“Quando devo ir para o hospital?”

O trabalho de parto não se inicia, normalmente, de forma repentina. Há um período que se chama «fase latente» em que as contracções podem estar regulares e depois parar, depois voltam de novo e parece que a dilatação já está em marcha. É nesta fase que muitas mulheres decidem ir para o hospital, sem saber que teriam todas as vantagens em esperar mais um pouco.

Esta questão é muito importante, pois chegar demasiado cedo tem riscos, tendo em conta o modelo de assistência ao parto dos hospitais portugueses. Ou seja, se está provado que a liberdade de movimentos, as posições verticais e a tranquilidade são muito importantes para que a dilatação se faça naturalmente e o trabalho de parto progrida, está bom de ver que ficar deitada numa cama quando ainda se está no início do processo não é favorável e pode ter como consequência que a dilatação pare.

Cenários que devem fazer sair de casa

Lembre-se que um parto é um processo natural, o seu corpo está preparado para passar por ele e dir-lhe-á o que fazer em cada fase. Com a ajuda da doula Catarina Pardal, que já acompanhou muitas grávidas em trabalho de parto, deixamos-lhe alguns conselhos, para que esteja tranquila e decida sem precipitações:

-» As contracções são o principal sinal de trabalho de parto e dizem-nos em que fase este se encontra. Se houver contracções bem intensas, dolorosas e regulares a cada três ou quatro minutos; se estas contracções tiverem uma duração superior a 30 segundos; se a sua intensidade tem vindo a aumentar progressivamente ao longo do tempo; se não diminuem de intensidade nem deixam de ser regulares, faça a grávida o que fizer (mudar de posição, comer, deitar-se, andar), então provavelmente o trabalho de parto está numa fase activa, está bem estabelecido e é hora de pensar em ir para o hospital.

Se são contracções mais espaçadas e se não são regulares, deixe-se ficar por casa. Tome um duche quente, baixe as luzes, tente concentrar-se no seu corpo, converse com o seu bebé, fale pouco com quem estiver consigo. O trabalho de parto só terá início se estiver preparada para receber o seu bebé, se estiver tranquila e confiante.

Se não é o primeiro filho, o trabalho de parto tem tendência a ser mais rápido. Não adie muito a partida.

Se estiver muito ansiosa e preocupada porque o hospital é longe, ou porque não tem ninguém que a acompanhe em casa e lhe diga que ainda vai demorar mas está tudo bem, então mais vale ir calmamente para o hospital e, em vez de entrar logo, caminhar num sítio agradável que haja nas imediações. Espere até ter a certeza de que está em fase activa, com contracções mais fortes e regulares.

-» Se houver ruptura da bolsa, ou seja se as «águas rebentarem», havendo perda de líquido, é importante anotar a que horas começou essa perda e se foi total, ou seja se saiu uma grande quantidade de líquido de repente, ou se tem havido pequenas perdas. É importante também reparar no aspecto e cheiro do líquido – para informar a equipa médica se era incolor, ensanguentado ou esverdeado, se tinha um cheiro desagradável ou se era inodoro.
O facto de as águas rebentarem não quer dizer que o trabalho de parto tenha começado. Se não houver contracções, ainda não há dilatação, mas é um sinal de que está para breve. A maior parte das mulheres entra espontaneamente em trabalho de parto passadas algumas horas.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) só recomenda a indução 48 horas após a ruptura da bolsa. Mas nos hospitais portugueses, a indução é feita imediatamente após a chegada da grávida ao hospital, mesmo que não haja contracções. O risco de infecção aumentado é a justificação para se induzir logo o parto, apesar das recomendações da OMS no sentido de esperar que o trabalho de parto se inicie espontaneamente.

Revista IOL Mãe
2009/05/12

Aconselho a lerem o artigo completo.

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