“Repelentes de insectos têm riscos”

Os bebés do sexo masculino cujas mães utilizaram repelente de insectos durante os três primeiros meses de gravidez têm um maior risco de desenvolverem uma malformação denominada «hipospadia», revela um estudo publicado no Occupational and Environmental Medicine.

Este problema de nascença, que afecta aproximadamente dois em cada 500 recém-nascidos do sexo masculino, é caracterizado pela localização anómala do meato uretral, pequena abertura que normalmente se localiza na extremidade do pénis e que está envolvida na evacuação da urina e do sémen.

Neste estudo, uma equipa de investigadores oriundos de Barcelona e Londres comparou 471 bebés que tinham nascido em Inglaterra com hipospadia e 490 bebés sem esta malformação. As mães dos bebés foram questionadas sobre os seus estilos de vida e factores ambientais, incluindo o uso de repelentes de insectos e biocidas, como pesticidas e herbicidas, durante a gravidez.

O estudo revelou que a utilização de um único biocida não estava associada a um maior risco de desenvolvimento de hipospadia. Contudo, a utilização de vários biocidas foi associada a um risco 73 por cento maior de desenvolver hipospadia. Os investigadores constataram ainda que a utilização de repelente de insectos durante o primeiro trimestre de gravidez estava associada a uma probabilidade 81 por cento maior de desenvolvimento desta malformação.

Contudo, o estudo não investigou o tipo, a constituição e a frequência do uso de insecticidas. Assim, na opinião dos autores, é necessária uma investigação mais profunda de forma a obter conclusões mais sólidas.

Revista PAIS & Filhos
9 Dezembro 2009

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