“O que os Bebés querem”

Já aqui tinha deixado no blog o trailer do documentário “What Babies Want“.

Entretanto alguém o colocou no youtube, dividido em vários vídeos e vou aproveitar para deixar aqui a 1ª parte e os links das restantes partes (no total são 6). O documentário está na versão original sem legendas em português, mas acho que dá perfeitamente para percebermos.

Eu emocionei-me com as imagens e com a mensagem deste filme, depois de o vermos penso que é mais fácil percebermos certas coisas que acontecem no nosso mundo.

A forma como nascemos, os laços imediatos que criamos com a nossa mãe e o nosso pai são fundamentais no nosso desenvolvimento até sermos adultos.

YouTube – What Babies Want – An Exploration of the Consciousness of Infants part 2

YouTube – What Babies Want – An Exploration of the Consciousness of Infants part 3

YouTube – What Babies Want – An Exploration of the Consciousness of Infants part 4

YouTube – What Babies Want – An Exploration of the Consciousness of Infants part 5

YouTube – What Babies Want – An Exploration of the Consciousness of Infants part 6

Semana Mundial do Parto Respeitado

Amanhã, dia 16, inicia-se a Semana Mundial do Parto Respeitado, que termina no dia 23 de Maio. O tema deste ano é: “Parir e Nascer: do Trauma ao Prazer“.

As mamãs que quiserem partilhar as suas experiências de partos, poderão enviar os seus testemunhos para o email: info@rituaismaternos.com

Aproveito e divulgo a iniciativa da BioNascimento para comemorar esta semana:


“Sobreviver NÃO é o Bastante…”

Adorei este texto escrito pela Tata, do blog brasileiro Mamíferas:

Muitas vezes, quando converso sobre criação de filhos, escolhas, caminhos, ouço argumentos do tipo: “ah, meus três filhos nasceram de cesárea e sobreviveram!”, “ah, meu filho não mamou nem um mês e taí, firme e forte!!”, “ah, eu apanhei dos meus pais quando criança e sobrevivi, não tenho traumas!!”, “ah, meus filhos comiam bala, pirulito, refrigerante à vontade e estão aí, vivinhos da silva!!”. Perco a vontade de discutir diante de um argumento desses, juro. Tão descabido, tão raso, tão simplório.

Fico me perguntando: sobreviver é o bastante? Na nossa vida diária de escolhas e decisões como pais e mães, nosso parâmetro deve ser apenas optar pelo que não causará lesões óbvias, permanentes e irreversíveis em nossos filhos? Devemos nos contentar em garantir que eles ’sobrevivam’ às nossas escolhas e aos caminhos pelos quais os conduzimos?

Sim, bebés nascem de cesáreas desnecessárias e não morrem por isso. Bebés deixam de ser amamentados, vivem à base de chupeta e mamadeira, são afastados do colo e do carinho de suas mães desde muito cedo, e sobrevivem. Crianças são agredidas física e verbalmente por seus pais e cuidadores, e seguem vivendo. Crianças comem porcarias a torto e a direito, adquirem péssimos hábitos alimentares que os perseguirão pela vida toda, e seguem aí, vivinhos da silva. Crianças são desrespeitadas, negligenciadas, desconsideradas a todo momento, e sobrevivem a tudo isso. Sim, é assim mesmo. Crianças são seres muito resilientes. Eles sobrevivem a quase tudo.

Mas e daí? Isso é o bastante? Para mim, não. Eu não quero fazer escolhas às quais minhas filhas possam simplesmente ’sobreviver’. Não, isso não me basta, eu desejo mais para elas. Eu quero fazer o meu melhor, e não me contento com nada menos do que isso. E não porque elas corram riscos seríssimos de traumatizar-se para o resto da vida ao meu menor deslize ou descaminho, mas porque elas merecem mais do que o mínimo necessário à simples ’sobrevivência’. Elas merecem que eu busque sempre as melhores opções, escolha os caminhos com critério, com consciência, com responsabilidade. Elas merecem que eu opte, questione, reflita, e não siga agindo automaticamente, sem pensar, apenas porque, afinal, ‘ninguém morre por isso’.

Acho fundamental que tenhamos em mente que nossos filhos seguirão vivendo, crescendo, se desenvolvendo, saudáveis e felizes, mesmo que a gente não consiga fazer o ideal 100% do tempo (e alguém consegue??). Mas acho igualmente importante que a gente não transforme essa ideia em muleta, para se acomodar e deixar de dar o melhor de si a cada momento, porque afinal, seja como for, ‘eles vão sobreviver’.

