“Hospitais vão ter kits de recolha do sangue umbilical”

O objectivo é facilitar o processo que, até agora, estava pendente de um pedido dos pais, realizado duas semanas antes da data prevista para o parto.

As maternidades nacionais vão passar a poder ter kits para fazer a recolha do sangue do cordão umbilical após o parto, revela o jornal «I». O banco público nacional Lusocord já começou a desenvolver protocolos com alguns hospitais, entre eles o Hospital de São João, no Porto, e os hospitais de Aveiro e Viana do Castelo, disse ao mesmo periódico Helena Alves, directora do Centro de Histocompatibilidade do Norte.

Os primeiros hospitais a aderirem ao serviço deverão começar a fazer as recolhas de forma automática a partir de Abril, mas sempre mediante autorização dos pais, avançou ainda Helena Alves. «É um processo que vai ser natural ao longo do ano», garante a responsável, salvaguardando contudo que os pais poderão continuar a fazer o pedido prévio do kit.

Apesar de a medida não partir da Autoridade para os Serviços de Sangue e da Transplantação (ASST), do Ministério da Saúde, é a esta que cabe o licenciamento das unidades para as recolhas. Os hospitais que querem começar pela primeira vez a fazer a recolha de sangue devem solicitar autorização à ASST, e os que já têm este serviço – com os kits fornecidos pelo Lusocord ou pelas empresas privadas de criopreservação – deverão renovar o pedido até 10 de Maio, avança a autoridade.

Para Helena Alves, apesar de a existência de kits nos hospitais não ser uma medida obrigatória, espera-se que venha a abranger todo o país. «É natural que os hospitais públicos, privados e clínicas venham a querer que os seus utentes disponham desta opção», sublinha.

O banco público de células estaminais do cordão funciona desde Julho do ano passado nas instalações do Centro de Histocompatibilidade do Norte, com uma capacidade de armazenamento para oito mil doações. Desde então já recebeu mais de 1600. O processo de recolha e armazenamento ronda os 100 euros, mas é disponibilizado de forma gratuita. Tem como destino a realização de um transplante de qualquer doente do mundo que precise.

Revista PAIS & Filhos
22 Fevereiro 2010

Posições no sling para bebés recém-nascidos

Deixo aqui alguns vídeos com instruções (em inglês) de como usar o sling em bebés pequenos:

Parto vaginal após cesariana – Testemunho

Testemunho da Jessica

Tive o meu primeiro parto normal 20 meses após uma cesariana, o que já por si se torna num parto de risco. Estive, mais ou menos, 36 horas com contracções fortes, um dia inteiro com contracções sem dilatação, mas sinceramente não me lembro bem desse período. O que me ficou bem gravado na memória foi a expulsão: quando senti que tinha de fazer força ninguém me impediu, a enfermeira só me lembrava para eu fazer a respiração devidamente, o meu marido, que esteve o tempo todo ao meu lado foi quem me disse que já via a cabecinha e até tocou, (e eu também, é claro!) nunca mais me esquecerei da felicidade com que ele me disse que já o via. E sim, o entusiasmo do meu marido foi o que me deu a última força para a expulsão. A enfermeira teve muita, mas mesmo muita paciência. Não sei quanto tempo durou a expulsão, mas foi uma pequena eternidade.

No texto diz que só se deve fazer força quando a dilatação já está feita, mas como é que se vê se a dilatação está feita? Nao acho que essa altura seja apropriada para fazer um toque. No meu caso foi feito o último toque aos 7 cm, foi quando se viu que eu finalmente, ao fim de mais de 24 horas com contracções estava a fazer a dilatação. Depois não se voltou a controlar nada. E ainda bem.

Seja como for, apesar de ter sido um parto de risco pela cesariana anterior, apesar de ter sido um parto provocado (por ter diabetes e injectar uma quantidade imensa de insulina que poderia, ou não, afectar o bebé), apesar de eu ser pequenina e magrinha (1,60 m e 45 kg) o meu filhote saiu saudável com os seus 3.700 g e eu nem rasguei o períneo, não precisei de levar nem um pontinho.

