“Um parto mais familiar em ambiente hospitalar”

Um grupo de médicos, enfermeiros e outros interessados nas questões da gravidez e parto decidiu juntar-se e lutar para que todas as mulheres possam ter uma experiência de parto mais positiva.

O Movimento Nascer Melhor – assim se chama o grupo – foi criado a 14 de Março de 2009, numa reunião em Viana do Castelo, onde também foram definidas 10 medidas, baseadas nas mais recentes evidências científicas, para reduzir o excesso de práticas e intervenções medicalizadas durante o trabalho de parto nas situações de baixo risco. Mas só agora foi tornado público, com o lançamento do respectivo site.

A esse conjunto de medidas o grupo chamou «Os 10 princípios de Viana». A ideia é fazer chegar estes princípios à sociedade civil para, em conjunto com os profissionais de saúde, se mudarem algumas práticas e atitudes em ambiente hospitalar.

Diogo Ayres de Campos, médico especialista em Ginecologia e Obstetrícia, Dolores Sardo, Presidente da Associação Portuguesa de Enfermeiros Obstetras, e Maria Jorge Costa, directora da revista PAIS&Filhos são algumas das pessoas que fazem parte do grupo fundador.

Para conhecer melhor o Movimento Nascer Melhor e subscrever os Princípios de Viana visite o site oficial.

Os 10 Princípios de Viana

1. Todas as grávidas e acompanhantes têm o direito de ser tratadas com respeito e dignidade, independentemente das suas convicções e opções.

2. O trabalho de parto de início espontâneo que culmina num parto eutócico (parto vaginal sem intervenções) e decorre entre as 37 e as 42 semanas, é actualmente a forma mais segura de nascimento.

3. O recurso ao parto induzido (provocado artificialmente) e à cesariana sem qualquer motivo de saúde, mas apenas por conveniência dos envolvidos, está associado a maiores riscos e é considerado pela comunidade científica internacional como uma prática injustificada.

4. O parto é um processo natural que, na maioria dos casos, apenas necessita da vigilância e apoio por profissionais de saúde. Nos casos de baixo risco estes deverão, preferencialmente, ser prestados por um enfermeiro especialista de saúde materna e obstétrica/parteira.

5. Existem casos, mesmo considerados de baixo risco, em que são necessárias intervenções de saúde para evitar complicações graves decorrentes do parto. É fundamental o acesso rápido e a existência de protocolos de transferência para cuidados de saúde diferenciados, de forma a garantir cuidados seguros no parto.

6. Promover um ambiente carinhoso, em que é permitido à grávida expressar a sua forma de ser e de vivenciar esse momento único e tão importante da sua vida, bem como ver respeitada a sua privacidade e conforto, são aspectos essenciais dos cuidados intraparto.

7. A evidência científica actual não apoia como intervenções de rotina nas parturientes de baixo risco: a tricotomia perineal (corte dos pêlos púbicos); a utilização sistemática de clisteres; a utilização sistemática de soros, ocitocina e a amniotomia (rotura artificial da bolsa de águas) no trabalho de parto; a restrição da alimentação líquida; a restrição dos movimentos; a restrição da posição do parto; a episiotomia sistemática (corte lateral dos tecidos da vagina na altura do nascimento); a aspiração sistemática das vias respiratórias no recém-nascido, que nasce com boa vitalidade.

8. A evidência científica actual aconselha como opções benéficas durante o parto nas parturientes de baixo risco: a arquitectura não-hospitalar das salas de parto, o apoio contínuo durante o trabalho de parto, a possibilidade de banho de imersão ou chuveiro durante a fase de dilatação.

9. As grávidas têm direito a receber informações completas, correctas e não tendenciosas, baseadas na melhor evidência científica disponível sobre riscos, benefícios e alternativas disponíveis para os cuidados de saúde, de forma a tomarem uma decisão informada e, se entenderem, mudarem de opinião em relação às suas escolhas. A avaliação e divulgação dos principais indicadores estatísticos associados ao parto por cada instituição de saúde necessita de ser fomentada.

10. O parto é um evento familiar, onde a possibilidade da grávida poder escolher a presença permanente de elementos próximos e de poder contactar precocemente com a restante família são aspectos essenciais para a vivência do momento.

Revista PAIS & Filhos
16 Novembro 2009

3 Responses to ““Um parto mais familiar em ambiente hospitalar””

  1. Um site relacionado com esta temática e que tem enfermeiros a dar apoio à grávida e na recuperação pós parto

  2. Obrigada Fábio, excelente recurso http://www.enfermeirospt.com/

  3. Sr. Fábio, não encontrei no seu site referência especifica ao parto domiciliar…

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