“Posições para o Parto”

Achei muito interessante este texto que li no blog da doula Catarina Pardal:

Durante meu trabalho de investigação numa grande maternidade jamaicana, havia uma luta constante entre as parturientes e as parteiras, querendo as primeiras levantar-se para se agacharem ou balançarem a pélvis para trás e para a frente, com os joelhos flectidos, e tentando as segundas metê-las na cama, onde deveriam deitar-se sossegadas, como boas doentes.

Uma freira da classe média, que estava de serviço na sala de parto, embaraçada por eu, uma pessoa de fora, estar a assistir a isto, disse: ‘Não sei como aguenta ver isto. Elas são como animais!’ O pessoal estava perfeitamente consciente de que os movimentos executados pelas parturientes não eram adequados a um código de comportamento da classe média branca e sentiam-se envergonhadas.

As índias Sia sentam-se num banquinho baixo, enroladas num cobertor, de costas para o fogo, levantando-se e caminhando quando têm vontade. No momento da expulsão, ajoelham-se numa cama de areia, com as mãos agarradas ao pescoço do pai e as costas apoiadas ao corpo da parteira, que está sentada com os braços passados em torno delas, dando-lhes massagens no ventre. Entre os nómadas siberianos, a parturiente apoia-se a duas traves paralelas, a cerca de um metro uma da outra, ligadas por uma barra transversal; durante as contracções fica suspensa
por baixo dos braços, de modo que toda a parte de baixo do corpo fica descontraída, apoiada à barra. Na Ilha de Páscoa, que constitui uma excepção dado os parteiros serem do sexo masculino, a mulher decide se prefere ficar de pé com as pernas afastadas ou sentada; o parteiro fica de pé atrás dela, apoiando-a com o seu corpo e dá-lhe massagens lentas e ritmadas no ventre.

A posição que a mulher adopta durante as últimas fases do trabalho de parto pode variar, desde sentada nas cadeiras e banquinhos usados na Europa medieval (que só se modificou no reinado de Luís XIV, quando os obstetras convenceram as amantes do rei a dar à luz deitadas em mesas de modo a que aquele, escondido atrás de uma cortina, pudesse ver tudo) [apud Pete M. Dunn, "Obstetric Delivery Today", Lancet, April 10, 1976], até balançar pendurada nas traves da cabana. A posição mais frequentemente adoptada, e que é também a mais vantajosa do ponto de vista fisiológico, é com as costas curvadas, os joelhos flectidos e os músculos que percorrem a parte interior das coxas descontraídas

Sheila Kitzinger, Mães – um estudo antropológico da maternidade
Lisboa, Presença, 1978; pp. 93-94

Maio – Mês da Doula

Doulas de ontem, hoje e sempre!

Desde o início, as mulheres dão à luz acompanhadas de outras mulheres. Além da parteira – responsável pelo nascimento -, sempre estiveram presentes amigas, parentes ou vizinhas da parturiente, para oferecer-lhe todo o apoio necessário nessa hora importantíssima.

Normalmente, são pessoas que já passaram por esta situação, e estão lá para transmitir conhecimento e carinho. Basta observar que, nos quadros antigos que retratam cenas de partos, sempre aparecem mulheres à volta da futura mamãe. E não apenas como simples espectadoras do nascimento, mas como personagens activas, que reconfortam as costas da mulher, seguram sua mão, preparam o ambiente, aquecem a água, secam o suor que escorre de sua testa… Enfim, legítimas doulas!

(…)

E tudo culminou com a publicação, em 1996, de um guia da OMS. Nele, há referências directas às doulas:

A doula fornece apoio emocional, consistindo de elogios, reafirmação, medidas para aumentar o conforto materno, contacto físico, como friccionar as costas da parturiente e segurar suas mãos, explicações sobre o que está acontecendo durante o trabalho de parto e uma presença amiga constante. (…) O apoio reconfortante constante de uma pessoa envolvida diminuiu significativamente a ansiedade e a sensação de ter tido um parto difícil, numa avaliação feita por puérperas 24 horas após o parto. Também teve um efeito positivo sobre o número de mulheres que continuavam a amamentar seis semanas após o parto.

(…) Não é à toa, portanto, que o papel dessas acompanhantes de parto está voltando a ser estimulado nos grandes centros de todo o mundo, porque a própria Ciência já reconheceu que, o que era feito espontaneamente pelas mulheres desde os tempos mais remotos, é, de facto, um grande apoio para as gestantes alcançarem um parto mais rápido, mais saudável e mais feliz.