Porém o que escrevi não conta toda a viagem que foi o parto. Acho que também é importante mencionar que apesar de eu aguentar as dores, apesar de eu ter comido e bebido à vontade durante o parto, apesar de ter sido dona da minha vontade e ter podido escolher o que fazer durante o parto, o facto de ao fim de 1 dia de contracções fortes e não fazer dilatação (tinha apenas 2 cm) deixaram-me muito em baixo e pedi a famosa epidural. Sei que o efeito durou 2 horas, no final pedi para me fazerem o toque e realmente naquelas duas horas em que consegui relaxar tinha feito a dilatação até aos 7 cm. Daí a sentir vontade de puxar já não durou muito tempo. Por mais que critiquem a epidural, muito provavelmente foi esta que me salvou de mais uma cesariana. Não a pedi por não aguentar as dores, pedi porque achei que tinha chegado um ponto em que eu precisava de descanso, e realmente consegui juntar forças para mais uma etapa do parto. Durante a expulsão a epidural já não fazia qualquer efeito, senti tudo e lembro-me perfeitamente do ardor que é descrito no artigo, lembro-me de implorar à enfermeira para o arrancar de dentro de mim (sim, foram estas as palavras), e ela dizia-me que eu estava a fazer tudo muito bem, que ele saíria apenas com a minha força e voltava a lembrar-me para fazer bem a respiração. A expulsão foi feita deitada virada de lado porque o meu filho não se encontrava na posição normal para sair, quando a cabecinha dele saiu a enfermeira teve de ajudar a fazer a rotação do corpinho para sair. Ah! E nasceu com o cordão umbilical à volta do pescoço!

E acreditem ou não, ao fim de duas semanas a nossa vida sexual voltou ao normal. ;-)

“Ritual de coroação”

(…) Sente-se um alívio gigante quando, no meio das dores e do cansaço, alguém nos diz: «Já se vê a cabeça do bebé». Parece mentira. Um boa notícia, finalmente. Uma recompensa pelo esforço contínuo de há duas, sete, 12, às vezes 24 horas. (…)

Estamos na recta final da segunda fase do trabalho de parto, o período expulsivo. Esta fase pode durar, no total, entre meia hora e duas horas (mais tempo nos primeiros filhos, menos tempo nos restantes). Começa quando a dilatação está completa, ou seja, quando o colo do útero chega aos 10 centímetros. Muitas vezes, é só nesta fase que rebenta a bolsa de águas. Outras vezes (embora raramente), o bebé até pode nascer dentro da bolsa, que se rompe nessa altura.

No período expulsivo, as contracções tornam-se mais prolongadas e sucedem-se cada vez mais rapidamente. Surge uma vontade incontrolável de fazer força (idêntica à vontade de ir à casa-de-banho) que resulta do saco amniótico ou parte dele avançar pelo colo do útero dilatado e fazer pressão no recto. Cada mulher deve seguir o seu instinto e fazer força quando e como quiser. Mas não é aconselhável fazer força antes de a dilatação estar completa, para não desperdiçar energias, nem rasgar o períneo.

O normal, nesta fase, é que, em cada contracção, se sinta vontade de fazer força três a cinco vezes (durante quatro a seis segundos). As contracções são intensas e focam-se na zona abdominal, lombar e pélvica e às vezes também nas pernas. (…)

A expulsão

Nem sempre a mulher consegue sentir que a cabeça do bebé já desceu. Por isso, é bom que alguém lhe diga que ela está mesmo ali, que faltam apenas mais duas ou três contracções para ter o bebé nos braços. Se estiver de cócoras ou sentada (as posições que mais facilitam o nascimento), a mulher pode pedir um espelho e ver a primeira nesga do seu filho ou pode esticar a mão e tocar-lhe. É absolutamente maravilhoso e dá a energia necessária para a próxima contracção. Como se fosse um impulso reflexo, imediatamente o corpo transforma-se numa onda gigante que rebenta na zona pélvica. A vontade de fazer força é agora maior do que nunca. Sente-se uma sensação de estiramento e de ardor na abertura vaginal. Chamam-lhe o «anel de fogo». A espessura do períneo é reduzida de aproximadamente cinco centímetros para menos de um centímetro. Depois do parto volta ao normal.

