“Uma birra vista por dentro”

“Todas as birras obedecem a um padrão. Saiba como reagir e nunca se esqueça: as birras fazem parte do desenvolvimento normal de uma criança. A culpa não é sua!

Alguma vez pensou que as birras podiam tornar-se um objecto de estudo? Michael Potegal, neuropsicólogo da Universidade de Minnesota, e James Green, da Universidade de Connecticut, EUA, decidiram dissecar as birras das crianças para melhor entender o que elas sentem.

Se ainda não têm capacidade para exprimir por palavras as suas emoções, talvez seja útil que pais e educadores saibam entender os seus sinais corporais e as suas vocalizações. Foi o que pensaram os investigadores.

Gritar, espernear e atirar-se para o chão obedecem a um padrão, apesar de poderem ter várias nuances e intensidades e poderem sobrepor-se em algum momento. As birras têm um ritmo próprio, segundo ficou demonstrado por este estudo, publicado no jornal científico Emotion.

Se os adultos entenderem o padrão e o ritmo de uma birra, será mais fácil reagirem da melhor forma. Por outro lado, será mais fácil também distinguirem uma birra normal, que faz parte do desenvolvimento de todas as crianças, de uma birra que pode ser sinal de alguma perturbação no desenvolvimento ou bem-estar emocional da criança.

ANATOMIA DE UMA BIRRA

Para “dissecarem” as birras, os investigadores criaram um fato especial com um microfone incorporado e gravaram mais de 100 birras. Depois analisaram as gravações e estabeleceram padrões, com a ajuda de gráficos. Analisaram também vídeos domésticos cedidos por pais. Perceberam que os mesmos sons surgiam, normalmente, com um padrão definido:

- Primeiro os gritos agudos e berros.
- Depois acções físicas como arremessar coisas e atirar-se para o chão.
- Por fim, choro e lamentos e a necessidade de consolo.
Seja qual for o tempo de duração ou a frequência com que acontecem, todas as birras seguem este padrão.

Gritos agudos e berros podem a certa altura ocorrer em simultâneo com pontapés. Choro e lamento também podem ter início quando a criança está no chão. Mas a sequência é sempre a descrita.

UM TURBILHÃO DE EMOÇÕES EM SIMULTÂNEO
Por outro lado, não é verdade que a fúria e a tristeza correspondam a duas fases distintas da birra. As duas emoções estão muito interligadas e podem estar presentes ao longo de todo o episódio. Lamentos que revelam tristeza e picos de gritos que revelam raiva vão-se intercalando ao longo da birra.

O MELHOR QUE OS PAIS PODEM FAZER: NADA!
O segredo para que a birra acabe rapidamente é deixar que a criança passe pelos picos de raiva que fazem parte de todas as birras e não os prolongar. Como? Não fazendo nada. É difícil, claro, mas os pais devem perceber, segundo Michael Potegal, que a raiva é uma armadilha. Qualquer reacção, mesmo que seja fazer perguntas, só vai prolongar a birra. Tentar conversar é acrescentar informação a um sistema que já não consegue lidar com mais nada.

Da mesma forma, não se deve responder racionalmente a exigências irracionais que as crianças fazem enquanto estão a ter uma birra. Nessa altura, nos picos de raiva, só se deve mesmo esperar que passe.
Assim que a criança expressar toda a raiva que tem de expressar, só vai ficar a tristeza e a procura de consolo.

AS BIRRAS FAZEM PARTE DO DESENVOLVIMENTO, NÃO RESULTAM DE INCOMPETÊNCIA EDUCATIVA DOS PAIS
Analisadas cientificamente as birras não são muito diferentes de fenómenos naturais, como a trovoada, por exemplo. Entender o seu fluxo e padrão, vai dar aos pais uma sensação de controlo que é muitas vezes o que lhes falta e o que pode agravar a situação.

Os pais não devem sentir-se culpados pelas birras, o que por vezes acontece – sobretudo quando as birras ocorrem em público e há olhares reprovadores perante a cena, como se ela resultasse da incompetência deles. Fazem parte do processo de desenvolvimento. Com este ponto de partida, só têm de saber como ajudar a criança a chegar ao fim, em vez de contribuir para prolongar o fenómeno.”