Uma serva que dá apoio físico, emocional, energético e espiritual

(…) A humanidade sempre precisou do apoio e do amparo de uma pessoa que incentivasse nos momentos trabalhosos que antecedem o nascimento. Esse papel sempre foi exercido por uma mulher, a energia feminina que a gestante necessita. O parto é uma experiência bastante forte física e energicamente. No instante em que a doula segura a mão da parturiente e diz: “Estou aqui, pode contar comigo”, ela está doando energia. Energia de uma mulher para outra mulher, que sabe exactamente o que está acontecendo ali, porque, na maioria das vezes, já passou por isso. (…)

InA Doula no Parto“, de Fadynha

Gostaria de deixar um beijinho muito grande à “nossa” querida Doula Nereida, que é uma leitora do blog RM muito especial!  :)

Dia da Mãe – 2 de Maio

Como o dia 2 está quase a chegar, aproveito para desejar um Feliz Dia da Mãe a todas as Mamãs RM! Vivam intensamente os vossos filhos, mesmo os que ainda estão dentro da barriguinha!  ;)   :D

“Eu cuido do bebé, tu brincas com o carro”

Apesar de achar que as crianças não são todas iguais no que diz respeito às escolhas dos brinquedos e que, do meu ponto de vista, não é isso que vai determinar, à partida, as suas aptidões na vida adulta, confesso que achei interessante este estudo, pois dá-nos uma razão biológica, ancestral, que de facto faz muito sentido (pelo menos para mim):)

Todos os pais sabem que é verdade: as meninas adoram brincar com bebés e os rapazes costumam virar-se para os carros. Estas preferências são vincadas muitas vezes ainda a criança não completou um ano. Um estudo confirma agora que não é imaginação dos pais – há de facto diferenças muito precoces entre meninas e meninos na escolha dos brinquedos – e sugere que há razões biológicas por trás destas escolhas.

Investigadores da City University London decidiram avaliar as escolhas livres de 90 bebés com idades entre os nove e os 36 meses. As crianças podiam escolher entre sete brinquedos: alguns tipicamente chamados «de rapaz», como um carro, uma escavadora, uma bola e um ursinho azul; outros tipicamente de menina, como um ursinho rosa, uma boneca ou um conjunto de cozinha.

Os bebés foram colocados a um metro de todos os brinquedos, tendo assim igual acesso a qualquer deles. As suas primeiras escolhas, bem como o tempo passado a brincar com cada um dos brinquedos (durante três minutos) foram registados. Para que conste:

- entre os nove e os catorze meses, os rapazes passaram muito mais tempo a brincar com a bola e com o carro do que as raparigas. Estas, por seu lado, passaram bastante mais tempo a brincar com a boneca do que eles;

- entre os dois e os três anos, as raparigas passaram metade do tempo com a boneca. Os rapazes passaram quase 90 por cento do tempo a brincar com o carro e a escavadora, nos quais as raparigas quase não tocaram. Entre os rapazes, apenas dois tocaram de passagem na boneca;

- os rapazes não demonstraram qualquer preferência pela cor azul porque também não demonstraram qualquer interesse nos ursos de peluche. As meninas revelaram mais interesse por este clássico, sobretudo as mais novas.

Os resultados revelaram que existem tendências intrínsecas na escolha dos brinquedos que podem sugerir motivações de ordem biológica. Ou seja, se os rapazes escolhem brinquedos que sugerem movimento e as raparigas brinquedos que pedem protecção e cuidado, não estará essa escolha relacionada com as origens da humanidade? Eles crescem para sair, para procurar alimento, com instintos de caçador, ao passo que elas crescem com instintos protectores, prontas para cuidar das crias.

De sublinhar que não se verificou uma relação entre as escolhas das crianças e os brinquedos que os pais consideram mais apropriados para raparigas e rapazes, por um lado, ou os papéis que desempenham na rotina familiar, por outro. Claro que as crianças estão sujeitas a muitos constrangimentos culturais e os pais passam para elas, mesmo inconscientemente, muitas expectativas relativamente ao género, mas parece haver de facto diferenças muito marcadas desde muito cedo.

