto não é saúde. Assim, a maioria das gravidezes está agora em risco, não por serem de risco, mas porque se tornaram de risco devido à intervenção médica.
Quais são os verdadeiros riscos de um parto em casa?
Todas as mulheres saudáveis podem ter um parto em casa. As evidências científicas actuais dizem que as mulheres grávidas saudáveis devem ser afastadas dos grandes hospitais e ser vigiadas através de cuidados básicos.
Porque o processo fisiológico normal é seguro. Interromper este processo é que é um risco. Claro que a parteira tem de estar atenta aos sinais de risco e se a mulher precisar de cuidados médicos deverá ser transferida para o hospital, mas o parto em casa é seguro. Claro que não assisto uma mulher que tem diabetes, hipertensão ou outro problema de saúde, ou que não sente que tem as capacidades necessárias. Mas essas são muito poucas.
Falou-me há pouco de ser a segunda parteira. Deve haver mais do que uma parteira no parto em casa?
É mais seguro. Trabalhamos em equipa. Os nascimentos podem demorar muito tempo. Se passo dois dias com uma mulher em trabalho de parto fico muito cansada e não consigo estar atenta a tudo. Se formos duas, podemos alternar e descansar. Se houver uma emergência em casa, é sempre melhor estarem presentes duas profissionais de saúde. Enquanto uma chama o médico, a outra fica com a mãe ou com o bebé. Preferimos ser duas. Às vezes, começa uma e a outra só chega durante a segunda fase do trabalho de parto, outras vezes estamos as duas.
Que ferramentas é que uma parteira precisa para acompanhar um parto em casa?
Precisa de saber usar as mãos, de poder de observação e precisa de conhecer o funcionamento do processo fisiológico. Se for um parto normal, a parteira pode seguir a evolução do trabalho de parto apenas ouvindo e observando a mulher, sem toques vaginais ou outras intervenções. Basta estar atenta ao comportamento da mulher, aos seus sons, aos seus movimentos, para saber de onde vem a dor e em que fase está o parto. E a mulher, assim, está sempre livre para se movimentar. Outra coisa muito importante, é que o parceiro pode estar sempre com a grávida no seu quarto. O parto pode ser um evento muito sexual e o casal precisa da sua privacidade. A parteira pode estar num quarto ao lado e só ser chamada quando a sua presença for necessária. Mas, claro, que se sentir que algo não está bem vai lá e avalia a situação”.
Texto: Patrícia Lamúrias
Revista PAIS & Filhos
24 Março 2009
Podem ler o artigo completo aqui.
Filed under: Parto Domiciliar on Abril 28th, 2009





Já tinha visto o tópico na Pais e Filhos, achei sem dúvida muito interessante. Em Portugal temos as doulas, mas não creio que tenhamos parteiras pois não? Ou seja, por cá a parteira é sempre uma enfermeira. Estou enganada?
Olá Nádia!
É importante referir que as doulas são acompanhantes que informam e dão apoio emocional. No entanto elas não fazem qualquer procedimento médico. Isso é trabalho para a parteira, ela é que está qualificada para isso.
E sim, em Portugal as parteiras são sempre enfermeiras. Pelo menos não tenho conhecimento de existirem parteiras sem serem enfermeiras (só no tempo das nossas avós!).
MJ
Eu penso que em Espanha existem parteiras, mas em Portugal de facto nem sei se existem pessoas fora do ambiente Médico aptas para fazerem um parto.
estou gravida de 5 meses e tenho andando a pesquisar alternativas aos partos hospitalares, e gostei muito desta entrevista. mas não posso deixar de dizer que tenho algum medo destes metodos tao longe daquilo a que estamos habituadas. sera que se alguma coisa correr mal vamos realmente a tempo de ir para o hospital e fazer alguma coisa? sera que esse risco vale a pena?
Ao ler artigos destes penso começo a perceber do buraco em nos encontramos neste país.
Olá Vanessa!
Eu penso que é muito natural sentir esse medo.
O ideal seria informar-se com uma doula e uma enfermeira parteira, para estar mais consciente das suas escolhas.
Desejo-lhe uma boa gravidez e um parto maravilhoso.
MJ
Juliana,
Fico contente por saber que através do meu blog, as pessoas começam a perceber que algumas coisas não estão bem e que é preciso haver mudança.
MJ
obrigada MJ, alguma sugestao?
Vanessa,
Sugiro-lhe que procure uma doula no site das Doulas de Portugal. Veja quais são as doulas que actuam na sua área de residência e marque um encontro informal para se conhecerem. É importante que sinta empatia, por isso se não acertar à 1ª, marque um novo encontro com outra doula.
MJ
MJ, conheçe alguma que actue na zona de Evora?
Guilu93,
Pessoalmente não conheço, mas se for ao site da Associação das Doulas de Portugal encontra duas doulas que acompanham grávidas na zona de Évora.
MJ