“Poderosas Contracções”

As contracções são involuntárias e poderosas. Há quem diga que são o motor do parto. Correspondem à contracção do útero e dos músculos abdominais, com uma certa duração, frequência e intensidade. A sua acção vai empurrando o bebé no sentido do canal cervical e promovendo o apagamento do colo e a dilatação do canal. Também é por acção das contracções que a placenta é expulsa na terceira fase do trabalho de parto (a chamada dequitadura). Além disso, as contracções do pós-parto são importantes para estancar pequenas hemorragias que possam existir na parede uterina.

Ajudar as contracções
Não podemos decidir ter contracções, mas podemos promovê-las ou, pelo contrário, contribuir para a diminuição da sua intensidade e frequência. Por isso se consegue adiar por algum tempo o início de um parto prematuro, com repouso, ou favorecer o início do trabalho de parto, no final da gravidez, através de caminhadas ou de actividade sexual. Estes dois exemplos mostram como é contraditório pedir a uma grávida que está em trabalho de parto, seja no início ou no meio do processo, para ficar deitada.

É benéfico para estimular as contracções que a grávida possa ter liberdade de movimentos, possa caminhar, fazer rotação das ancas, pôr-se de cócoras se o corpo assim o pedir. Essa liberdade de movimentos promove as contracções, enquanto que a posição deitada, imóvel, pode abrandar o seu ritmo e intensidade ou mesmo fazer com que párem.

A camada intermédia da parede do útero é a responsável pelas contracções. Essa camada chama-se miométrio e é constituída unicamente por tecido muscular. As células do miométrio têm ligações especiais entre si que tornam possível a contracção de toda a parede uterina em simultâneo. Mas de onde vem a ordem para que estas células permitam a contracção? De elementos bioquímicos e hormonais que entram em circulação no corpo da grávida. O estrogénio, a occitocina e endorfinas naturais fazem parte deste «caldo» único e irrepetível.

Contracções = Trabalho de parto?
Nem todas as contracções são sinal de trabalho de parto. Até às 30 semanas de gestação, o útero pode contrair esporadicamente, às vezes de forma imperceptível. Depois, podem começar a surgir contracções um pouco mais intensas, mas ainda esporádicas e indolores: são as chamadas contracções de Braxton-Hicks. Normalmente não são dolorosas e podem ter a duração de poucos segundos a um minuto. Nas últimas 10 semanas de gravidez, a frequência e intensidade das contracções pode aumentar, ainda sem que tal represente o início do trabalho de parto. Há especialistas que chamam a esta fase o período pré-parto ou fase latente. Pode durar várias semanas.

As contracções que marcam o início do trabalho de parto têm um intervalo regular entre si e uma intensidade crescente. Nesta fase, estar descontraída e confiante é a melhor forma de ajudar o seu corpo a manter o ritmo das contracções. Luz baixa e poucas palavras ajudam-na a concentrar-se no que o seu corpo lhe pede.

As contracções regulares e intensas que marcam o início do trabalho de parto têm outra característica que permite distingui-las: sentem-se com mais intensidade na parte superior do útero e parecem propagar-se de cima para baixo. O intervalo entre elas é muito variável de mulher para mulher e mesmo de gravidez para gravidez na mesma mulher. Pode começar por ser de 10 minutos, mas também pode ser de 15. Depois vai diminuindo. Esta é a fase latente do trabalho de parto que pode demorar várias horas, com contracções espaçadas, pouco prolongadas e pouco intensas. A meio da dilatação é normal que o intervalo entre contracções seja de três a cinco minutos e na expulsão de apenas um minuto. A duração das contracções é também um indicador importante para avaliar a evolução do trabalho de parto. No início duram 45 segundos, na fase da expulsão podem durar um minuto e meio.

Texto: Ana Esteves
Revista IOL Mãe
2008/04/01

2 Responses to ““Poderosas Contracções””

  1. Este artigo é muito util! esta informação de que nem todas as contracções significam o parto iminente, ou então que alguma coisa está errada é preciosa.

  2. Marina,

    Realmente é um artigo muito elucidativo, mais uma vez a Ana Esteves está de parabéns. :)

    MJ

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