“Silêncio, que se vai ter um filho”
“Espera-se que o nascimento de um filho seja um momento sereno e acolhedor, mas muitas mulheres continuam a sentir-se humilhadas perante o tratamento dos profissionais de saúde nas maternidades.
Acreditamos que o mal não é geral, que a maioria das grávidas em trabalho de parto encontra bons profissionais, capazes de lhes darem a mão numa contracção mais apertada. Mas sabemos, por vários relatos que nos chegam à redacção, que ainda é normal ouvirem-se comentários paternalistas, autoritários ou descabidos enquanto um bebé se prepara para nascer. Assim como nas histórias que se seguem.
Bárbara, mãe da Maria, nascida a 4 de Fevereiro de 2007
O nascimento da Maria foi provocado às 40 semanas e um dia de gravidez. Levava comigo algum nervosismo, algum medo, muita curiosidade – primeiro filho – e, sobretudo, a vontade de manter-me calma o suficiente para que o parto não fosse apenas uma experiência dolorosa.
Entrei no hospital às nove da manhã com um dedo de dilatação. Às nove da noite comecei a sentir as primeiras contracções fortes. Às quatro da manhã, como eu continuava com um dedo de dilatação, disseram ao Pedro (pai da Maria) que tinha de sair e que podia ir para casa porque ainda ia demorar. Mas não demorou muito até que as contracções começassem a ficar tão seguidas que eu nem conseguia respirar. Chamei o enfermeiro, que me fez o toque e disse: «Só tem um dedo de dilatação. Não posso chamar o anestesista para lhe dar a epidural antes dos quatro dedos». E saiu. Fiquei sozinha a tentar controlar-me, mas as dores eram insuportáveis. Não sei quanto tempo passou, mas voltei a chamá-lo. Ele entrou na sala com ar zangado: «Já lhe disse que ainda não pode levar a epidural». Implorei por um alívio para as dores. Ele balbuciou qualquer coisa, apagou a luz e saiu. Nem queria acreditar. Estava sozinha, às escuras, com dores como nunca tinha sentido.
Mesmo depois de terem rebentado as águas, o enfermeiro continuou a dizer que não podia fazer nada. Mesmo quando comecei a sentir uma vontade incontrolável de fazer força, o enfermeiro manteve a postura ríspida. Enquanto o meu corpo se contorcia todo, ele gritava: «Não faça força! Ainda é muito cedo! Não vê que assim está a fazer mal ao bebé!» Eu estava em pânico. Não só estava descontrolada (que era tudo o que eu não queria), como estava a fazer mal à minha filha e não conseguia parar. Por sorte, outra enfermeira entrou no quarto, chamou o médico, deu-me a mão e prometeu não sair dali. Quando o médico chegou, fez-me o toque e, de repente, tudo mudou. Afinal, estava com dez dedos de dilatação e já em fase de expulsão. Levaram-me para a sala de partos, mas a força que restou não foi suficiente para fazer a minha bebé nascer. O médico teve de usar a ventosa. A Maria nasceu às 6h45 e eu só pensava em sair dali com ela o mais rapidamente possível. (…)“
Texto: Patrícia Lamúrias
Revista PAIS & Filhos
10 Dezembro 2009
Podem ler o artigo completo aqui.
Filed under: Intervenções Desnecessárias no Parto, Parto Normal/Natural on Janeiro 27th, 2010





É por causa destas histórias que eu quero ter um parto natural, vertical em casa, porque durante o parto quero me sentir segura, sentir paz, quero sentir-me respeitada e rodeada de pessoas de confiança.
Em relação a este artigo “silêncio que vai nascer um filho”, acho que a atitude do enfermeiro não foi correcta, acho que este enfermeiro deveria de mudar de profissão, pois não tem vocação para lidar com um ser humano, quem não respeita uma grávida também não respeita um ser humano qualquer.
Já estou a ficar farta de ver violência em tudo lado, nos hospitais, na sociedade, algumas pessoas são agressivas quando falam, algumas pessoas não sabem o que é RESPEITAR O SER HUMANO; eu tenho muito respeito por todas as pessoas e também por todos os seres vivos faz-me uma grande confusão na cabeça quando vejo pessoas que não respeitam.
Olá Paula!
Espero que consiga ter o parto que deseja e que encontre profissionais que lhe transmitam confiança e segurança para a acompanharem no seu momento.
Infelizmente existem muitos profissionais de saúde na área da obstetrícia que são como o enfermeiro do artigo e também na minha opinião essas pessoas não deviam exercer numa área tão nobre como o nascimento!
Além de não saberem respeitar a fisiologia do parto, pois não foram formados para isso e sim para intervirem por rotina, não respeitam o momento sagrado que estão a acompanhar.