As conclusões vão ao encontro das de outro estudo, realizado em 2001, que avaliou o grau de atenção de recém-nascidos com apenas um dia de vida face a vários brinquedos. Os rapazes já passavam mais tempo a olhar objectos com movimento, enquanto elas preferiam contemplar aqueles que tinham face.

Os resultados do estudo foram apresentados no Reino Unido, na conferência anual da British Psychological Society’s, em Stratford, Avon.

Revista IOL Mãe
2010/04/16

Medo no Parto

Se mais mulheres tivessem um bom acompanhamento e apoio durante a gravidez, provavelmente não sentiriam tanto receio em relação ao parto. Por isso é tão importante o trabalho das Doulas, que não só informam como empoderam as futuras mães.

Talvez chegue o dia em que as enfermeiras parteiras e até os próprios obstetras portugueses também tenham a mesma postura das Doulas e informem correctamente e empoderem as grávidas que seguem! Não custa sonhar.  ;)

Uma mulher informada, empoderada, protegida e acarinhada tem tudo para ter um parto tranquilo, mesmo no caso de ser necessário realizar uma cesariana.

Uma mulher grávida ou em trabalho de parto, acompanhada por quem a empodera, sente-se capaz de enfrentar os seus medos mais profundos e transformar-se na Mãe que deseja com mais confiança!

“As vantagens de ter irmãs”

Achei este estudo muito interessante; é sempre bom saber que a Mulher tem muito valor, desde tenra idade.  ;)

Crescer com, pelo menos, uma irmã torna-nos mais felizes, optimistas e com capacidades acrescidas para lidar com os problemas. Isto porque as raparigas criam laços fortes e encorajam os seus familiares a comunicarem as emoções de forma mais eficaz.

Tony Cassidy, o investigador da Universidade do Ulster (Irlanda do Norte) que liderou o estudo, em conjunto com cientistas da Universidade de Leicester (Reino Unido) afirma que ter uma irmã ajuda decisivamente na manutenção de uma boa saúde mental. «As irmãs encorajam a comunicação e a coesão familiares. Porém, os irmãos parecem ter o efeito oposto. A expressão emocional é fundamental para a boa saúde psicológica e as raparigas são boas aliadas».

As raparigas que têm irmãs também tendem a ser mais independentes e motivadas para a obtenção de resultados. E os efeitos são mais visíveis nas famílias monoparentais, o que parece indicar que as irmãs se apoiam umas às outras em contexto de divórcio dos pais. Os resultados deste trabalho acabam de ser apresentados no encontro anual da Sociedade Britânica de Psicologia.

Cassidy afirma que os resultados mais baixos do estudo, que envolveu 571 jovens adultos, foram obtidos pelos rapazes que apenas têm irmãos. «Tal poderá dever-se ao facto dos rapazes terem tendência a não verbalizar as coisas e quando estão juntos quase que se assiste a uma ‘conspiração de silêncio’ que as raparigas estilhaçam rapidamente».

Revista PAIS & Filhos
19 Abril 2010

Encontro de Maternidade e Gravidez Natural

Encontro de Maternidade e Gravidez Natural

Domingo, 2 de Maio

Horário: 10-12.30h e 14-17.30h

São poucos os factos da vida envoltos em tanto mistério, medos e tabus quanto o parto. Talvez nem o sexo tenha sido tão mistificado, alguém aqui já ouviu falar de quem tenha medo de morrer de sexo? Ou de ter falta de líquido, cordão enrolado, bacia estreita para o sexo?  Quem já esteve grávida fartou-se de ouvir de amigos, parentes, conhecidos e até de desconhecidos sobre os grandes perigos do parto. Qual é a grávida que não foi parada pela cabeleireira, pela cunhada da prima da vizinha para ouvir uma história tenebrosa sobre o bebé que bebeu água do parto, que chorou na barriga, que fez cocó no líquido amniótico, que tinha 30 voltas de cordão no pescoço? Se está grávida e se a sua barriga já aparece, certamente você já ouviu uma história dessas e não gostou nada dos pulos que o seu coração deu. Pensando em ajudar as mulheres/casais que se encontram nessa situação, ficam neste encontro algumas dicas para ajudar a desmistificar os “grandes perigos” que cercam a gravidez e o parto!

Formadora: Filipa Leite – Mãe, Engenheira do Ambiente, Educadora Ambiental, Permacultora, Terapeuta de Massagem Ayurvedica.