A passagem da cabeça do bebé pela pélvis só é possível porque o seu cérebro é extremamente macio e flexível. Além disso, os ossos do crânio estão divididos em placas separadas, cada uma capaz de se sobrepor ligeiramente sobre as outras. Características que permitem que a cabeça do bebé seja comprimida e moldada ao passar pelo estreito canal de parto. Ainda assim, o bebé pode nascer com a cabeça mais ovalada, mas uns dias depois essa forma desaparece.

A cabeça do bebé atravessa então a vagina e passa para o lado de fora. Ao mesmo tempo é expelida uma grande quantidade de líquido amniótico, como se fosse um jorro de água. Alguns médicos ajudam a cabeça a sair, dando um corte no períneo – a episiotomia. Em certos casos, pode ser necessário usar fórceps ou ventosa, especialmente se o parto já estiver muito prolongado e a mãe muito cansada. Mas, na maior parte das vezes, é possível esperar e deixar que o períneo se distenda gradualmente, ajudando a evitar lacerações. Manter a tranquilidade (tanto a mãe, como todos os que a rodeiam) é essencial para que este processo possa decorrer devagar, nos tempos certos. (…)

Com a cabeça do bebé já deste lado, a mãe pode descansar mais um pouco. Respirar fundo. Recuperar energias. Neste momento, o bebé está com o rosto virado para baixo, olhos fechados, pele muito vermelha ou arroxeada. Também pode estar com o rosto virado para cima e, assim, é mesmo necessária ajuda médica, pois o bebé terá mais dificuldade em fazer o movimento de rotação que lhe permitirá expulsar o resto do corpo da barriga da mãe.

Se estiver na posição certa, na maior parte dos casos, espera-se que o bebé decida avançar. Novamente, se a mãe lhe tocar na cabeça pode ganhar um fôlego extra, o último necessário para esta tarefa tão árdua quanto gratificante. Com a próxima contracção, e empurrado pela força da mãe, o bebé roda 45 graus, como se fosse uma espiral. Sai um ombro, depois outro e rapidamente o corpo todo está cá fora. Uma sensação de maciez passa pelo massacrado períneo, como se fosse uma massagem de agradecimento. Esta sensação deve-se ao facto de a pele do bebé estar coberta com uma matéria gorda chamada vérnix (verniz). Uma espécie de lubrificante da pele que o ajuda a escorregar pelo canal de parto. Este verniz tem uma cor esbranquiçada, que resulta da mistura de uma substância gordurosa produzida pelas glândulas sebáceas e das células de descamação do feto. Depois do nascimento, serve como camada isoladora para proteger o bebé da mudança de temperatura e como barreira defensiva de infecções ligeiras. (…)

Texto: Patrícia Lamúrias
Revista PAIS & Filhos
17 Fevereiro 2010

Podem ler o artigo completo aqui; achei-o muito elucidativo. :)

“Orgasmic Birth” – Porto

Apresentação do documentário “Orgasmic Birth”

O Pazpazes recebe esta iniciativa promovida pela HumPar – Associação Portuguesa Pela Humanização do Parto. Este documentário revolucionário de Debra Pascali-Bonaro, traz uma outra visão sobre o parto, desafiando os nossos mitos culturais desde a associação directa do parto à dor até à incapacidade de a mulher conduzir o seu parto sem intervenção (medicamentos, analgesias ou outros procedimentos médicos), entre muitos outros mitos que envolvem o parto e o nascimento.

Neste filme o espectador é convidado a observar os níveis físicos, emocionais e espirituais que podem ser atingidos no nascimento e a ser testemunha da paixão que envolve o parto onde a sexualidade da mulher é uma parte indiscutivelmente integrante.

Com comentários de Christiane Northrup, Ina May Gaskin, Elizabeth Davis, Ricardo Herbert Jones, Marsden Wagner, entre outros especialistas, este filme revela uma visão revolucionária do nascimento que é estatisticamente mais segura para a mãe e para o bebé, comparando com os métodos de nascimento e parto que são utilizados como modelo em muitas partes do mundo actualmente, inclusive em Portugal.

