“Pais «enganados» por rótulos alimentares?”
“Nove em cada dez pais inquiridos pela Fundação Britânica do Coração (BHF) não compreendem correctamente o significado das listas de ingredientes que aparecem nos rótulos dos alimentos processados que compram para os filhos.
A BHF dá o exemplo dos pais que acreditam que uma frase como «fonte de cálcio, ferro e seis vitaminas» significa que o produto deverá ser saudável, embora não saibam dizer porquê. O mesmo se passa com expressões como «cereais integrais»
Os autores do estudo afirmam que «a mistura» de diferentes estilos de rotulagem tem vindo a lançar a confusão junto dos consumidores. No entanto, os fabricantes de produtos alimentares insistem que as listas de ingredientes que colocam nos seus produtos são claras.
A Fundação contesta estas afirmações, dizendo que, por exemplo, a maior parte dos alimentos que se dizem integrais ou enriquecidos com minerais e vitaminas têm mais açúcar e calorias de que outros produtos como bolos pré-fabricados.
A pesquisa foi realizada junto de 1454 pais de crianças com menos de 15 anos e cerca de 60 por cento afirmaram acreditar que um produto que contenha a frase «sem corantes nem conservantes» é, à partida, uma escolha mais saudável, quando não é líquido que tal seja verdade.
Em contrapartida, 84 por cento dos inquiridos veriam com bons olhos a adopção, por parte das marcas e fabricantes, de uma rotulagem mais clara e colocada na parte da frente das embalagens.
Peter Hollins, dirigente da BHF, afirma que os fabricantes de produtos alimentares para crianças estão «a tapar os olhos aos consumidores e, através de técnicas de rotulagem, inundam o mercado de alimentos ricos em gordura, sal e açúcar, que são ‘vendidos’ como opções saudáveis».
O mesmo dirigente defende a adopção de «regras claras e unificadoras de rotulagem». É tempo, afirma «de as companhias se deixarem de desculpas, adoptarem um sistema único que informe correctamente os pais sobre as características da comida que colocam no prato dos seus filhos».
Em resposta, um porta-voz da Federação dos Produtos Alimentares – que reúne as principais empresas que operam no Reino Unido, muitas das quais multinacionais presentes em todo o mundo – referiu que a BHF não partilha a metodologia da pesquisa. «As frases referidas pela Fundação como ‘enganadoras’ estão aprovadas pelas autoridades nacionais e da União Europeia e seguem parâmetros legais há muito conhecidos».”
Revista PAIS & Filhos
22 Dezembro 2009
Filed under: Saúde on Fevereiro 1st, 2010





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