Público alvo: Grávidas, mães e interessados em obter informação baseada em evidências científicas segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) e nos princípios da MotherBaby-Friendly Initiative (MBFI).
Lotação: 4 a 10 participantes

Preço: 45€
Local: Quintal, Rua do Rosário, 177 Porto
Inscrições e informações: tlf 222 010 008 ou por email: mail@quintalbioshop.com

Pagamento até dia 30 de Abril no Quintal ou por transferência bancária para o nib: 0007 0000 00190179850 23 (enviar comprovativo da transferência por email).
Atenção: Antes de fazer a transferência confirme se ainda há vagas. As desistências só serão reembolsadas com aviso prévio até 24 horas antes do workshop.

Primeiro Aniversário

Hoje, dia 23 de Abril de 2010, o blog Rituais Maternos faz um aninho!  :D

É incrível como já passou um ano, parece que ainda foi ontem que iniciei o blog. Confesso que não esperava ter muitos leitores e ainda menos receber um feed back tão positivo como tenho recebido ao longo deste tempo.

Fico muito feliz por, directa ou indirectamente, informar e ajudar casais na sua caminhada para a parentalidade. E também eu tenho aprendido imenso com os vossos comentários e partilhas! Assim como aprendo com as pesquisas que faço à procura de informação, por isso também tenho a agradecer aos bloggers e autores dos textos e artigos que coloco aqui.  :)

Obrigada a todos os leitores e seguidores, sem o vosso interesse o blog RM não faria sentido.  ;)

Dia Mundial da Terra – 22 de Abril

Imagem retirada do blog Mamíferas

Quercus avisa que excesso de consumo está a destruir o planeta

“O nosso relacionamento com o planeta Terra piorou nos últimos anos. Apesar de estarmos mais eficientes, temos cada vez mais produtos a gastar mais. A pressão sobre a Terra está a tornar-se cada vez maior”, avisa Susana Fonseca, presidente da Quercus. Por isso, esta associação ambiental admite que quarenta anos depois da primeira comemoração do dia da Terra, este planeta está na mesma ou pior.

O excesso de produção e de consumo parece ser a maior das “doenças” e a que provoca o resto dos males do mundo. A Quercus aponta, até, para a iminência de um cataclismo de magnitude planetária, em que as alterações climáticas são apenas um dos sintomas.

Dados da associação ambientalista indicam que, para mantermos este nível de consumo de recursos precisamos de um planeta e meio. No caso de Portugal, o número sobe para dois planetas e meio. É como ter um frigorífico cheio de comida em casa, mas o apetite voraz exigir dois e meio para sustentar a fome.

A culpa parece ser da nossa sociedade: “É-nos passada uma imagem de consumo e de luxo, em que o valor das pessoas vem daquilo que têm e não do que são. Isto é uma atitude insustentável para quem se preocupa com questões ecológicas“, diz Susana Fonseca. Uma questão de elevada importância num planeta em que três em cada quatro pessoas vivem em países em débito ecológico.

Estas são as nações que não conseguem produzir dentro das suas fronteiras os produtos que consomem, nem desfazer-se dos resíduos que produzem. “Este desrespeito pelos limites do planeta Terra acontece quando apenas mil milhões de pessoas têm uma vida abastada, mil a dois mil milhões vivem em economias de transição e cerca de três a quatro mil milhões sobrevivem com apenas alguns euros por dia”, diz a responsável da Quercus.

“Quarenta anos volvidos, não temos um balanço positivo da nossa relação com o planeta Terra. Face ao conhecimento que actualmente possuímos, estamos bastante aquém”, conclui a presidente.

Mas, afinal, o que é que nestes 40 anos não conseguimos alterar para mudar este cenário? Em resposta, Susana Fonseca aponta três falhas: a primeira é o excesso de produção e de consumo. “A falha maior”, aponta a ecologista: “Consumimos muito mais do que aquilo que necessitamos e os indicadores que se baseiam nisto não são sustentáveis.” O problema terá começado nos anos 1980 quando passamos a ter um défice de pegada ecológica. A partir daí foi sempre a piorar.

O segundo problema destes 40 anos foi o não desenvolvimento de energias renováveis. “Há muito que as conhecemos, mas ninguém investe nelas”, frisa Susana Fonseca, que lamenta que a crise de petróleo de 1973 não tenha ensinado nada acerca dos problemas deste combustível fóssil.