Em “Orgasmic Birth” entramos no mundo do nascimento não-perturbado, são apresentados partos naturais onde o protagonismo é dado à mãe e ao bebé. Onze casais partilham a sua íntima jornada pessoal, enfrentando os seus medos e atravessando a dor até ao êxtase do nascimento. Estas onze histórias não nos deixam indiferentes e provavelmente levam-nos a abrir outra janela de perspectiva naquele que é um dos segredos mais bem guardados do mundo: O parto e o nascimento podem dar prazer.

Fica o convite para entrar nesta viagem pela intimidade de vários nascimentos que seguramente o levará a reexaminar a forma como se vive o parto em Portugal. Este documentário destina-se a todos nós que nascemos :-)

Esta sessão será dinamizada por Carla Silveira, doula, educadora perinatal e membro da HumPar.

Data/hora
20 Fevereiro às 16h

Local
PazPazes (Rua Antero de Quental, 155 – Porto)

Participação sugerida
5€ por pessoa / 7€ por casal

É necessária inscrição prévia, podem faze-lo para o email
doulacarlasilveira@gmail.com ou por sms para 968 221 869.

Mais informações em: www.pazpazes.blogspot.com/

Slings

Como os slings são vendidos, na maioria das lojas, a preço de ouro, e apesar de não ser um objectivo do blog RM fazer publicidade directa, acho importante partilhar informação. Até porque o babywearing, na minha opinião, é uma ferramenta muito útil para o vínculo mãe/pai – bebé. :)

Então, aqueles papás que acham um exagero ou não têm mesmo possibilidades de pagar o valor que normalmente é pedido, encontram slings por metade do preço na Kooka.

Também na Maria Café, os valores dos slings são mais acessíveis.

Aproveito e deixo aqui um vídeo (com instruções em inglês) para as mamãs leitoras do blog que têm “mãos de fada” ;) e poderão fazer o sling sem gastar muito dinheiro.

“Acupunctura para grávidas deprimidas”

A acupunctura pode ser uma opção eficaz no tratamento da depressão em mulheres grávidas. Um estudo apresentado na reunião anual da Society for Maternal-Fetal Medicine, em Chicago, revela que a terapia chinesa com agulhas tem efeitos benéficos no tratamento e é segura para o feto, o que não acontece com os medicamentos anti-depressivos normalmente utilizados.

O estudo avaliou 150 grávidas que sofriam de depressão major (aguda). Durante oito semanas, um sub-grupo foi sujeito a um tratamento específico de acupunctura para a depressão, outro a massagens e outro ainda a um tratamento com agulhas sem qualquer efeito. As que receberam a terapêutica com acupunctura verdadeira revelaram uma redução substancial na gravidade da depressão.

Os autores do estudo consideram, assim, que a acupunctura deveria ser pensada como uma opção de tratamento segura e eficaz, sem efeitos secundários indesejáveis, no tratamento da depressão em mulheres grávidas.

Calcula-se que cerca de 10 por cento das grávidas sofra de depressão e destas 10 por cento vê agravados os sintomas da doença no decorrer da gravidez. Muitas deixam de tomar os medicamentos anti-depressivos por não serem completamente seguros para o desenvolvimento fetal.

Revista IOL Mãe
2010/02/11

Recolha de células estaminais do cordão umbilical

No programa Sociedade Civil da RTP2, exibido na última segunda-feira (dia 8), foi debatido o tema da recolha de células estaminais do cordão umbilical. Estiveram presentes um representante da Sociedade Portuguesa de Células Estaminais e Terapia Celular, um médico do IPO de Lisboa, um representante de uma empresa privada de criopreservação de células estaminais e um médico obstetra.

Deixo aqui o link para quem não viu: http://ww1.rtp.pt/multimedia/index.php?tvprog=23283&idpod=35325&formato=flv&pag=recentes&escolha=

Esta é uma questão que preocupa muitos casais que estão à espera de bebé: Fazemos ou não a recolha das células estaminais do sangue do cordão umbilical? Se fizermos, optamos pelo banco público ou recorremos a uma empresa privada?