Texto de Ana Esteves, Revista IOL Mãe (2011-12-09)

Gostei deste artigo pelo facto de não colocar sobre os pais o peso da culpa por algo que não temos controlo. Quem tem filhos “high need” compreende bem o que é uma “birra” e sabe o quanto DIFÍCIL é fazer alguma coisa para tentar acalmar o bebé/criança. É simplesmente desesperante, principalmente quando estamos sozinhos com eles. Antes de ser Mãe, eu era uma dessas pessoas que olhava com reprovação para cenas de miúdos a fazerem “birras” em público. Hoje sou solidária com esses pais e dou sempre o benefício da dúvida. Sei que existem pais que não dão afecto, colo, carinho, atenção, mas também sei que há pais (como nós) que dão tudo isso, são pais atentos e presentes e no entanto os miúdos comportam-se dessa forma. É preciso muita paciência, que confesso por vezes não tenho, é preciso tolerância e acima de tudo CALMA. E claro muito, mesmo muito APOIO por parte de familiares e amigos!

 

 

 

 

 

 

Ensino doméstico um dia por semana

Uma bela iniciativa, que também poderíamos fazer por cá. Seria um bom começo para mudarmos o sistema de ensino português. :)

“Conciliar ensino doméstico com a frequência de uma escola pública é possível no Reino Unido. Esta opção tem vindo a ganhar adeptos.

No Reino Unido, a opção pelo Ensino Doméstico, no qual estão envolvidas, estima-se, 80 mil crianças, pode não ser radical. O Flexi-schooling é um regime em que as crianças estão inscritas e frequentam a escola, mas passam algum tempo lectivo por semana com o pai ou com a mãe em actividades que complementam o ensino formal.

A educação partilhada entre a escola e a família é uma opção legal, mas cabe ao professor titular de turma autorizá-la, caso a caso. A escolaridade é obrigatória, tal como em Portugal, mas isso não implica a frequência da escola a tempo inteiro. No nosso país, a opção pelo Ensino Doméstico existe, mas não permite um regime combinado.

No Reino Unido, o número de pais que tomam esta opção tem vindo a crescer. As possibilidades cada vez maiores de trabalho com horários flexíveis ou em part-time, e o número crescente de crianças na escola pública (escolas enormes e turmas grandes tornam o ensino muito formatado), são algumas das razões para esse crescimento. Por outro lado, a vontade de enriquecer a experiência de aprendizagem das crianças, com mais liberdade e orientação individual, tem vindo a ganhar adeptos.

Um dia de escola em casa pode ser muito produtivo, com actividades direccionadas para os interesses da criança e com saídas a museus, parques ou outros locais de interesse, que de outra forma seriam difíceis de concretizar.

Na escola Shacklewell Primary School, em Londres, seis famílias estão envolvidas num projecto de flexi-schooling. Sexta-feira é o dia em que as crianças ficam com os pais. Noutras escolas, existem outras opções de equilíbrio entre o tempo de escola e o tempo de ensino doméstico. Em nenhuma das famílias envolvidas neste projecto existe o desejo de optar pelo Ensino Doméstico a tempo inteiro, mas encontraram nesta opção uma solução de compromisso entre as vantagens do ensino formal, sobretudo ao nível de socialização, e a necessidade de uma educação mais personalizada, focada nos interesses de cada criança.”

Texto de Ana Esteves, Revista IOL Mãe (2011-12-07)

“Cesariana planeada aumenta risco de obesidade”

“Bebés que nascem através de cesariana têm mais gordura no fígado do que bebés nascidos por via vaginal.

Bebés que nascem através de cirurgia, a cesariana, correm mais riscos de vir a ser obesos ou ter excesso de peso do que aqueles que nascem por via vaginal. Um estudo preliminar realizado em Londres, no Imperial College, revelou que, num grupo de 62 bebés, os que nasceram na sequência de uma cesariana electiva (planeada) tinham níveis de gordura no fígado mais elevados do que aqueles que nasceram por via vaginal. Os autores do estudo acreditam que existem mecanismos de processamento de gorduras no fígado que são condicionados pelo facto de o bebé não passar por um parto vaginal.

Provavelmente o parto e todas as hormonas envolvidas fazem desencadear os processos hepáticos que permitem o processamento saudável da gordura ingerida. O desenvolvimento metabólico é afectado pela ausência do processo de parto normal.

Os investigadores prometem investigar esta conclusão de forma mais aprofundada para esclarecer as razões que a justificam. O equilíbrio saudável de hormonas e enzimas pode também ser afectado pela forma como se nasce.

Revista IOL Mãe (2011-11-23)

Como uma criança deve viajar no carro (pelo menos) até aos 2 anos de idade

“Comer em família previne problemas de comportamento”

“Quando se senta com o seu filho à mesa para jantar, não está apenas a proporcionar-lhe uma alimentação saudável. Está também a aumentar as suas hipóteses de se desenvolver globalmente bem e a prevenir uma série de problemas do âmbito da saúde mental.

