“Porque razão choram quando a mãe sai do quarto”
“O imediatismo é uma das características do pranto infantil que surpreende e aborrece algumas pessoas. «Basta deixá-lo no berço que começa a chorar como se o estivessem a matar».
Para alguns especialistas em educação, esta constitui uma característica desagradável do carácter infantil e o objectivo é vencer o seu «egoísmo» e «teimosia», ensinar-lhe a atrasar a satisfação dos seus desejos. Porque razão não tem um pouco mais de paciência, porque não pode esperar um pouco mais? (…)
Começar a chorar imediatamente é o comportamento «lógico», o comportamento de adaptação, o comportamento que a selecção natural favoreceu durante milhões de anos, porque facilita a sobrevivência do indivíduo. Numa tribo, há 100 000 anos, se um bebé separado da mãe chorasse imediatamente e a plenos pulmões, a mãe provavelmente iria buscá-lo de imediato. Porque essa mãe não tinha cultura nem religião, nem conhecia os conceitos de «bem», «caridade», «dever» ou «justiça»; não cuidava do filho por pensar que essa era a sua obrigação ou porque temia a prisão ou o inferno. Muito simplesmente, o choro do filho desencadeava nela um impulso forte, irresistível, de o acudir e confortar. (…)
É claro que o ambiente onde criamos os nossos filhos é actualmente muito diferente daquele em que evoluiu a nossa espécie. Quando a leitora deixa o seu filho no berço, sabe que ele não vai passar frio ou calor, que o tecto o protege da chuva e as paredes, do vento, que não será devorado por lobos ou por ratos, nem picado por formigas; sabe que estará apenas a alguns metros, no quarto ao lado, e que acudirá prontamente ao menor problema. Mas o seu filho não sabe isso. Não pode sabê-lo. Reage exactamente como teria reagido um bebé do Paleolítico. O seu pranto não responde a um perigo real, mas a uma situação, a separação, que durante milénios significou invariavelmente perigo. (…)
O pranto de nada serviria se a mãe não estivesse também geneticamente preparada para lhe responder. O pranto de uma criança é um dos sons que provoca uma reacção mais intensa num adulto humano. A mãe, o pai e mesmo os desconhecidos sentem-se comovidos, preocupados e angustiados; sentem um desejo imediato de fazer algo para que o choro pare. (…)
Quando as normas absurdas de alguns especialistas impedem os pais de responder ao choro da forma mais eficaz (tomando o bebé nos braços, tocando-lhe, cantando, amamentando-o…), que outra saída nos resta? (…)
O que podem fazer os pais quando tudo o que serve para acalmar as crianças (peito, colo, canções, mimos) está proibido?“
Este é um excerto do livro “Bésame Mucho” do Dr. Carlos González, no qual o autor tece grandes críticas a métodos como o do Dr. Estivill (“grande defensor de ensinar crianças a dormir deixando-as chorar um minuto, três ou quatro…”). De facto, estes métodos parecem-me muito cruéis e no entanto vendem-se tantos livros sobre estas metodologias. Pessoalmente, não creio ser esta a melhor forma de criarmos e educarmos os nossos filhos. Uma criança que não receba o toque, o colo, o carinho dos pais, em momentos de choro, que espécie de pai/mãe será no futuro?
Filed under: Educação/Pedagogia on Agosto 31st, 2009





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