Semana Mundial do Aleitamento Materno – Partilha da Mãe Lúcia
“Presentemente contamos com 22 meses de amamentação.
Antes da minha filha nascer procurei informação em sites e foruns, li, pesquisei, fiz um curso de preparação para o parto onde o tema amamentação era abordado. Enfim…. fiz o meu trabalho de casa….
E o grande dia chegou! E uma das coisas que mais me lembro do parto foi da minha filha a mamar no ar, tal era a ansia dela! E eu logo ali na sala de partos tentei po-la na mama… desajeitadamente, e não conseguimos. Eu era inexperiente e sentia-me tão pateta com as minha tentativas frustadas enquanto a minha filha continuava a mamar nos punhos , no ar….
Continuámos a tentar na sala de recobro…. mas só com a ajuda da enfermeira é que fomos bem sucedidas. Afinal há coisas que a natureza não nos ensina a fazer….
A minha filha era uma chorona… o único bebé que se ouvia naquela 1ª noite no hospital era ela… mantive a lampada acesa a noite toda. Algures pelas 3/4 horas da manhã aparece uma enfermeira com um sotaque estranho e murmura algo incompreensivel e leva-a! Eu, desconfiada, fui atrás da enfermeira e os meus receios confirmaram-se: a enfermeira estava a dar-lhe um biberão! Perguntei-lhe: “Mas isso não vai interferir com a amamentação?” “Não” responde a enfermeira. Tretas! Eu tinha lido o suficiente para saber que sim, podia interferir. Mas não me perguntem porquê , mas aceitei aquela resposta impassivamente… as hormonas, o cansaço, sei lá…. Não tinha nem vontade nem forças para retorquir. A enfermeira devolveu-ma passado poucos minutos e eu, sob o efeito das tais hormonas e do cansaço, convenci-me que a nossa relação de amamentação tinha acabado e só me apetecia chorar. A minha filha dormia finalmente! Claro! Tinha o estomago cheio!
Só que acordou meia hora depois a chorar de novo, e eu mudei fralda, dei colo, fiz massagens na barriga, sei lá mais o quê…. e ela não se calava. Fome não devia ser pois tinha tomado aquele biberão, mas fiz a única coisa que ainda não tinha tentado: pus na mama. E mamou… naquele momento senti a minha alma renascer.
A minha subida do leite já se deu em casa, passados 4 dias. Mas não foi demasiado complicado. Complicado foi as gretas que me surgiram. Fiquei com os mamilos em sangue. Quando estava em casa andava com os mamilos ao ar (em Dezembro, não me perguntem como) mas quando saía era terrível; os mamilos em crosta colavam-se ao soutien e era doloroso descola-los. De cada vez que ela mamava só me apetecia gritar tais eram as dores. Não tinha biberões em casa, nem leite em pó…. mas se tivesse talvez tivesse caído em tentação. É realmente muito dificil. Pedi ajuda, depois de o meu companheiro me convencer, pois a minha capacidade de pensar de forma racional estava temporiarmente afetada. Pelos vistos era a pega, tal como já desconfiava.
Mesmo depois da ajuda a miúda continuava a não pegar muito bem; eu colocava-a corretamente, mas aboca dela acabava por escorregar para a posição inicial…. mas eu ia insistindo. Já não sei se ela aprendeu, se boca cresceu, se o mamilo ganhou calo, o facto é que resolveu-se o problema.
Como disse no início; contamos já com 22 meses de amamentação. E tem sido tão gratificante para ela como para mim.”
Obrigada Lúcia, por partilhar a sua história de amamentação aqui no blog RM. E parabéns por ter seguido o seu coração de Mãe, quando só surgiam obstáculos. 22 meses de maminha é um presente do céu para a sua filha!
Filed under: Testemunhos de Amamentação on Outubro 5th, 2011 | No Comments » Poste no seu Twitter







