Os verdadeiros efeitos de “deixá-lo chorar”
“Não responder às necessidades do bebé, deixando-o chorar, sozinho, por períodos mais ou menos longos tem efeitos negativos para o seu desenvolvimento físico, mental e emocional.
A ideia de que deixar os bebés chorarem lhes faz bem começou a ser defendida no final do século XIX e foi ganhando adeptos ao longo de todo o século XX. Quando especialistas em várias áreas do conhecimento passaram a ter mais autoridade sobre a melhor forma de criar e educar um filho do que as mães e os pais, foram surgindo teorias sobre os perigos do excesso de mimo e as vantagens de mostrar ao bebé que tem de aprender a ser autónomo.
À medida que as famílias se tornaram mais pequenas e muitas vezes desligadas da família alargada, lidar com um bebé parecia cada vez mais difícil. Também por isso, estas teorias ganharam terreno. A sua fundamentação científica nunca foi grande, contudo.
Actualmente, pelo contrário, há evidências científicas que mostram os efeitos negativos que podem vir de deixar um bebé sozinho a chorar. Darcia Narvaez, professora de psicologia na Universidade de Notre Dame, publicou na revista Psycology Today uma recolha de várias conclusões de estudos científicos recentes que mostram por que razões não se deve deixar os bebés chorar sozinhos, não respondendo às suas necessidades. Um resumo que mostra que o instinto maternal já foi suficientemente corroborado, portanto.
RESPONDER ÀS NECESSIDADES É A MELHOR MANEIRA DE PROMOVER A AUTONOMIA PORQUE OFERECE SEGURANÇA
Não atender ao choro do bebé tem danos para o seu desenvolvimento e para a sua capacidade de se relacionar com os outros. Pode comprometer o seu nível de inteligência e vai torná-lo uma criança mais ansiosa e menos saudável.
Forçar etapas da autonomia antes de o bebé estar preparado para elas não vai torná-lo mais autónomo. Pelo contrário, vai fazer com que fique mais dependente. Responder às suas necessidades é a melhor maneira de promover a sua independência e segurança, mais tarde.
Ensinar uma criança a não chamar quando sente necessidade de conforto ou de alimento pode ter como resultado uma criança menos exigente, porque entra em estado depressivo ou se alheia da realidade, mas não porque seja mais autónoma. O mais provável, contudo, é que um bebé que não obtém resposta ao seu chamamento se torne uma criança agressiva, lamurienta, infeliz e dependente. O sentimento de insegurança irá provavelmente permanecer para o resto da vida.
Segundo um estudo de 1994, os bebés que são deixados a chorar têm mais probabilidade de se tornar inseguros e dependentes do que aqueles que vêem as suas necessidades satisfeitas antes mesmo de entrarem em stress e em situações de choro.
COMO CRESCEM OS BEBÉS E COMO O TOQUE É IMPORTANTE
Só pode acreditar que é bom deixar os bebés sozinhos a chorar quem não conhece o desenvolvimento do cérebro de um bebé. Os bebés precisam do toque e do colo para se desenvolverem. Se não o tiverem, o seu organismo não produz as hormonas necessárias a um bom desenvolvimento. Os bebés comunicam as suas necessidades através da sua linguagem corporal e através do choro. Acalmam-se quando estas são satisfeitas, tal como acontece com um adulto. Simplesmente um adulto sabe satisfazer as suas necessidades autonomamente. Um bebé precisa que alguém cuide dele e lhe proporcione o necessário para se acalmar.
CONSEQUÊNCIAS DO “DEIXAR CHORAR”
Deixar o bebé chorar, não responder ao seu chamamento, pode ter inúmeras consequências:
- A morte de neurónios e consequente défice de inteligência.
- Excessiva reactividade ao stresse que leva a perturbações não apenas a nível emocional mas também físico.
- Incapacidade ou pouca capacidade de auto-regulação e de auto-conforto.
- Falta de confiança que se reflecte nas relações com os outros e com a vida em geral.
- Para os pais, ou outros adultos responsáveis pelo bebé, também há efeitos na atitude de “deixar chorar”, como o endurecimento, desensibilização e a perda irrecuperável de reciprocidade e confiança.
Para saber mais, nomeadamente sobre a fundamentação de cada uma destas conclusões, clique aqui.”
Texto de Ana Esteves, Revista IOL Mãe (2011-12-15)
Filed under: Desenvolvimento do Bebé/Criança on Dezembro 19th, 2011





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