“Grávidas em forma”

Mais um estudo vem comprovar os benefícios do exercício físico durante a gravidez. Foi realizado no Naval Medical Center, na Virgínia, EUA, e as conclusões levaram os seus autores a recomendar que todas as grávidas pratiquem uma actividade física, mesmo as que não estavam habituadas a fazê-lo antes da gravidez.

O exercício fortalece e melhora a saúde musculo-esquelética, mas além disso alivia os habituais sintomas desagradáveis da gravidez: diminui dores de costas e outras dores nos músculos e articulações, reduz a tensão arterial e os edemas da retenção de líquidos, e contribui para um pós-parto com mais ânimo.

Os autores recomendam qualquer tipo de exercício aeróbico, treino de resistência ou natação, em níveis de intensidade baixa a moderada. Porque a gravidez não é uma doença, o organismo materno só tem a ganhar com os benefícios conhecidos da prática de exercício, não havendo qualquer contra-indicação ou efeito adverso para o bebé.

Ainda é uma ideia presente para muitos obstetras o conselho no sentido de as grávidas refrearem a sua actividade física ou não começarem uma prática durante a gravidez. Os resultados deste estudo vêm mostrar que é preferível começar durante a gravidez do que não fazer qualquer exercício. Não só tem benefícios, afirmam os investigadores, como é uma óptima altura para começar um estilo de vida mais saudável.

Neste sentido, deixam alguns conselhos, para diferentes fases e tipos de mulheres:

- Gravidez: deve iniciar-se ou manter-se uma prática de intensidade baixa a moderada, com o objectivo de manter a forma física. Deve ir adaptando o exercício à fase da gravidez. Se costuma fazer jogging, a partir do meio da gravidez pode trocar por umas idas à piscina.

- Pós-parto: deve continuar-se a prática de exercício nos mesmos níveis de intensidade. A amamentação não é afectada pelo exercício e o risco de depressão pós-parto é menor.

- Grávidas mais velhas: o exercício é ainda mais importante, pois o risco de hipertensão ou de níveis elevados de glucose no sangue são maiores à medida que a idade avança. O exercício previne ou reduz estes sintomas.

- Grávidas com excesso de peso: a gravidez deve ser uma oportunidade para iniciar um estilo de vida mais saudável. O exercício não vai por si só fazer reduzir substancialmente o peso, mas deve ser visto como uma forma de melhorar a saúde a todos os níveis. A grávida deve ser encorajada a tornar-se uma pessoa activa, um exemplo positivo para a criança que vai crescer com a mãe como modelo.

- Mulheres com problemas de infertilidade: mesmo que estejam a fazer tratamentos, podem e devem praticar exercício sob aconselhamento do médico. Porque o estado mental e emocional é determinante na fertilidade, e não só a saúde física, o exercício é aconselhável.

- Atletas: é possível manter um nível de treino moderado a intenso, mas devem ser orientadas por um especialista e ter um programa adaptado ao seu estado e a cada fase da gravidez.

Os resultados deste estudo foram publicados no número de Agosto do Journal of the American Academy of Orthopaedic Surgeons.

O que deve ter em conta

- O ritmo cardíaco não deve, por norma, atingir níveis muito elevados. Os 140 batimentos por minuto são o limite seguro. Mas cada caso pode ser avaliado. Grávidas saudáveis e habituadas a praticar exercício podem ultrapassar esse valor em segurança.

- As actividades mais seguras são: caminhada, hidroginástica, ioga e pilates.

- As que deve evitar: passeios de bicicleta, desportos de contacto e com bola, ténis, esqui, equitação, corrida, (se não corria antes, não comece agora; se corria, pode fazê-lo com moderação e especial cuidado com as quedas), surf, mergulho, actividades em altitude.

Revista IOL Mãe
2009/08/28

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