Gostaria de saber a vossa opinião!  ;)

“Boas rotinas familiares previnem obesidade”

Pequenos hábitos familiares têm um grande impacto na prevenção do excesso de peso nas crianças em idade pré-escolar. Sentar-se à mesa para jantar em família, dormir o suficiente e não estar em frente à televisão mais de duas horas por dia são três medidas que podem reduzir de forma muito significativa o risco de uma criança vir a ser obesa. Segundo uma investigação realizada nos EUA, as crianças que beneficiam destes hábitos em casa, têm menos 40 por cento de probabilidades de vir a ser obesas ou de ter excesso de peso.

Os investigadores consideram muito importante que a promoção destes hábitos se torne prioritária, uma vez que quando se trata de obesidade a prevenção é a melhor medida. Fazer reduzir o peso e reverter uma situação de obesidade numa criança é muito difícil, mas prevenir essa situação, afinal pode ser simples.

Esta investigação envolveu uma amostra representativa de 8550 crianças de quatro anos, 18 por cento das quais já são obesas. Apenas 14,5 por cento das crianças beneficiam em casa dos três hábitos saudáveis referidos: jantam em família pelo menos cinco vezes por semana, dormem pelo menos 10,5 horas por noite e não vêem televisão (ou DVDs) durante mais de duas horas por dia. A taxa de obesidade registada neste grupo de crianças foi de 14,3 por cento, enquanto que no grupo de crianças que não tinha nenhum destes hábitos, a taxa de obesidade foi de 24,5 por cento.

Os investigadores concluiram que cada um destes hábitos saudáveis pode reduzir cerca de 17 por cento o risco de obesidade. Os resultados mantiveram-se mesmo cruzando variáveis como a obesidade da mãe, a raça, o género, o meio sócio-económico e o facto de as crianças viverem só com um dos progenitores.

Apesar de não ter sido estabelecida uma relação de causa-efeito entre as rotinas familiares e o excesso de peso – apenas se provou uma associação entre as duas realidades – a verdade é que a adopção dessas rotinas conduzirá a um ambiente mais saudável para as crianças. E os bebnefícios sentir-se-ão não apenas no peso mas em todo o desenvolvimento, comportamento e bem-estar. E isso já foi provado em vários outros estudos realizados anteriormente.

O estudo foi desenvolvido na Ohio State University e os resultados serão publicados no número de Março da revista Pediatrics.

Boas dicas para estabelecer bons hábitos:

Menos televisão
- Não permita a televisão no quarto dos seus filhos. Isso ajudará a controlar o tempo que passam em frente ao ecrã.

- Proponha actividades simples mas divertidas para substituir a televisão: amassar plasticina enquanto prepara o jantar, brincar ao faz de conta experimentando roupas antigas ou velhas máscaras de carnaval, brincar com Lego, fazer um puzzle difícil, desenhar um jogo da macaca no corredor com fita adesiva… depois de entrarem nesses desafios criativos as crianças acabarão por esquecer-se da televisão e serão elas próprias a entreter-se com novas ideias.

Jantar em família
- Se tem pouco tempo no final do dia, planeie refeições no fim de semana e deixe-as pré-preparadas. Pode congelar, para facilitar a tarefa diária.

- Não se esqueça da sopa. Pode preparar uma quantidade grande de duas ou três sopas e congelar em doses pequenas, para não passarem uma semana a comer todos os dias igual.

- Desligue a televisão na hora de jantar. Converse com as crianças sobre os alimentos e promova novos sabores. Quando não gostam, devem comer menos, mas habituarem-se a comer de tudo.

Dormir bem
- Estabeleça a rotina da hora de ir para a cama e faça-a cumprir. E se sabe que o seu filho demora a «desligar os motores» comece com antecedância a prepará-lo. Ou seja, não diga está na hora de dormir quando faltam dez minutos para a hora em que ele deve adormecer. Comece quando falta meia hora, para que tudo seja feito com calma. Explique que ele só vai poder jogar mais um jogo ou ficar mais um pouco porque a hora de deitar está a aproximar-se. As crianças em idade pré-escolar não andam com relógio, como os adultos que têm sempre o tempo controlado, e têm dificuldade em passar de uma actividade para outra de forma imposta.