Eu não quero ser uma mãe perfeita, sei que erro, já errei e ainda vou errar muito, porque faz parte da caminhada. Mas meu coração está tranquilo, porque sei que todas as vezes que cometi um erro, foi procurando acertar. Sei que errei tentando fazer o melhor, e não por omissão, por desistência ou por achar que encontrar a melhor opção não fosse assim tão importante.

E não me permito esquecer, nem por um instante, que todas as atitudes que eu tomo terão consequências, sim. Porque todas as pequenas vivências do dia a dia vão fazendo da criança o indivíduo que ela será, no futuro. Isso não significa neurotizar a convivência e viver medindo palavras e atitudes a cada segundo, nem fazer da vida diária um ambiente milimetricamente planeado e controlado para evitar traumas futuros. Significa apenas estar consciente da responsabilidade que o papel de pais nos traz, a todo momento.

Eu não abdico dessa responsabilidade. Porque para mim, sobreviver não é o bastante, nem nunca será. E pra você?

“Parto normal a caminho de uma revolução de conceitos”

“Pelo direito ao parto normal” é um projecto de promoção do parto natural “sem qualquer intervenção, mas assistido por profissional de saúde”, proposto por um vasto grupo de especialistas em saúde reprodutiva.

A indução do trabalho de parto (com recurso a medicamento ou ruptura de membranas), o uso de fórceps, ventosas ou anestesia geral ficam, segundo esta proposta, excluídos da classificação de parto normal, bem como o nascimento por cesariana.

A ruptura artificial de membranas só poderá ser incluída caso seja realizada sem o intuito de induzir o trabalho de parto.

O documento, a que a agência Lusa teve acesso, recomenda ainda que se evite a utilização por “rotina” de clisteres, a raspagem dos pelos púbicos, a aceleração do trabalho de parto e a restrição de alimentos e água, procedimentos comuns em maternidades portuguesas.

Os especialistas aconselham o apoio à liberdade de movimentos da mulher durante o trabalho de parto, o acesso a líquidos, como água, e possibilitar o contacto “pele a pele” do bebé com a mãe, mal este nasça.

Como prática promotora do parto normal, o documento sugere que não separem a mãe do recém-nascido para prestar cuidados de rotina.

“É um projecto que se propõe construir um consenso sobre conceitos, princípios e práticas promotoras do parto normal, entre os grupos profissionais directamente envolvidos na assistência ao parto, utilizando uma metodologia que inclui a perspectiva do cidadão”, refere o documento.

No documento, em que se revê todo o conceito e prática do parto normal, pretende alcançar-se um consenso e neste momento está a ser certificado pela Ordem dos Médicos, Ordem dos Enfermeiros e Direcção-Geral da Saúde, segundo fonte ligada ao processo.

Do grupo de peritos que subscreve o documento, encontram-se o presidente da Sociedade Portuguesa de Obstetrícia, Luís Graça, o também ginecologista e presidente do conselho de administração da Maternidade Alfredo da Costa, Jorge Branco, e Ana Campos, directora do serviço de Obstetrícia da mesma maternidade.

Lusa
Jornal Público
25.04.2010

Aqui fica o site deste excelente projecto: Grupo pelo Direito ao Parto Normal.

“Conversas em Família – A chegada do Bebé”

Conversas em Família – A chegada do Bebé

Ginásio da MAC – 3º Piso

Dia 17 de Maio, das 11h às 13 h

O que são as Conversas em Família?
A chegada de um bebé à família é um momento único e emocionante. A MAC pretende que o vivam em pleno, quer durante a gravidez, quer depois do nascimento, usufruindo de todos os seus direitos, com conhecimento de todos os serviços que vos poderão apoiar em todos os momentos.

Ao participar nesta iniciativa terão uma oportunidade única de conhecer alguns dos especialistas da MAC que poderão contribuir para o bem-estar psicológico, físico e social de toda a família, esclarecendo todas as vossas questões.

A quem se destina?
Esta acção destina-se à família, mais concretamente à grávida, ao pai e/ou ao familiar que acompanha a gravidez e aos casais que recentemente tiveram um filho.

A iniciativa será aberta aos utentes da MAC e à sua família.

Quais os Serviços intervenientes?
Banco do Bebé, Fisioterapia, Psicologia, Pediatria, Serviço Social.

Programa
Apresentação dos Serviços da MAC e “Conversas” sobre os seguintes temas:
A Chegada do Bebé e …
…o papel do Pai
…os primeiros dias de Vida
…o Casal
…a Protecção Social na Parentalidade
…os Irmãos
…os apoios à Família e o Voluntariado

Lanche

Como participar?
Para participar nas “Conversas em Família” terá que se inscrever.