São muitos os benefícios de fazer refeições em família, sobretudo para as crianças. E não se trata apenas dos efeitos ao nível do organismo, que advêm do facto de se comer de forma mais saudável quando se come em família. Jayne Fulkerson, investigadora americana, na Universidade de Minneapolis, dedicou os últimos anos a estudar o impacto dos hábitos alimentares das crianças no seu desenvolvimento global. E afirma que as refeições partilhadas previnem também problemas de comportamento e doenças do foro da saúde mental.

Os adolescentes que fazem mais refeições em casa, com a família, são os que têm menos probabilidades de vir a tornar-se dependentes de drogas ou álcool, desenvolver depressões e revelar tendências suicidas, ter comportamentos anti-sociais ou problemas de comportamento da escola. E as raparigas adolescentes que fazem pelo menos cinco refeições por semana em casa, com a família, têm muito menos probabilidades de se tornarem anorécticas ou bulímicas.

Mais do que alimentos saudáveis, a rotina das refeições em família faz as crianças e adolescentes sentirem-se parte de um todo em que são importantes e cuja a ausência é sentida. Isso é importante para a sua auto-estima e para um desenvolvimento equilibrado.

Um jantar em família é também a oportunidade ideal para desenvolver a capacidade de comunicar e para os pais se apareceberem atempadamente da existência de algum problema que esteja a afectar os filhos.

Apesar de na Europa, sobretudo nos países latinos, as refeições em família serem muito mais frequentes do que nos EUA, e nos países anglo-saxónicos em geral, a verdade é que é um hábito que tem vindo a perder-se pelo estilo de vida apressado e pela impacto dos meios tecnológicos nas rotinas diárias de adultos e crianças.

A ciência vem agora alertar para o impacto que essa perda tem no desenvolvimento das crianças.”

Texto de Ana Esteves, Revista IOL Mãe (2011-11-08)

Um Parto Suave! :)

Alma de Parteira

Suely Carvalho, parteira brasileira, fala sobre o nosso primeiro direito: o de nascer bem! :)

Divulgo

Workshop Feng Shui Feminino

Encontro Liga La Leche

Comunicação da Eliminação (higiene natural com ou sem fraldas)

Vejam na página do blog RM no facebook.

“Dormir com os pais não é prejudicial para as crianças”

“Não existe qualquer ligação entre dormir na cama dos pais e o surgimento de problemas cognitivos e de comportamento.

Partilhar a cama com os filhos é uma das práticas educativas mais polémicas. Mas talvez seja também aquela que todos os pais, a certa altura já experimentaram. Mesmo aqueles que a consideram negativa.

Os que confiam mais no instinto, defendem que dormir em família é saudável e recomenda-se. Mas muitas são as vozes que se levantam contra os perigos. Apesar de favorecer a amamentação, a comunidade científica desaconselha esta prática pois dormir com os pais nos primeiros meses de vida aumenta o risco de Síndrome da Morte Súbita.

Em relação às crianças mais crescidas, a partir do primeiro ano de vida, é voz corrente que a cama dos pais é nociva para o desenvolvimento psicossocial, pois torna-as mais dependentes, não favorecendo a autonomia. Mas será realmente assim? Poucos estudos foram feitos no sentido de compreender os efeitos de partilhar a cama dos pais, mas ideias feitas existem muitas.

Na edição de Agosto do jornal Pediatrics pode ler-se a apresentação de um estudo que analisou o desenvolvimento de 944 crianças. Foram avaliadas aos 12 meses, aos dois anos, aos três e aos cinco. Os autores declaram que não foram encontradas diferenças quanto ao comportamento e desenvolvimento cognitivo entre as crianças que partilharam a cama dos pais e aquelas que dormiram na sua própria cama. E não foi estabelecida qualquer ligação entre problemas cognitivos e de comportamento e o facto de se ter dormido com os pais.

Por isso, os pais devem tomar decisões quanto ao local onde as crianças dormem baseados nas suas especificidades enquanto família e escolhendo em função da forma que acreditam ser aquela que mais contribui para a qualidade de sono da criança e da família.”