- Não deixe esticar demasiado o tempo que o seu filho leva a protestar porque não quer ir deitar-se. Com rotinas bem estabelecidas e a história da hora de dormir como aliciante, depressa acabarão as guerras e o seu filho poderá dormir as horas de sono necessárias. Faça-lhe perceber que se demora muito tempo a vestir o pijama e lavar os dentes, não haverá tempo para a história.

Texto: Ana Esteves
Revista IOL Mãe
2010/02/09

“Sobre Partos e Filhos”

Outro dia, meu companheiro me disse que eu quero tanto um parto natural que se meu próximo parto for assim, eu vou gostar mais desse filho do que do Caetano. Tivemos uma longa conversa sobre isso e percebemos aí duas esferas diferentes: a chegada do Caetano e o meu parto. Eu não gostei do parto, mas logicamente amei a vinda do meu filho.

Vou explicar: tínhamos um plano de parto domiciliar. Esse plano foi seguido até o limite, meu e do meu filho, e me entreguei à cirurgia que naquele momento se mostrou necessária, não sem antes tentarmos todos os recursos cabíveis. Porém, a frustração e a pergunta: “porquê?” são inevitáveis.

Caetano nasceu por meio de uma cesariana que está em processo de cicatrização física e emocional. A frase muito ouvida: “o importante é que ele está bem”, traz uma estranha sensação de ambiguidade. Se por um lado é maravilhoso ver meu filho bem, por outro o parto, que era um momento muito planeado e esperado por mim, teve um desfecho ruim. Essa frase ainda parece negar toda a minha busca por um parto natural e um nascimento com respeito e carinho para meu filho. Sei que o caminho construído até aqui não se perdeu, pois apesar da importância do parto para mim – que significa um belíssimo ritual feminino e poderoso e não só a chegada de um bebé – a maternidade não é resumida à via de parto.

Aos poucos, a sensação negativa vai diminuindo, afinal minha cesariana não teve o peso da cesariana desnecessária, irresponsável, precipitada, supérflua, que reprime. Sem pressa, vou encarando essa frustração, e agora estou tentando enfatizar o positivo do processo todo: ele escolheu chegar na hora dele, e nós fizemos de tudo para recebê-lo da melhor maneira possível. O nascimento tomou um rumo diferente do planeado e nem por isso desanimamos na nossa jornada, continuamos a oferecer as melhores escolhas para o nosso filho: logo ao nascer ele não tomou nenhuma injecção e nem pingaram colírio em seus olhos. Não ficou longe de mim. Ele mamou na primeira hora e por mais 6 meses exclusivamente, e continuará nessa livre demanda até quando quiser. Dormimos juntos, slingamos e damos muito colo.

Eu tive um processo de busca, informação, questionamento e autoconhecimento referente à gravidez e ao parto que a cirurgia não vai apagar. Depois de tanta transformação, vou aprendendo a olhar a cicatriz e não lamentar, mas sim compreender e aceitar que é inerente uma dose de imprevisibilidade nesse evento, que eu não posso controlar todas as etapas do parto como planeei e que ainda assim toda minha busca não foi em vão.

Se antes do Caetano nascer eu já era defensora da humanização do parto, depois que ele nasceu eu virei uma militante, até meu trabalho seguiu novos rumos para abrigar essas questões. São frutos doces que colho dessa história. A minha cesariana me proporcionou um novo olhar sobre essas questões.

Meu filho, Caetano, nunca vai ficar para trás! Caetano sempre vai ser o meu primeiro filhote, esperado, desejado, amado. Eu não quero substituí-lo por um bebé que nasça de parto natural. Eu quero sim outro parto, quero sentir a passagem de um bebé pela minha vagina e quero ser protagonista do nascimento. Visto que ficou um vazio, vazio esse que um novo parto vai ajudar a curar, mas não vai me fazer esquecer. E se cada parto é uma possibilidade, um mistério, eu tenho certeza que um dia terei uma nova história para contar.

Texto: Mariana Tezini
Blog Mamíferas (Brasil)
8 Fevereiro 2010