“O que fazem aos bebés nas maternidades”

«Num parto normal, logo que o bebé é expulso é envolvido numa toalha aquecida e colocado em cima do abdómen da mãe. Nesse momento é feita a expressão das vias aéreas e a clampagem do cordão umbilical», diz Nélia Alves, enfermeira graduada da maternidade do Hospital D. Estefânia.

«Em seguida, é explicado aos pais que o bebé vai ter de ir para a mesa, sob uma fonte de calor, para não arrefecer e lhe serem prestados os cuidados iniciais». É aqui que surge a primeira clivagem nos procedimentos. Grande parte do pessoal médico e de enfermagem defende que é imprescindível manter o bebé aquecido com recurso a fontes externas. O pediatra e pedopsiquiatra Diudonné Volker tem outra opinião. «Se o bebé nasceu bem e se a mulher também se encontra bem, não há motivo para que não permaneça os minutos que sejam precisos em cima da barriga dela, evidentemente com o corpo resguardado, mas beneficiando da melhor fonte de calor que existe: a mãe

Momentos «irrecuperáveis que vão ser determinantes para a vinculação precocíssima entre mãe e filho, que tantos efeitos terá nos tempos seguintes. A mulher precisa de começar essa ligação e é também uma grande ajuda para o bebé, cujo ambiente físico e psicológico é completamente transformado em poucos segundos, com todo o stress que isso acarreta», advoga o médico alemão, que presta serviço no Hospital São Francisco Xavier, em Lisboa.

O pediatra Mário Cordeiro partilha esta argumentação. «Após o parto, a natureza faz aumentar a temperatura do peito e dos braços da mãe. E isto acontece precisamente para garantir que ele não arrefece e que pode começar a conhecer quem é a sua mãe – e, preferencialmente também o pai. Quando, eventualmente, tiver de sair do colo dela, irá muito mais sossegado e deixará também o casal mais tranquilo», defende, acrescentando: «O essencial é que, nesses preciosos primeiros momentos, o bebé não seja ‘roubado’ aos pais, sob pretexto algum. Nenhum profissional de saúde se deve outorgar o direito de querer aquela criança. Ela pertence aos pais e os pais pertencem-lhe a ela!».

Mas existem procedimentos essenciais que são possíveis de realizar, quer o bebé esteja junto dos pais, numa mesa aquecida na sala de partos – como acontece no D. Estefânia –, ou numa sala diferente daquela onde ocorreu o nascimento. É o caso do teste de Apgar, imprescindível para avaliar de forma rápida e eficaz o estado da criança que acaba de nascer. Determinar o sexo, nos casos em que ainda é desconhecido, e a observação de eventuais grandes malformações e uma primeira auscultação ao coração e pulmões são também intervenções que não dependem de nenhum posicionamento específico. «Há que ter paciência para esperar e dar tempo à família. Tal não significa que não se procure fazer uma primeira avaliação, nem que seja à distância, e manter um olhar vigilante sobre a forma como o bebé se está a comportar», diz Diudonné Volker.

Aspirar ou Deixar Chorar
As formas de proceder voltam a multiplicar-se quando chega o momento de avaliar outros parâmetros do recém-nascido. Existem enfermeiros e pediatras que, por norma, realizam a aspiração e a sondagem gástrica a todos os bebés. Outros avaliam o choro e a respiração e só depois optam pelos dois, por um ou por nenhum dos procedimentos. «É uma decisão que cabe ao profissional de saúde e depende de muitos factores, entre os quais a formação de base, as convicções técnicas e a experiência», afirma Nélia Alves. Por exemplo, Diudonné Volker não é adepto da aspiração em todos os casos – «existe um sistema de auto-limpeza das vias áereas que é muito eficaz na maioria das vezes», afirma – mas considera essencial garantir que não existe «uma malformação que impeça a comunicação entre a boca e o estômago», o que é realizado por sondagem.

Aspirados ou não, sondados ou não, todos os bebés que nascem no hospital ou na maternidade são, nos minutos que se sucedem ao parto, limpos do líquido amniótico e/ou do mecónio, através de lençóis e toalhas aquecidos, soro fisiológico ou água. Se existe risco de transmissão de doenças infecciosas, o recém-nascido é lavado antes de lhe serem ministradas gotas nos olhos e vitamina K. É aqui que Mário Cordeiro ressalva: «Os pais deveriam ser sempre informados sobre o que está a acontecer e ser-lhes pedida autorização para ministrar a vitamina e o colírio, não sendo confrontados com o facto consumado».

A classificação de «Hospital Amigo dos Bebés» – à qual o D. Estefânia está neste momento em processo de candidatura – determina que, entre os primeiros 30 minutos e a hora de vida, seja feita uma tentativa de amamentar o recém-nascido, cabendo aos técnicos o papel de acompanhantes, formadores e incentivadores do processo. «Tal só não acontece quando a mãe está mesmo impossibilitada de o fazer, ou quando se mostra irredutível na recusa em dar de mamar. O suplemento é dado apenas em último caso, quando não existe nenhuma outra alternativa, e abandonado logo que possível», garante Nélia Alves.

Texto: Elsa Páscoa
Revista PAIS & Filhos
23 Janeiro 2009

Podem ler o artigo completo aqui.