Texto de Ana Esteves, Revista IOL Mãe (2011-07-18)

Já tinha partilhado a minha história aqui no blog RM. Actualmente o meu filho, com mais de 12 meses, ainda dorme comigo. Deito-o ao meu lado até ele adormecer e depois ponho-o na cama dele que fica ao lado da minha. Durante a noite costuma choramingar, dou-lhe a mão, faço-lhe festinhas, digo-lhe que estou ali, às vezes canto e vejo a reacção dele. Algumas vezes sossega, outras começa a chorar mais intensamente, senta-se ou põe-se de pé (meio a dormir). Por isso regra geral tiro-o da cama dele e deito-o ao meu lado, onde dorme até de manhã (algumas vezes continuando a mexer-se). Mais raramente lá houve uma ou duas vezes que dormiu a noite toda na cama dele, só vindo para a minha já de dia. Tem dias em que acorda mal disposto, mas muitas vezes é uma delícia vê-lo abrir os olhinhos, sorrir para mim e ficarmos os 2 na cama por alguns minutos numa “ronha” matinal. :D Neste momento estou a passar uma temporada no campo e sem dúvida que houve uma melhoria no sono do meu filho. Sim, ainda não tem um sono tranquilo e já não sei há muito tempo o que é deitar-me, adormecer e só acordar de manhã. Mas também já não sou apenas Mulher, sou também Mãe! :D E sei que com o tempo o meu filho irá ter um sono mais tranquilo e conseguirá dormir a noite toda na sua cama e no seu quarto, mas tudo a seu tempo. ;)

“Banho tóxico para bebés”

“Nos EUA, apela-se a um boicote ao consumo do champô Baby Johnson’s. Segundo um novo relatório, este mantém, mas apenas em alguns países, uma fórmula que inclui substâncias cancerígenas.

O grupo The Campaign for Safe Cosmetics pediu aos pais americanos um boicote ao champô Baby Johnson’s. Segundo a organização (uma aliança de várias associações não governamentais de todo o mundo), este champô continua a conter substâncias cancerígenas na sua fórmula.

Está em causa a presença de 1,4-dioxane e de quartenium-15, um conservante químico que destrói as bactérias pela libertação de formaldeídos. Estas substâncias aumentam o risco de cancro e o aparecimento de alergias. Depois de há dois anos, o grupo ter alertado para o facto de alguns cosméticos para bebés conterem substâncias nocivas, esperavam-se algumas mudanças. Mas segundo um relatório agora apresentado, a Jonhson & Jonhson continua a manter em alguns países, incluindo os EUA, a fórmula inicial. O relatório tem o título “A banheira dos bebés ainda é tóxica”. Entre Julho e Outubro deste ano, The Campaign for Safe Cosmetics analisou a composição dos champôs Baby Johnsons comercializados em 13 países para avaliar se ainda continham as substâncias em causa. E concluiu que nos EUA, Australia, Canadá, China e Indonésia, o champô continua a ser comercializado com as referidas substâncias na sua composição. Pelo contrário, na Dinamarca, Finlândia, Japão, Noruega, África do Sul, Suécia, Reino Unido e Holanda, o mesmo champô já está livre dos elementos prejudiciais.

Além destes resultados, o documento conta com um abaixo-assinado com cerca de 3,5 milhões de assinaturas recolhidas em vários países. Se é possível à Johnson & Johnson produzir o mesmo champô sem formaldeídos, a organização americana exige que o mesmo seja feito em todos os países, pois todos os bebés merecem ser protegidos de substâncias cancerígenas. É assim exigido à multinacional que deixe de comercializar produtos com substâncias nocivas até ao dia 15 de Novembro.

Por esta razão, apelam também a todos os pais para que deixem de comprar o referido champô – uma forma de pressão para que a companhia altere a fórmula em todos os países. (…)”

Texto de Ana Esteves, Revista IOL Mãe (2011-11-03)

Apenas publiquei uma parte do artigo, fica aqui o link para quem quiser ler na íntegra (aconselho).

Pessoalmente desconfio sempre de todas as marcas de cosméticos, mesmo aquelas que dizem que são de uma linha natural. Neste momento só confio numa marca, não só porque de facto usa produtos naturais, como uma percentagem é de origem de agricultura biológica. Para além de que possui uma política ambiental muito correcta, trata-se de uma marca que tenta ser o mais ecológica possível, inclusive restituindo à Natureza aquilo que retira. Só tenho pena de não ser portuguesa, o que de certeza tornaria os preços dos produtos mais acessíveis. Para quem estiver interessado, falo da marca Urtekram! :)  

Em Lisboa sei que vendem nas lojas Miosótis e Brio; deixo aqui um link que poderá ser útil. :)