“Episiotomia – Uso generalizado versus selectivo”

Esta é a conclusão de um artigo de revisão da Acta Médica Portuguesa de 2003, cujo título é Episiotomia – Uso generalizado  versus selectivo:

(…) O uso profiláctico/rotineiro da episiotomia continua a ser praticado frequentemente apesar da ausência de evidência científica que suporte o seu benefício. Pelo contrário, existe mesmo uma evidência clara de que a episiotomia pode trazer algumas sequelas.

Desta revisão ressalta que a episiotomia não cumpre a maioria dos objectivos pelos quais é justificada a sua utilização. Não só não diminui o risco de lesão do períneo, sob a forma de roturas de grau III e IV, como, inclusive, as suas complicações podem agravar ainda mais estas lesões. Não previne o desenvolvimento do relaxamento pélvico como também não tem impacto sobre a morbilidade ou mortalidade fetal. Na verdade, os riscos associados ao seu uso são significativos e levam-nos a ponderar se perante esta ausência de suporte científico é correcto praticar um acto para o qual não se encontram benefícios que o justifiquem!

A comparação entre o uso generalizado versus selectivo mostra que o último tem melhores resultados, estando associado a uma maior percentagem de períneos intactos e em que o único resultado negativo observado é o aumento do número de lacerações vaginais, em especial as anteriores, cujas repercussões a longo prazo são, até à data, incertas.

À luz da evidência disponível, é recomendada a realização selectiva da episiotomia, sendo 30% o valor sugerido por alguns autores14 para a sua incidência. No entanto, é importante apostar no uso de técnicas não cirúrgicas52-55 que permitam uma distensão perineal progressiva, de modo a promover a integridade perineal, principalmente porque, a ideia de que um segundo estádio do TP prolongado seja prejudicial para o feto, é questionável e aparentemente deva ser abandonada.

A dúvida centra-se, agora, na definição das indicações para o seu uso selectivo. Para responder a esta questão mais estudos prospectivos e randomizados são imprescindíveis e eticamente necessários. Até os seus resultados serem conhecidos parece-nos correcto afirmar que o seu uso deve ser ponderado e baseado em decisões caso a caso.

Para quem estiver interessado em ler o artigo completo, aqui fica o link: http://www.actamedicaportuguesa.com/pdf/2003-16/6/447%20454.pdf

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