“Eu cuido do bebé, tu brincas com o carro”

Apesar de achar que as crianças não são todas iguais no que diz respeito às escolhas dos brinquedos e que, do meu ponto de vista, não é isso que vai determinar, à partida, as suas aptidões na vida adulta, confesso que achei interessante este estudo, pois dá-nos uma razão biológica, ancestral, que de facto faz muito sentido (pelo menos para mim):)

Todos os pais sabem que é verdade: as meninas adoram brincar com bebés e os rapazes costumam virar-se para os carros. Estas preferências são vincadas muitas vezes ainda a criança não completou um ano. Um estudo confirma agora que não é imaginação dos pais – há de facto diferenças muito precoces entre meninas e meninos na escolha dos brinquedos – e sugere que há razões biológicas por trás destas escolhas.

Investigadores da City University London decidiram avaliar as escolhas livres de 90 bebés com idades entre os nove e os 36 meses. As crianças podiam escolher entre sete brinquedos: alguns tipicamente chamados «de rapaz», como um carro, uma escavadora, uma bola e um ursinho azul; outros tipicamente de menina, como um ursinho rosa, uma boneca ou um conjunto de cozinha.

Os bebés foram colocados a um metro de todos os brinquedos, tendo assim igual acesso a qualquer deles. As suas primeiras escolhas, bem como o tempo passado a brincar com cada um dos brinquedos (durante três minutos) foram registados. Para que conste:

- entre os nove e os catorze meses, os rapazes passaram muito mais tempo a brincar com a bola e com o carro do que as raparigas. Estas, por seu lado, passaram bastante mais tempo a brincar com a boneca do que eles;

- entre os dois e os três anos, as raparigas passaram metade do tempo com a boneca. Os rapazes passaram quase 90 por cento do tempo a brincar com o carro e a escavadora, nos quais as raparigas quase não tocaram. Entre os rapazes, apenas dois tocaram de passagem na boneca;

- os rapazes não demonstraram qualquer preferência pela cor azul porque também não demonstraram qualquer interesse nos ursos de peluche. As meninas revelaram mais interesse por este clássico, sobretudo as mais novas.

Os resultados revelaram que existem tendências intrínsecas na escolha dos brinquedos que podem sugerir motivações de ordem biológica. Ou seja, se os rapazes escolhem brinquedos que sugerem movimento e as raparigas brinquedos que pedem protecção e cuidado, não estará essa escolha relacionada com as origens da humanidade? Eles crescem para sair, para procurar alimento, com instintos de caçador, ao passo que elas crescem com instintos protectores, prontas para cuidar das crias.

De sublinhar que não se verificou uma relação entre as escolhas das crianças e os brinquedos que os pais consideram mais apropriados para raparigas e rapazes, por um lado, ou os papéis que desempenham na rotina familiar, por outro. Claro que as crianças estão sujeitas a muitos constrangimentos culturais e os pais passam para elas, mesmo inconscientemente, muitas expectativas relativamente ao género, mas parece haver de facto diferenças muito marcadas desde muito cedo.

As conclusões vão ao encontro das de outro estudo, realizado em 2001, que avaliou o grau de atenção de recém-nascidos com apenas um dia de vida face a vários brinquedos. Os rapazes já passavam mais tempo a olhar objectos com movimento, enquanto elas preferiam contemplar aqueles que tinham face.

Os resultados do estudo foram apresentados no Reino Unido, na conferência anual da British Psychological Society’s, em Stratford, Avon.

Revista IOL Mãe
2010/04/16

One Response to ““Eu cuido do bebé, tu brincas com o carro””

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