As inscrições estão disponíveis nos vários balcões dos serviços administrativos da MAC ou através do email gic@mac.min-saude.pt. Para mais informações poderá contactar o 213184012.

INSCRIÇÕES GRATUITAS E OBRIGATÓRIAS

“Leite materno combate cancro”

As vantagens da amamentação exclusiva dos bebés acabam de ganhar um forte argumento com a descoberta, feita por uma equipa da Universidade de Gotemburgo, de que o leite materno possui um composto que ataca decisivamente as células cancerígenas e que pode ser decisivo na prevenção oncológica desde muito cedo.

Denominado HAMLET – da expressão inglesa «Human Alpha-lactalbumin Made Lethal to Tumor Cells» – o composto foi posto à prova em inúmeros testes clínicos, tendo os cientistas descoberto que é decisivo em casos de cancro da bexiga e outros 40 tipos diferentes de patologias oncológicas. E, mais crucial ainda, a substância parece não afectar as células saudáveis, ou seja, não causa os habituais efeitos secundários relacionados com outros tratamentos, como é o caso, por exemplo, da quimioterapia.

Roger Karlsson, da Universidade de Gotemburgo, afirma que o HAMLET «é produzido através da combinação da alfa-lactalbumina do leite materno com o ácido oleico presente no estômago dos bebés» e «ataca o núcleo das células tumorais», para além de «espoletar os mecanismos de morte celular programada». O especialista revelou ainda que o HAMLET foi descoberto por acaso, quando a equipa que dirige «estava à procura de substâncias antibióticas do leite materno».

Os primeiros testes determinaram, segundo o mesmo cientista, redução dos tumores em pacientes com cancro na bexiga que foram injectados com o HAMLET. Numa entrevista ao jornal britânico Telegraph, Karlsson afirmou que o próximo passo é o de determinar de que forma o composto poderá vir a ser usado em larga escala. Algo que deverá acontecer «no espaço de cinco anos e como complemento aos processos de quimioterapia».

Revista PAIS & Filhos
22 Abril 2010

Vivência Holística da Gravidez e Parto

Preparação para o Nascimento

15, 16 e 29, 30 de Maio

Alma Cheia – Lisboa

Programa do Encontro

A Gravidez

- Mudanças e Descoberta
- Alívio natural de pequenos desconfortos
- Cuidados naturais durante a gestação
- Nutrição
- Aspectos psicológicos e emocionais: relacionamentos, novos papeis

O Parto

- Anatomia e Fisiologia do Parto
- Sinais da chegada da hora do parto
- Parto natural e parto com intervenção
- Parto domiciliar e parto hospitalar
- Epidural e as alternativas naturais para o alívio da dor
- O círculo medo/tensão/dor vs confiança/entrega/amor
- Plano de Parto – recomendações da Organização Mundial de Saúde
- A mulher e o bebé protagonistas do parto
- O papel da Doula
- O acompanhante de parto

Pós-Parto e Amamentação

- Desconfortos do pós-parto
- Recuperação abdominal e perineal
- Aspectos psicológicos e emocionais inerentes ao parto e pós-parto
- Importância da amamentação
- Técnicas para lidar com os problemas mais comuns da amamentação
- Cuidados naturais no pós-parto e amamentação

Cuidados com o Bebé

- Preparativos para a chegada do bebé
- Cuidados de higiene
- Olhar, Sentir, Escutar, Tocar
- Dar lugar à intuição

Datas e Horários:
Sábado 15 e 29 de Maio: 9h30-13h00 e 15h00-19h00
Domingo 16 e 30 de Maio: 9h30-13h30

Participação:
150,00 € (casal)
120,00€ (individual)

Facilitadora: Doula Carla Silveira

Eu recomendo este “curso” a todas as futuras mamãs, a Doula Carla Silveira é uma mulher muito especial que transmite muita confiança e empoderamento ao casal.  :)

Parto Natural

Excelente documentário brasileiro sobre parto natural humanizado e ainda podemos ver o emocionante nascimento de uma bebé!  :)

Parto Natural – Natural Birth from José Gaspar on Vimeo.

Petição para reduzir número de alunos por turma

No dia 29 de Abril foi apresentada pelo Movimento Escola Pública (MEP) uma petição que defende a redução do número de alunos por turma. A uma média de mais de mil assinaturas por dia, este movimento de cidadãos conseguiu assim, em apenas três dias, ultrapassar as quatro mil assinaturas, número necessário para levar o assunto a discussão na Assembleia da República.