11 Responses to ““O que fazem aos bebés nas maternidades””

  1. Considero que a questao da aspiração é mais um daqueles “mitos” Hospitalares que tem quer ser revisto.

    Vou Twittar isto!

    Precisamos de mais pessoas como esta Blogger Rituais Maternos.

  2. Olá Liliana!

    Confesso que me faz muita confusão o que fazem aos bebés recém-nascidos, nos hospitais.
    Custa-me muito que os profissionais de saúde não se coloquem no lugar daquele bebé que acabou de nascer e não entende o porquê de tais procedimentos tão desagradáveis, dolorosos e a maioria das vezes desnecessários. Que recepção têm estes bebés! :(

    Sinto-me muito lisonjeada com o seu comentário. Obrigada! :)

    MJ

  3. Concordo plentamente, e gostei dessa ideia, dos Médicos se colocarem na pelo do Bebe! Por vezes tratam os bebes como se fossem coisas que não sentissem….

    enfim..como tratam os pobres dos animais..este mundo está todo trocado.

  4. Liliana,

    É verdade, vivemos num mundo cada vez mais…, enfim, nem sei que nome lhe dar.

    Mas acredito que se cada um de nós tentar melhorar alguma coisa, por mais pequena que ela seja, já faz alguma diferença. :)

    Eu sei, sou uma sonhadora, uma idealista! ;)

    Também não suporto que façam atrocidades contra os animais e a Natureza!

    MJ

  5. MJ, só agora reparei que temos a mesma formação académica! Não poderia deixar de ser. ;)

  6. Liliana, então é uma companheira de “armas”! :D

    Fico muito contente com a sua participação aqui no blog.

    MJ

  7. “he Benefits of the Newborn Vitamin K Injection

    Vitamin K is essential in enabling blood to clot, and many babies are born deficient in it, often because of congenital, mild, and undetected liver problems. These problems are especially common in babies exposed to alcohol prenatally, and they are alarmingly prevalent in babies whose mothers took anti-seizure medications during pregnancy. Without adequate levels of vitamin K, a baby is at risk of life-threatening hemorrhage in the brain called vitamin K deficiency bleeding.

    Without vitamin K injections, babies are still at a relatively low risk of this very serious complication, which would naturally occur in about 5 out of every 100,000 births, and generally takes place some time in the baby’s second month of life. While the risk is still somewhat low, most parents and physicians believe that the benefits of the vitamin K shot are well worth the potential risks.”

    http://www.associatedcontent.com/article/1550323/newborn_vitamin_k_injection_benefits.html

  8. A arte da selecção tendenciosa. Penso que deveria ter colocado o outro argumento, que curiosamente também constava no mesmo documento.

    Inicio de Citação:
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    The Risks of the Newborn Vitamin K Injection

    One of the most common objections raised regarding the vitamin K shot, raised most often by advocates of natural birth, involves the potential for emotional trauma to a newborn when he or she is subjected to pain so immediately after birth. While this may seem silly to some, many parents and midwives view it as a legitimate concern, and would prefer that a baby’s first hours be spent bonding with her parents.A much more tangible risk involves the 20% to 80% increase in childhood leukemia in children who have received the vitamin K shot as newborns. This amounts to a rate of 1.5 additional cases of leukemia per 100,000 newborns given the vitamin K injection, compared to an increased rate of 1.8 additional cases of vitamin K deficiency bleeding in newborns who have not received the shot.

    Alternatives to the Newborn Vitamin K Injection

    Some women try to prevent the potential for vitamin K deficiency in their newborns by taking large amounts of vitamin K supplements or alfalfa in their final trimester of pregnancy. However, studies have indicated that this effect is not helpful in preventing the problem. Research indicates that babies whose mothers take vitamin K supplements are just as likely to be deficient in this critical blood clotting factor.

    A safer, more effective way to administer vitamin K to a newborn is to do so after she has already been born, in the form of vitamin K-enhanced breastmilk or orally administered liquid vitamin K drops given gradually. While preliminary studies have indicated that this may be safe and effective, it still lacks the approval of most physicians since research remains limited.

    Is the Newborn Vitamin K Injection worth the Risk?

    It is not yet known if orally administered vitamin K is any safer for the baby than vitamin K received by injection. However, the vast majority of midwives and physicians recommend that all babies receive vitamin K in some form or another following birth, because the risks of vitamin K deficiency bleeding are greater in unsupplemented babies than the risks of leukemia in babies who get the vitamin K shot.

    Health care providers continue to strive toward preventing both common and uncommon diseases and conditions in newborns, and the routine vitamin K injection has saved many lives by preventing vitamin K deficiency bleeding. Expectant mothers who are seeking alternatives or information about the newborn vitamin K injection should talk to their doctors, midwives, or pediatricians for more information about its safety and efficacy

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  9. Querida Nereida,

    Que bom vê-la mais uma vez por aqui. Recebeu os meus 2 últimos emails?

  10. Cara Maria, confesso que mais uma vez, estou sem acesso ao meu mail! Vou ter que criar um mail novo, e depois envio-lhe. (vou tantar faze-lo ainda hoje de noite)

  11. Querida Nereida,

    Fico então a aguardar o seu novo email. ;)

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