“Excesso de alcaçuz perigoso na gestação”

Desenvolvimento cerebral do feto e comportamento infantil podem ser afectados.

As mulheres grávidas que consumam quantidades significativas de alcaçuz durante a gestação podem estar a afectar negativamente as capacidades intelectuais e comportamentais do seu bebé, afirmam investigadores das universidades de Edimburgo (Escócia) e Helsínquia (Finlândia).

O alcaçuz é uma substância extraída da raíz da planta com o mesmo nome e é uma substância largamente utilizada na indústria alimentar, com destaque para os produtos de confeitaria.

Os cientistas acompanharam 320 crianças até aos oito anos e descobriram que as mais expostas à glicirrizina – a principal componente do alcaçuz – apresentam piores resultados nos testes que avaliam as capacidades académicas e são tidas como mais problemáticas em termos comportamentais, de acordo com as próprias famílias. Segundo os investigadores, na origem destes fenómenos pode estar o mau funcionamento da placenta, a qual, sob o efeito de altas doses de glicirrizina, deixa de actuar como filtro das hormonas de stresse, que assim passam mais facilmente da mãe para o bebé.

Estudos anteriores ligaram estas hormonas, conhecidas como glucocorticóides, a dificuldades no desenvolvimento cerebral do feto e a problemas comportamentais durante a infância. Os resultados agora obtidos «mostram a importância da placenta na travagem das hormonas que podem afectar o desenvolvimento cognitivo», afirma Jonathan Seckl, professor da Universidade de Edimburgo, destacando os possíveis efeitos nefastos nos campos do vocabulário, memória e aptidões espaciais.

Revista PAIS & Filhos
6 Outubro 2009

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