A iniciativa baseia-se na convicção de que a redução do número de alunos por turma contribuirá para combater o insucesso escolar e prevenir a indisciplina. «É uma medida muito importante que contribui para combater o insucesso escolar e prevenir fenómenos de indisciplina. Um professor com uma turma de 28 alunos tem muito menos capacidade para acompanhar todos os estudantes», afirmou à agência Lusa Miguel Reis, do MEP.

É principalmente nas zonas periféricas dos grandes centros urbanos, segundo o MEP, que as turmas atingem perto de 30 alunos. Essa situação enfraquece a relação pedagógica e abre caminho à naturalização do insucesso e à sensação de impotência profissional. São muitos os professores que têm a seu cargo mais de 150 alunos, tornando muito difícil o acompanhamento, a dedicação e o investimento desejáveis.

«Há casos de professores com sete turmas e com mais de 200 alunos. É impossível acompanhar a realidade. Uma coisa é saber o nome dos alunos, outra coisa é identificar as dificuldades de cada um», alertou Miguel Reis.

Limites propostos: 19 alunos no 1º ciclo e 22 nos anos seguintes
Na petição, defende-se que as turmas de jardim de infância e 1º Ciclo não tenham mais de 19 alunos por professor, ou 15 no caso de haver no grupo crianças com necessidades educativas especiais.

Entre o 5º e o 12º ano, os subscritores propõem que o número de alunos por turma não ultrapasse os 22, ou os 18 no caso especial atrás referido.

Importante também, para o MEP, é que cada professor não tenha a seu cargo mais de cinco turmas por ano lectivo, não excedendo os 110 alunos.

A lei estabelece que o número de alunos nas turmas do 2.º e 3.º ciclos e secundário varie entre os 24 e os 28 alunos e que no 1.º ciclo o número máximo seja 24.

O MEP sublinha ainda que a petição defende a redução do número máximo de alunos por turma e não necessariamente a redução do número médio de alunos por turma. Ou seja, pretende-se sobretudo acabar com as turmas demasiado grandes, de 28 alunos, que a lei actualmente permite.

Para mais informações ou para assinar a petição vá a movimentoescolapublica.blogspot.com

Revista IOL Mãe
2010/05/03

“Posições para o Parto”

Achei muito interessante este texto que li no blog da doula Catarina Pardal:

Durante meu trabalho de investigação numa grande maternidade jamaicana, havia uma luta constante entre as parturientes e as parteiras, querendo as primeiras levantar-se para se agacharem ou balançarem a pélvis para trás e para a frente, com os joelhos flectidos, e tentando as segundas metê-las na cama, onde deveriam deitar-se sossegadas, como boas doentes.

Uma freira da classe média, que estava de serviço na sala de parto, embaraçada por eu, uma pessoa de fora, estar a assistir a isto, disse: ‘Não sei como aguenta ver isto. Elas são como animais!’ O pessoal estava perfeitamente consciente de que os movimentos executados pelas parturientes não eram adequados a um código de comportamento da classe média branca e sentiam-se envergonhadas.

As índias Sia sentam-se num banquinho baixo, enroladas num cobertor, de costas para o fogo, levantando-se e caminhando quando têm vontade. No momento da expulsão, ajoelham-se numa cama de areia, com as mãos agarradas ao pescoço do pai e as costas apoiadas ao corpo da parteira, que está sentada com os braços passados em torno delas, dando-lhes massagens no ventre. Entre os nómadas siberianos, a parturiente apoia-se a duas traves paralelas, a cerca de um metro uma da outra, ligadas por uma barra transversal; durante as contracções fica suspensa
por baixo dos braços, de modo que toda a parte de baixo do corpo fica descontraída, apoiada à barra. Na Ilha de Páscoa, que constitui uma excepção dado os parteiros serem do sexo masculino, a mulher decide se prefere ficar de pé com as pernas afastadas ou sentada; o parteiro fica de pé atrás dela, apoiando-a com o seu corpo e dá-lhe massagens lentas e ritmadas no ventre.

A posição que a mulher adopta durante as últimas fases do trabalho de parto pode variar, desde sentada nas cadeiras e banquinhos usados na Europa medieval (que só se modificou no reinado de Luís XIV, quando os obstetras convenceram as amantes do rei a dar à luz deitadas em mesas de modo a que aquele, escondido atrás de uma cortina, pudesse ver tudo) [apud Pete M. Dunn, "Obstetric Delivery Today", Lancet, April 10, 1976], até balançar pendurada nas traves da cabana. A posição mais frequentemente adoptada, e que é também a mais vantajosa do ponto de vista fisiológico, é com as costas curvadas, os joelhos flectidos e os músculos que percorrem a parte interior das coxas descontraídas

Sheila Kitzinger, Mães – um estudo antropológico da maternidade
Lisboa, Presença, 1978; pp. 93-94