“Exposição pré-natal à poluição pode aumentar risco de asma”

A poluição originada pelo trânsito pode causar alterações genéticas durante a gravidez que aumentam o risco da criança vir a desenvolver asma, defendem cientistas das universidades norte-americanas de Cincinati e Columbia.

Os pesquisadores estudaram as características do sangue do cordão umbilical em nascimentos ocorridos na cidade de Nova Iorque e descobriram evidências da existência de um novo biomarcador – uma alteração epigenética do gene ACSL3 – associado à exposição pré-natal aos compostos libertados pela combustão incompleta da gasolina.

Estes compostos encontram-se em altas concentrações nas áreas de trânsito intenso e a sua presença foi anteriormente ligada ao incremento de doenças oncológicas e respiratórias.

Esta descoberta, publicada na edição de Fevereiro do jornal Plos One, pode levar a mecanismos de previsão de asma infantil relacionada com questões ambientais, particularmente no caso em que as mães viveram em áreas altamente poluídas pelo tráfego durante a gestação.

As alterações epigenéticas alteram o normal funcionamento dos genes e as expressões físicas que a eles estão relacionadas, mas não causam mudanças estruturais nem mutações genéticas.

«O nosso trabalho reforça o conceito de que a exposição ambiental pode interagir com os genes durante períodos-chave do desenvolvimento, despoletando doenças mais tarde», defende o principal autor do estudo, Shuk-mei Ho. O cientista da Universidade de Cincinatti diz ainda que «os tecidos afectados são reprogramados para se tornarem, a prazo, anormais» e «compreender os sinais precoces de que tal poderá acontecer representa uma hipótese de intervenção, também ela precoce

Revista PAIS & Filhos
18 Fevereiro 2009

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