Em terceiro vem a falta de educação ambiental, uma questão que se estende a toda a gente, inclusive aqueles que têm as rédeas do mundo: “O que me espanta é que haja um consenso sobre as alterações climáticas, mas que ninguém tenha tido a coragem para que se assine um protocolo“, critica. Para a Quercus, é preciso que as pessoas saibam viver com o planeta, “sem serem agressivos”.

É preciso formar pessoas, principalmente os líderes, antes que fiquemos sem recursos. O grande problema é que estivemos estes anos todos sem ligar nada ao planeta e agora temos de aprender rapidamente como tratar dele”, acrescenta Susana Fonseca.

Passados 40 anos, o cenário não é famoso, por isso a ecologista espera que quando chegarmos aos 50 anos do dia da Terra, estes três problemas estejam resolvidos: “Isto sendo bastante optimista.”

Por Bruno Abreu
DN Ciência
22/04/2010

Como gosto de acreditar que ainda há esperança, deixo-vos dois vídeos com uma bonita mensagem. No primeiro vídeo podemos apreciar a beleza do nosso planeta Terra e no segundo inspirarmo-nos para uma melhor educação (ambiental) dos nossos filhos!  ;)

“Excesso de limpeza conduz a aumento de alergias”

Há uma relação proporcional entre o nível de higiene e a incidência de alergias e doenças auto-imunes. Quanto mais estéril é o ambiente onde uma criança vive, maior é o risco de ela vir a desenvolver alergias ou outro problema do sistema imunitário ao longo da vida. É esta a opinião de Guy Delespesse, professor na Universidade de Montréal e director do Laboratório para a Investigação em Alergias do Hospital daquela universidade.

O excesso de limpeza é portanto um dos factores responsáveis pelo aumento da prevalência, e também da gravidade, de alergias em todos os países desenvolvidos. Em 1980 10 por cento da população do mundo ocidental era afectada por este tipo de doenças. Actualmente, esse número subiu para os 30 por cento. Uma em cada 10 crianças tem asma e a mortalidade devida a esta doença aumentou 28 por cento entre 1980 e 1994.

Nas doenças alérgicas e outras com origem no sistema imunitário, este vira-se contra o próprio organismo. Isto acontece, segundo Delespesse, porque as crianças têm cada vez menos contacto com micro-organismos benéficos. O excesso de limpeza protege-as de bactérias nocivas, mas simultaneamente priva-as da exposição a esses micro-organismos que «educam» o sistema imunitário quando entram no tubo digestivo, enriquecendo a flora intestinal. No fundo, essas «bactérias boas» ensinam o organismo a reagir a substâncias estranhas e habituam-no a essa reacção.

Esse processo natural é muito importante nos primeiros anos de vida. Para promovê-lo e garantir que a flora intestinal de uma criança se enriquecerá, educando assim o sistema imunitário, não é preciso pô-la a mexer no lixo ou deixá-la sem tomar banho (se bem que há especialistas que defendem este último processo precisamente como forma de prevenção de alergias).

Segundo Delespesse afirmou ao jornal britânico Daily Mail, é importante reforçar a dieta com probióticos. Trata-se de bactérias benéficas para a flora intestinal, que devem começar a ser consumidas logo pela mãe, durante a gravidez. Essa medida será uma forma de prevenir que o bebé em gestação venha a ser uma criança alérgica. (…)

Revista IOL Mãe
2010/04/16

Os probióticos são bons e as mulheres que acabam de ter os seus bebés têm o melhor probiótico do mundo para os seus filhos: o Leite Materno! Este possui na sua constituição as tais bactérias benéficas para o organismo do bebé, como é o caso das bifidobactérias e os lactobacilos. O colostro (1º leite) é muito rico em elementos de defesa, que vão fortalecer o sistema imunitário do bebé; muitas vezes o colostro é designado a 1ª vacina do bebé.

Outro facto curioso é que os bebés que nascem de parto vaginal, devido à proximidade com o ânus da mãe, têm contacto com a flora intestinal materna que é a principal fonte de bactérias para a colonização do intestino do bebé. Se pensarmos bem, a posição mais favorável ao parto vaginal é quando o bebé nasce com a face virada para o ânus da mãe. A Natureza sabe bem o que faz, nada é por acaso!  ;)