“O que faz uma Doula?”
“Nos antípodas da visão estritamente médica e hospitalar do parto, está a forma como as doulas encaram o momento de pôr no mundo uma criança. Não querem impor um modelo, pois defendem sobretudo que a mulher possa ser «dona» do seu parto. Mas querem que possa ser informada de todos os riscos e benefícios, bem como da verdadeira necessidade de todas e de cada uma das intervenções médicas que se fazem no parto hospitalar. Querem que cada mulher possa escolher, depois de devidamente informada, a forma como gostaria de dar à luz. Querem que essa vontade seja respeitada. Querem que possa ser acompanhada por alguém que esteja ali, com paz e tranquilidade, só para ela.
O que não é fácil, em ambiente hospitalar. Luísa Condeço e Carla Guiomar, as primeiras doulas portuguesas, têm consciência dessa dificuldade, mas não deixaram de meter mãos à obra. «Sabemos que temos de ir devagar, temos noção de que estamos a lutar contra a corrente, mas não temos pressa. E temos sinais de que este caminho faz sentido para muita gente. As pessoas que nos procuram são cada vez mais», declara Luísa, optimista.
Michel Odent, o famoso obstetra que revolucionou a obstetrícia nos anos 60 e 70, introduzindo o parto na água e salas de parto com ambiente familiar, na sua unidade do Hospital Pithiviers, em França, e Liliana Lammers, uma experiente doula, deram a Luísa e a Carla a formação necessária para se lançarem, com segurança, na aventura de se tornarem doulas e de, além disso, criarem a associação sem fins lucrativos Doulas de Portugal.
O parto decide-se na cabeça
Apesar de o apoio das doulas se centrar na parte psicológica e emocional, a sua formação dá-lhes bases teóricas sobre o desenrolar do trabalho de parto e os processos fisiológicos que acontecem em cada uma das suas fases. São treinadas para reconhecer os sinais de que tudo está bem, para o caso de acompanharem o trabalho de parto em casa, seja apenas a dilatação seja também a expulsão. «Depois de alguma experiência, o parto é como uma música que aprendemos a reconhecer. Cada mãe é única, mas o parto tem fases que são sempre iguais e que é possível identificar pelos sinais que a mulher dá, pelas posições em que se põe, pelo seu estado geral», explica Luísa. Mas para que assim seja, é preciso que não existam intervenções externas: «A partir do momento em que se liga a mãe ao CTG, em que se faz um toque de hora a hora, em que existem luzes muito fortes, em que se obriga a grávida a estar sempre deitada, está-se a perturbar o processo, a interferir com a produção natural de occitocina, a hormona que estimula as contracções e permite a progressão da dilatação».
Porque o parto também se decide na cabeça, estas doulas sabem que já contribuíram para mudar muitas histórias de parto. E porque este é um momento único, apesar de ser um milagre banal, a sua vida também mudou e continua a mudar de cada vez que ficam para a história.“
Texto: Ana Esteves
Revista IOL Mãe
2009/02/25
Aconselho a lerem o artigo completo. É muito interessante e elucidativo!
Filed under: Doulas on Junho 30th, 2009





Adorei o artigo. Esta Sra. Ana Esteves é doula?
ALGUEM SABE SE EXISTEM DOULAS PORTUGUESAS A ACTUAR EM ESPANHA! AGRADECIA A INFORMACAO
Mãede6,
Eu desconfio que sim, mas não tenho a certeza.
MJ
Olá Teresa!
Realmente não sei responder à sua questão.
Sempre pode contactar a associação Doulas de Portugal ou até das Doulas em Espanha e tentar saber essa informação. Os links destes sites estão no lado direito do blog.
MJ
Pelo que sei a Ana Esteves é jornalista! Foi a informação que encontrei no blog das Doulas de Portugal, em que agradecem o seu excelente trabalho na divulgação do conceito de Doula!
Jocas
Olá!
Eu sabia que tinha lido em algum lugar, uma referência a esta jornalista como também sendo Doula. Agora já sei onde, foi no blog da Doula Catarina Pardal: http://gravidasemforma.blogspot.com/2008/04/novo-portal-iol-me.html
MJ
Ok, é que eu fiz uma pequena pesquisa na net e só encontrei informações dela como sendo jornalista, mas se a Catarina o diz, deve ser verdade!
Gosto muito do site IOL Mãe, tem sempre artigos muito interessantes!
Jocas